A Comarca da Sertã nº894 30-03-1953
A Comarca da Sertã
Representante em Lisboa:
João Antunes Gaspar L. de 5, Domingos 18 r/t – Tel. 25505
Director Editor e Proprietário:
Eduardo Barata da Silva Corrêa
Publica-se nos dias 5, IO. 15, 20, 25 e 30
Sertã, 30 de Março de 1953
Periódico regionalista, independente, defensor dos interesses da Comarca da Sertã: Concelhos de Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei: (Visado pela Comissão de Censura)
Ano XVII Redacção é administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: — GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ Nº894
O Grande Drama da Paixão
«Tudo está consumado»!…
Depois da mais cruciante e espantosa agonia, do Getsemani ao Calvário, das humilhações do Pretório, e dos mais inconcebíveis suplícios, Jesus inclinou a cabeça e expirou!
Façamos um minuto de silêncio…
Ele revestiu-se das nossas iniquidades!
Entre o homem pecador e a justa ira Deus ergueu-se a Cruz Redentora.
«Ave Crux spes unical»
Consumada a obra da Redenção o Sol obscureceu, a Terra cobriu-se de trevas, fenderam-se os rochedos, e o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo!
A luz sinistra dos relâmpagos dividiram as vestes do Divino Sacrificado, enquanto o trovão ribombava ameaçador!
O lado de Cristo perfurado cruelmente pela lança do soldado, derramou as últimas gotas de sangue que esguinchando sobre os olhos do Centurião, privados de luz, lha restituíram. Em presença de tamanhos prodígios ele caiu exclamando de joelhos em vibrante acto de fé:
«Verdadeiramente Este era o filho de Deus!»
Aos pés da Cruz estava Maria – a Mater Dolorosa – Mãe de Jesus e nossa Mãe, João, o Discipulo Amado, e Maria Madalena, modelo das almas penitentes.
Nicodemos apareceu para dar sepultura ao Senhor; o homem tímido tornou-se forte pela virtude da Cruz!
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Todos os anos se comemora o grande Drama da Paixão.
As belezas da Liturgia manifestam-se na solenidade das cerimónias daqueles dias de profunda tristeza, e saboreiam-se nos salmos tão cheios de compunção e de dor. O luto de que se revestem os templos e os fiéis, a narração da Paixão através do Evangelho, e da palavra dos seus Ministros, tudo concorre para que se avise na alma o mistério que envolve a Cristo Crucificado.
Não posso nem devo ser simples espectador, curioso e alheio ao drama do Calvário, se eu estava presente no olhar e no coração do Salvador, naquela hora em que o suplicio se consumava!
Pilatos perguntou a Cristo:«O que é a Verdade?…»
Mas não esperou pela resposta… e cobardemente se deixou prender nas malhas dos seus interesses mesquinhos, e da mentira!
Eu também procuro a Verdade… mas estará a minha vida bem em conformidade com ela?…
Eu sei que Cristo morreu para me salvar, mas que respeitando a minha liberdade o não fará sem mim, assim qual o caminho que tenho percorrido neste sentido?
Se eu acredito, terei necessariamente de ser coerente com a minha fé, e no intimo da minha alma se levantará o grito de Pedro: Senhor, «Para quem havemos de nós ir? Vós tendes palavras de Vida Eterna?…»
E toda a lei divina é um poema de amor: « Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei»… Conhecendo, porém a fragilidade humana, deixou-nos os Sacramentos, que purificam e dão força e luz para uma vida melhor.
Então levantar-me-ei e irei ter com meu Pai, que de braços abertos me espera no limiar da Casa Paterna!
Ele é o Pastor que feriu os seus pés nas pedras do caminho em busca da ovelha perdida, por ela deixou as 99 do rebanho, e ao encontrá-la tomou-a nos braços, e aqueceu-a ao calor do seu coração, transbordante de alegria!
Cristo morreu… mas do alto da Cruz atrai tudo a Si, Ele é a «Ressurreição e a Vida»!
(Conclui na 3.ª pág.)
Programa das cerimónias da Semana Santa
Domingo de Ramos – Bênção dos Ramos e procissão às 11 horas, seguindo-se a missa com a paixão.
Quinta-Feira Santa – Missa solene seguida de desnudação dos altares, às 12 horas; Visita, às 17; Ofício, seguido de procissão, às 20.
Sexta-Feira Santa – Adoração da Cruz, paixão e sermão, às 10 horas; Ofício, seguido da procissão do enterro e sermão, 20.
Sábado de Aleluia – Bênção do lume e mais cerimónia, às 24 horas.
Domingo de Páscoa – Procissão, seguida de missa solene e sermão, às 11 horas.
A Cruz Mutilada
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- Herculano (1810 1877)
Amo-te, oh cruz, no vértice firmada
De esplêndidas igrejas;
Amo-te, quando à noite, sobre a campa,
Junto ao cipreste alvejas;
Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos
As preces te rodeiam;
Amo-te, quando em préstito festivo
As multidões te hasteiam;
Amo-te erguida no cruzeiro antigo,
No adro do presbitério,
Ou quando o morto, impressa na ataúde,
Guias ao cemitério;
Amo-te, oh cruz, até, quando no vale
Negrejas triste e só,
Nuncia do crime, a quem deveu a terra
Do assassinado o pó:
Porém, quando mais te amo,
Oh cruz do meu Senhor,
E` se te encontro à tarde,
Antes do sol se pôr,
Na clareira da serra,
Que o arvoredo assombra,
Quando à luz, que fenece,
Se estira a tua sombra,
E o dia últimos raios
Com o luar mistura,
E o seu hino da tarde
O pinheiral murmura.
E eu te encontrei, num alcantil agreste,
Meia-quebrada, oh cruz. Sozinha estavas
Ao pôr do sol, e ao elevar-se a lua
Detrás do calvo cerro. A soledade
Não te pode valer contra a mão impia,
Que te feriu sem dó. As linhas puras
De teu perfil, falhadas, tortuosas,
Oh mutilada cruz, falam dum crime
Sacrílego, brutal e ao ímpio inútil!
A tua sombra estampa-se no solo,
Como a sombra de antigo monumento,
Que o tempo quase derrocou, truncada.
No pedestal musgoso, em que te ergueram
Nossos avós, eu me assentei. Ao longe,
Do presbitério rústico manadava
O sino os simples sons pelas quebradas
Da cordilheira, anunciando o instante
Da Avé-Maria, da oração singela,
Mas solene, mas santa, em que a voz do homem
Se mistura nos cânticos saudosos,
Que a natureza envia ao céu no extremo
Raio de sol, passando fugitivo
Na tangente deste orbe, ao qual trouxeste
Liberdade e progresso, e que te paga
Com a injúria e o desprezo, e que te inveja
Até, na solidão, o esquecimento!
Foi da ciência incrédula o sectário,
Acaso, oh cruz da serra, o que na face
Afrontas te gravou com mão profusa?
Não! Foi o homem do povo a quem consolo
Na miséria e na dor constantehás sido
Por bem dezoito séculos: foi esse
Por cujo amor surgias, qual remorso,
Nos sonhos do abastado ou do tirano,
Bradando – esmola! a um; – piedade! Ao outro.
A Comarca da Sertã
Câmara Municipal da Sertã
Reunião de 3 de Março
Compareceram o presidente, dr. António Peixoto Corrêa e os vereadores António da Silva Lourenço e António Coelho Guimarães, faltando, por motivo justificado, os vereadores António Alves Lopes Manso e Lúcio Edmundo Graça.
— Presente um ofício do professor primário de Cernache do Bonjardim, chamando a atenção para o estado em que se encontra o alpendre da escola, há pouco reparado. Aguardar que o engenheiro dê o seu parecer quanto às reparações não previstas na obra executada.
— Outro do Intendente de Pecuária do distrito, informando que os projectos de construção ou modificação de matadouros municipais compete, por lei, à sua aprovação, à Direcção Geral dos Serviços Pecuários, devendo, para esse efeito, serem apresentados os respectivos projectos em duplicado.
— Tomado conhecimento do ofício do director escolar do distrito, informando que por decisão do Conselho de Ministros, de 27 de Janeiro p. p., foi aprovado que Vilar da Carga seja incluído no núcleo escolar do Maxial da Estrada.
— Presente um ofício da União dos Grémios dos Espectáculos, perguntando se o Cine-Teatro Tasso se encontra equipado com aparelhagem privativa ou se as sessões ali realizadas têm sido por exibidores ambulantes. Resolvido informar que as sessões ali dadas são levadas a efeito pela Empresa Electro-Cine do Bombarral.
— Presente um ofício da Direcção de Urbanização do distrito, chamado a atenção da Câmara para o prazo da obra «Abastecimento de água à povoação de Pisões-1.ª fase (reforço do caudal)», que expirou em 31 de Dezembro de 1952, lembrando que a partir daquela data será aplicado o disposto no «despacho ministerial» de 12 de Abril de 1952. Para evitar a redução em futuros gagamentos, deverá a Câmara pedir a anulação, devendo o pedido ser devidamente fundamentado e remetido àquela Direcção. Resolvido pedir a sustação da redução em futuros pagamentos, baseando o seu pedido no prosseguimento dos trabalhos, além do comparticipado, para melhor aproveitamento do caudal que abastece a referida povoação.
— Tomou conhecimento do ofício da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, autorizando o Município a executar, por administração directa, as obras de reparação do edifício escolar da Sertã.
— Tomou conhecimento do ofício da J.F. da Ermida, informando não terem comparecido, consoante combinação com a Câmara, os indivíduos designados para vistoriarem o caminho do Sipote.
— Tomou conhecimento do ofício da Direcção de Urbanização do distrito, informando que a obra de abastecimento de água a Mosteiro Fundeiro não pode ser já comparticipada por não fazer parte do plano «superiormente aprovado».
— Tomado na devida consideração o ofício da J.F. do Troviscal, o qual, em termos correctos e respeitosos, protesta contra a desanexão da povoação dos Covões, por a maioria dos seus habitantes não concordar, a tratar-se apenas de uma vingança, sem motivo algum que a justifique.
— Presente um oficio do regente do posto escolar do Valongo, informando que para o progresso da instrução deste lugar e povos circunvizinhos resolvera levar as crianças que pertencem ao posto, das 9 às 12 horas, para a casa de Guilhermino Silva, que fica junto à sua residência, pedindo à Câmara o seu valioso auxilio no sentido de ser paga a renda da casa, para onde mudou as crianças de Janeiro em diante. Resolvido convocar o referido regente escolar a comparecer na próxima reunião.
— Tomou conhecimento do ofício do engenheiro delegado para as obras de Construção de Escolas Primarias em que comunica estar a aguardar o resultado das intimações a fazer aos lesados na obra de construção da escola do Carvalhal Fundeiro, freguesia do Troviscal, constante do inquérito administrativo feito neste concelho, para pôr à ordem do Município a importância apurada.
— Tomou conhecimento do ofício do Comando da Companhia da Guarda Nacional Republicana de Castelo Branco, demonstrando a conveniência em se construir, próximo do quartel da mesma Guarda, na Sertã, uma garagem para acomodação de uma viatura-auto, a distribuir ao posto da Sertã e da viatura do comandante quando se desloque a esta Vila. Demostra bem quais as vantagens na distribuição da viatura-auto, ao posto da Sertã, salientando entre elas a facilidade com que as praças do seu Comando ou posto, em referencia, se deslocam a qualquer localidade da área do concelho, para rusgas, esperas e outros actos para a repressão de frutos e quaisquer desmandos. Resolvido informar que vai diligenciar a imediata execução da garagem, aproveitando a solução apresentada no mesmo ofício.
— Presente um oficio do posto escolar da Aldeia Fundeira da Ribeira, pedindo o fornecimento de 6 carteiras e a reparação das existentes. Resolvido que o zelador fosse vistoriar o material existente e prestasse a sua informação por escrito a fim de habilitar a Câmara a tomar uma deliberação.
— Presente o oficio da professora agragada da escola feminina do Castelo, chamando a atenção da Câmara para o mau estado em que se encontra o edifício escolar e bem assim o material existente, que bastante danificado se encontra. Tendo em atenção o exposto, foi resolvido, dentro do possível, satisfazer ao solicitado.
(Continua)
Companhia de Viação de Sernache, Lda.
Cernache do Bonjardim – Telef. 4
Sucursal em Lisboa: Av. Almirante Reis, 632-H. – Tel. 45503
HORÁRIO DAS CARREIRAS – PARTIDAS DE:
Lisboa-Sertã – 6.30 (a) – 10.00 (b)
Sertã-Lisboa – 7.45 (b) – 12.50 (c)
Pedrógão Pequeno-Sertã – 5.45 (d) – 6.50 € – 14.40 (f)
Sertã-Pedrógão Pequeno – 12.50 (f) – 18.00 (e) – 21.10 (d)
Oleiros-Sertã – 6.00 (f)
Sertã-Oleiros – 18.30 (f)
Sertã-Proença-a-Nova – 6.45 (b)
Proença-a-Nova-Sertã – 17.45 (b)
Alvito da Beira-Proença-a-Nova – 5.20 (g) – 7.15 (e)
Proença-a-Nova-Alvito da Beira – 18.50 (g) – 20.00 (e)
Ferreira do Zêzere-Cabaços – 17.00 (b)
Cabaços-Ferreira do Zêzere – 7.35 (b)
Figueiró dos Vinhos-Sertã – 14.05 (b) – 19.55 (h)
Sertã-Figueiró dos Vinhos – 6.40 (h) – 13.00 (b)
Castelo Branco (Estação)-Sertã – 9.30 (f) – 17.15 (c)
Sertã-Castelo Branco(Estação) – 8.00 (c) – 15.30 (f)
Figueiró dos Vinhos-Coimbra – 8.00 (f) – 14.25 (b)
Coimbra-Figueiró dos Vinhos – 11.40 (b) – 17.20 (i)
Tomar(Estação)-Sertã – 8.10 (f) – 15.20 (f)
Sertã-Tomar(Estação) – 8.30 (f) – 16.10 (f)
Ferreira do Zêzere-Tomar(Estação) – 7.20 (h) – 14.20 (j)
Tomar(Estação)-Ferreira do Zêzere – 15.20 (j) – 18.20 (b)
Madeirã-Sertã – 6.15 (l)
Sertã-Madeirã – 18.00 (l)
Madeirã-Oleiros – 4.50 (c) – 6.20 (m)
Oleiros-Madeirã – 18.40 (m) – 20.00 (n) – 22.10 (o)
Sertã-Álvaro – 14.25 (a)
Álvaro-Sertã – 11.00 (c)
Castanheira-Ferreira do Zêzere – 9.15 (c)
Ferreira do Zêzere-Castanheira – 17.00 (c)
Cernache do Bonjardim-Santo António do Marmeleiro – 7.30 (c)
Santo António do Marmeleiro-Cernache do Bonjardim – 12.00 (c)
- Só aos domingos:
- Diariamente, excepto aos domingos;
- Só às 2.as feiras;
- Só às 3.as feiras;
- Diariamente excepto domingos e 3.as feiras;
- Diariamente;
- Diariamente excepto domingos e 2.as feiras;
- Ás 3.as feiras e no dia 23 de cada mês. Se este dia coincidir com o domingo, a carreira efectuar-se-á no dia anterior;
- Ás 3.as ,3.as e sábados e dias 23 de cada mês. Se este dia coincidir com o domingo, a carreira efectuar-se-á no dia anterior;
- Só ás 2.as ,3.as e sábados.
- Só às 3.as feiras
- Só aos sábados.
- Só às 2.as feiras, de 1/10 a 31/3.
- Só às 2.as feiras, de 1/4 a 30/9.
Humorismo
“Há anos, no liceu Gil Vicente, em Lisboa, havia um aluno muito alto, alcunhado Everest e um professor exageradamente baixo.
Certo dia, durante a aula, o professor quis fazer uma demonstração no quadro, mas o giz estava em cima do cavalete e ele não lhe chegava.
Então, muito solícito, o nosso Everest sai do seu lugar, corre ao quadro, tira o giz e entrega-o ao professor, que, sorridente, agradeceu com estas palavras:
— Muito obrigado; quando o meu amigo precisar de alguma coisa do chão, faça favor de dizer.”
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CERNACHE BONJARDIM
ALVARÀ – Cinema – Vende-se – R.
Domingos Sequeira, 42 – Lisboa
Telefone 62288
Agradecimento
Margarida de Jesus Serra, José Serra, Fernanda Nunes Campino Serra, da Sertã e mais família, na impossibilidade de o fazerem pessoalmente, vêm por este meio e muito reconhecidos agradecer a todas as pessoas que se interessaram pelo estado de saúde de seu muito querido e chorado marido, pai, sogro e parente, António Serra, falecido nesta vila da Sertã em 27 de Fevereiro do corrente ano e bem assim aos que, de qualquer forma, os acompanharam em tão profunda dor, lhes apresentaram condolências, o acompanharam à sua última morada e assistiram ao piedoso acto da missa de sétimo dia.
Embora saibam com isto ferir as suas modéstias querem também publicamente agradecer ao Ex.mo Senhor Doutor Ângelo Henriques Vidigal e sua enfermeira Maria de Lourdes Peres a forma sabedora, pronta e desinteressada como o trataram durante o período da sua doença e bem assim ao Ex.mo Senhor Doutor Rogério Marinha Lucas, pela forma igualmente sabedora, rápida e também desinteressado como interveio algumas vezes que os seus serviços clínicos foram solicitados.
A todos a sua profunda e inolvidável graditão.
III Romagem de Antigos Combatentes à Flandres
Por motivos de força maior absolutamente atendíveis, a Comissão de Antigos Combatentes que, no Norte da França, organiza as cerimónias anuais comemorativas do esforço militar de Portugal na frente europeia de 1914-18, viu-se forçada a adiar para 17 de Maio aquelas cerimónias em Lacouture, que estavam previstas para 26 de Abril.
Nestas circunstâncias, a Comissão Organizadora da Romagem resolveu alterar o itinerário que tinha projectado, adoptando o seguinte:
Maio 8 – Partida de Lisboa no «Sud»; 9. à noite – Chegada a Paris; 10, de manhã – Partida para Bruxelas, visita à Exposição Internacional de Bruxelas (último dia); 11 – Bruxelas, Homenagem ao Soldado Desconhecido Belga, visitas oficiais; 12 – Antuérpia, visita às campas dos Antigos Combatentes Portugueses, no cemitério local, homenagem ao monumento do Rei Alberto; 13 – Gand, homenagem aos Antigos Combatentes Portugueses mortos na Bélgica, perante a placa comemorativa colocada na Universidade, visitas oficiais; 14 – Arras, recepção das autoridades e dos Antigos Combatentes Franceses; 15 – Visita ao antigo sector português; 16 – Excursão a Vimy, visita às trincheiras e monumento canadiano; 17 – Lacouture, cerimónias comemorativas, visitas aos cemitérios; 1 .- Partida de Arras para Paris-Lisboa.
Em face deste novo itinerário, os romeiros já inscritos devem comunicar, sem demora, as Secretário da Comissão, se mantêm ou não os suas inscrições.
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Cine-Teatro Tasso
No domingo de Páscoa, o filme português Madragoa.
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Magistrados
Foi promovido à 2.ª classe e colocado na comarca de Penafiel o delegado do Procurador da República sr. Dr. José Augusto da Silva, que durante pouco tempo em que serviu na nossa comarca, se revelou um magistrado distintíssimo, evidenciando, especialmente, a sua grande competência, tacto e invulgares qualidades de trabalho quando da terrível tragedia no Alto do Cavalo, em que foi barbaramente assassinado um casal de honestos e bons anciãos.
O sr. dr. José Augusto da Silva é além disso, uma pessoa simpática, de fino trato e de esmerada educação.
Agradecemos a gentileza dos cumprimentos de despedida e fazemos sinceros votos pelas suas melhoras e pelos maiores triunfos na sua carreira.
A hora de Verão
A hora oficial será adiantada de 60 minutos na noite de 5 para 6 de Abril.
Vida religiosa
Hoje, amanhã e 4.ª Feira, às 20 horas, haverá terço. Benção do S.S. e prática do Ver. Dr. Manuel Antunes como preparação dos homens para a Comunhão Pascal, que é na 5.ª feira.
Neste mesmo dias, às 21 horas, o mesmo ilustre sacerdote, nosso patrício, professor de Filosofia no Seminário de Braga, realiza importantes e oportunas conferências culturais para homens, no Cine-Teatro Tasso.
Agenda
Estiveram na Sertã os srs. Dr. Jaime Pissarra Lopes Dias e Reinaldo Alves Costa, de Lisboa.
A Comarca da Sertã
Duas Causas
Principais intérpretes – Alves da Cunha, Mariana Villar, Helga Liné, Artur Semedo, Eugénio Salvador, Santos Carvalho, Assis Pacheco, Elvira Velez.
Realização de Henrique Campos.
Argumento adaptado da peça teatral do mesmo título.
Produção da Lisboa-Filme.
1 – Naquela primeiro andar, mora a família de Bento Castanho, que se compunha da arrebicada D. Emília, o seu marido, abastado armazenista de azeites, seus filhos Raúl e Maria.
Vive com eles, uma sua protegida, Adriana, que, embora considerada, faz as suas vezes de criada da casa. Raúl que está prestes a concluir o curso de Direito, mantém amores com Adriana, do que a família não suspeita. Todo o sonho de D. Emília, é que o filho saia advogado, para mudarem de casa e ele entrar na alta sociedade, onde espera arranjar noivo para Maria.
2 – O Sr. Bento, homem honesto dos pés à cabeça, é o proprietário da firma Bento & Bento, Lda, armazém de azeites, onde o dinheiro sempre tem escorrido para os cofres. O seu braço e a sua voz imperam no armazém. Servem-no, mais ligàdamente, o guarda-livros Aniceto, e Miguel, rapagão simpático, trabalhador, que tem sido o braço direito do Sr. Bento. Este tanto o estima que todo o seu sonho é vê-lo casado com sua filha, Maria, já que entre os dois há uma forte simpatia amorosa, que o velho comerciante favorece. Quando os vir casados, poderá morrer descansado.
3 – Cinco horas da tarde. Na Faculdade de Direita já terminaram as aulas. Os alunos começam a sair. Entre eles vem Raúl, alegre, simpático, que se encaminha para um jardim próximo, onde se encontrará com Adriana. Há meses que dura aquele amor. Criados desde garotos sempre juntos, juntos os seus corações despertam para a vida. Ali se têm encontrado naquele jardim, à saída das aulas, sempre que Adriana arranja um pretexto para o ir esperar.
4 – Agora Adriana sente cada vez mais a impossibilidade daquele casamento, pois não tarda que Raúl seja um homem de sociedade.
– Ena, ena, foi pontual! – diz Raúl, ao ver Adriana.
– Sou sempre! Mas esta é a última vez! Não volto mais! Isto deve acabar. Raúl! Eu sou uma criada e tu vais ser um advogado.
Adriana não pode conter as lágrimas.
–Vamos, quero que sorrias. Tu é que serás a minha mulher. Já falta pouco para ter a minha independência e …então … que manda sou eu!
5 – Os receios de Adriana não se acalmam. Se D. Emília se opõe ao casamento de Maria com o Miguel, como irá consentir o seu com Raúl, quando este for advogado?…Embora jure ser o mesmo, e que só ela será a sua mulher, Adriana sente-o agora mais longe. Sobe para o seu quarto e chora o drama da sua vida.
Altas horas, quando Raúl chega, ainda ela está encostada á janela, à sua espera. Ele procura animá-la, e as suas palavras são o maior bálsamo para a sua alma.
(De «Coleção Cinema»)
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Hospital de OLEIROS: Para remodelação e conclusão do edifício destinado ao seu hospital, concedeu o titular das Obras Públicas, pela Fundo de Desemprego, reforço, a comparticipação de 2.500$00.
Informações úteis
Contribuições e Impostos
No caso de ainda não ter sido efectuado o seu pagamento, deve fazer-se até ao dia 2 de abril pela totalidade, com juros de mora e sob pena de relaxe, as contribuições e impostos:
Contribuição Industrial
Colectas de quantia inferior a 200$00; Colectas de quantia igual ou superior a 200$00; divididas em 2 ou 4 prestações, das quais não tenha sido paga a primeira em Janeiro.
Contribuição Predial
Colecta inferiores a 100$00
Imposto Profissional
Profissão liberarias e empregados: Colectas inferiores a 100$00; Colectas iguais ou superiores a 200$00, das quais não tenha sido paga a primeira prestação em Janeiro – Assalariados: Colectas inferiores a 50$00; Colectas iguais ou superiores a 50$00, divididas em 2 ou 4 prestações, das quais não foram pagas as duas primeiras.
Imposto complementar
Devem ser pretadas as seguintes declarações referentes a imposto complementar:
– Até 31 de Março a declaração modelo 3 – Art. 15.º do Regulamento – pelas sociedades e demais entidades colectivas; modelo 5 – Art. 15.º, § 3.º do Regulamento – Notas individuais a apresentar pelas sociedades de seguros que paguem rendas vitalícias.
– Até 15 de Abril a declaração do modelo 4 – art. 15.º do Regulamento – pelas sociedades anónimas e comanditas por acções; modelo 6 – art. 16.º do Regulamento – notas individuais, a prestar pelas sociedades anónimas e comanditas por acções em relação às suas acções nominativas e ao portador registadas.
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Campanha Nacional de Educação de Adultos
Castelo Branco
No salão Nobre do Governo Civil deste Distrito, tomou posse, a comissão distrital da Campanha Nacional de Educação de Adultos, constituída pelos Ex.mos Srs. Governador Civil, Dr. José de Carvalho; Director do Distrito Escolar, Francisco Pinto Mouro; Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Presidência, Dr. António de Vasconcelos Costa e Melo. Representante da Imprensa e da Rádio, Dr. Augusto Duarte Beirão; Regresentante das Organizações Corporativas, José Pedro Cortes e Professor Manuel Antunes Preto.
O acto, que revestiu a maior solenidade, teve a assistência das pessoas de maior representação social da nossa terra.
(Recebido do Governo Civil em 27-3)
Plano de Urbanização da Sertã:
Esteve nesta Vila o sr. Arquitecto António Neves, que, a solicitação da Câmara, veio apresentar esclarecimentos sobre o andamento dos trabalhos de remodelação do anteplano e elucida-la sobre a construção do novo mercado e outras construções de interesse municipal, trocando-se, também, impressão sobre as obras de construção e modificação de iniciativa particular.
O GRANDE DRAMA
Da Paixão
(Conclusão da 1.ª pág.)
Cristão, sou também « outro Cristo» e é preciso que toda a mina vida – familiar, profissional e social – seja bem uma afirmação do meu cristianismo.
Só assim estou na Verdade e darei testemunho dela.
E é taõ grande a força da Verdade vivida que aqueles que a sentirem em mim, virão talvez comigo em busca da Luz!…
Cristo morreu… mas foi a morte que preparou os triunfos da Ressurreição!
Mais uma vez façamos um momento de silêncio…
E olhos fitos na Cruz Redentora, caminhemos a passos largos para uma vida mais alta!
Seguindo Aquele que é o «Caminho, a Verdade ea Vida», teremosparte abundante nas alegrias da Ressurreição, e ouviremos dos lábios de Jesus aquela palavra que Ele disse aos seus melhores amigos no grande Dia da Páscoa:
«A PAZ SEJA CONTIGO»!
MARY.
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MELHORAMENTOS RURAIS
No final do debate sobre a legislação que regula os melhoramentos rurais, o volume da verba inscrita anualmente no Orçamento para sua efectivação e sua forma repartição, a Assembleia Nacional aprovou uma moção, na sessão de 13 do corrente, sugerindo ao Governo o estudo actual do assunto.
Antes, porém, o deputado sr. dr. Magalhães Pessoa disse que é verdadeiramente notável a obra levada a efeito, nos, últimos anos, no sector dos melhoramentos rurais, como, de resto, em todos os outros do País; mas podia-se ter sido mais além se as dotações orçamentais destinadas à valorização das freguesias não houvessem sido distribuídas com tanta parcimónia. Notou que há ainda muitos aglomerados populacionais completamente isolados por falta de estradas e caminhos e que, sem estes, de pouco servem fontes, lavadouros, escolas ou cemitérios. Apelou para o sr. ministro das Finanças no sentido de ser elevada a dotação para melhoramentos rurais, pois os pedidos de comparticipação amontoam-se dia a dia. Ocupando-se da rede de estradas, frisou que há mais de 7.000 povoações isoladas.
Acentuou que o previsto para acabar com tal estado de coisas atinge mais de 1.500.000 contos. A extensão das estradas e caminhos a construir é da ordem de grandeza de 12.000 a 13.000 quilómetros. Com 30.000 contos por ano não é possível satisfazer tão grande necessidade nacional. Haverá, portanto que aumentar as dotações do orçamento: de uma conveniente aplicação das verbas concebidas; e de melhorar a situação financeira dos Municípios.
No que respeita à aplicação, não basta construir estradas e caminhos; torna-se igualmente necessário ir conservando as existentes, pois as Câmaras não podem, assoberbadas com dificuldades de toda a ordem, manter nos seus concelhos um bom serviço de conservação. E, pelo que toca ao auxilio aos Municípios, entende que ele deve ser dado, não através do aumento de receitas, mas pela libertação dos encargos que fortemente os oneram e são absolutamente estranhos à sua actividade, como a manutenção de escolas, fornecimento de mobiliário, água e luz a várias repartições e internamento de doentes nos hospitais.
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LOUÇAS de ESMALTE e ALUMINIO
Aos melhores preços, fazendo à de alumínio 50×20 de desconto, prego 30×10, rede de 1, 1,5 e 2 polegadas por qualquer largura, 30% de desconto à tabela, isto na Casa Cerveira, rua dos Caldeireiros, 137 – PORTO. Vendas só ao comércio.
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Postais da Sertã
Uma nova e interessante colecção, à venda na Gráfica Celinda.
Junta de Freguesia
de Cardigos
Informam de Cardigos:
Esta Corporação Administrativa, apresentou em tempo oportuno, as contas da sua gerência de 1952, verificando-se que a receita foi de Esc. 18.786$90 e a despesa de Esc. 15.767$50, transitando para o corrente ano, o saldo de Esc. 3.019$40.
A principal verba de despesa, consta da construção dum troço de estrada entre Cardigos e Roda, para a foram recebidos valiosos donativos dos habitantes desta povoação, destacando-se a colónia residente em Lisboa.
Na primeira reunião do corrente ano, esta Junta aprovou o plano de actividades para o ano de 1953, destacando-se as seguintes:
– Construção de mais um troço da estrada Cardigos-Roda que ficará quase concluída.
– Arborização da mesma para o que vai adquirir 300 acácias, que dada a largura da estrada cerca de 8.60 e amplitude das três curvas e uma recta de 700 metros num percurso de quase 2 Kilómetros, bem poderá considerar-se uma avenida, desenvolvendo-se pela cumiada do monte, um dos pontos mais aprazíveis desta vila.
– Construção de calçadas e arranjos vários no Largo do Espírito Santo, expropriando-se para utilidade pública, parcelas de prédios rústicos e três urbanos que muito prejudicam a estética da vila pelo nascente, conforme projecto dividido em duas fases, esperando-se para breve a comparticipação do Estado de Esc. 40.000$00.
– Reparação de projectos de lavadouros na sede da freguesia, aproveitando as águas da antiga mina da Fonte Nova e na povoação de Carrascal onde a água corre em tal abundância que se perde, e de exploração de água para a povoação de Roda, cujo actual nascente é deficiente para os seus trezentos e cincoenta habitantes.
Além disto a Junta está tratando de escolha de terreno para a construção de um Posto Médico que pensa iniciar ainda este ano, contando com a receita dum cortejo de oferendas a realizar em Setembro, de subsídios do Ex.mo Senhor Governador Civil e Junta de Província da Beira Baixa Câmara Municipal, e de outros rendimentos, possivelmente o de terrado por ocasião de mercados e feiras.
– Intensificará os seus esforços junto das autoridades competentes para que seja concluída a estrada 244 entre Cardigos e Marmeleiro e se proceda ao estudo de outra a 244-1 entre Cardigos e Arganil encurtando consideravelmente a distância do concelho de Vila de Rei e Castelo Branco. – S.
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O horário da carreira de passageiros entre Cernache do Bonjardim e Santo António do Marmeleiro, recentemente inaugurada, e que se efctua somente às 2.as feiras, é o seguinte: partida de Cernache às 7,30 horas; Faleiros, chegada e partida, às 7,40 e 7,45; Sertã, Chegada e partida, às 7,55 e 11,10; Cumiada, chegada às 11,20 (ao cruzeiro), Santo António do Marmeleiro, chegada às 11,35.
Santo António do Marmeleiro, partida às 12; Cumiada, chegada às 12.15 (ao cruzeiro); Sertã, chegada e partida, às 12.25 e 12.45; Faleiros, chegada às 12.55; Cernache, chegada às 13.05.
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A Caneta Parker 21 é esplendida Vende-se na Gráfica Celinda, Ld.ª – Sertã.
A Comarca da Sertã
VILA DE REI
(Região da Moita)
IN PRINCIPIO
Lusitânia – Era limitada a sul e a oste pelo Oceano, a norte pelo rio Douro e a Leste pelo Guadiana. A palavra Lusitânia quer dizer terra de luz.
Beira – Diz-se na Geografia Histórica escrita em 1735 (tomo II, pág. 83) «respeita a antiga significação desta palavra que valia o mesmo que Margem ou Borda e convinha muito a esta Província por estar quase toda rodeada ou de margens de rios ou de praias do mar, a saber: do rio Douro ao norte…, do Elges ao nascente do Tejo ao Meio Dia e do Oceano ao poente».
Os habitantes desta região eram os Berones, segundo o afirmam Baudrand e Hoffmann. Baptista esclarece que eles «estavam sujeitos aos celtíberos e a sua principal cidade era onde hoje está Trejo». (Mapa de Portugal de J. Baptista de Castro, Vol. I, pág. 227).
Frei Bernardo de Brito inverte a questão e diz que se chamava Beira por ser habitada pelos Berones. João Salgado aventa outra hipótese, dizendo que seu verdadeiro nome era Vera, que se converteu em Beira.
A multiplicidade de hipóteses permite ao leitor uma escolha agradável.
Lanciences – Era uma das divisões dos Berones. «Estavam naquelas partes da Província da Beira que estende do norte para o Meio-Dia, do Pônsul até ao Tejo e do Oriente até ao Ocidente, do Elges até ao Zêzere». (Id. Ob. Cit.).
A nossa tão humilde e tão querida região, enquadra-se perfeitamente nesses talhos geográficos e etnográficos que apontámos. Mas no seu conjunto, o fundo primitivo da raça lá está: uma e indivisível, já pela consanguinidade, já pela linguagem, já pela cultura, já pela ideologia: – a Raça Lusitana, caracterizada pela «estatura baixa, morena, dolicocéfala e mesorrínica. E` a descendente directa da raça pre-histórica de Beaunnes-Chaudes-Mugem, formando o fundo autóctone da população portuguesa. Os seus representantes actuais encontram-se localizados nas regiões montanhosas do Alto Minho, Trás-os-Montes e Beira. (Hist. de Port. Ed. Brac. Vol. I, pág. 33).
Os lusitanos no seu estado primitivo eram uns Adões pelas florestas deste paraíso terráqueo da Lusitânia, onde os montes eram de prata, os vales de cobre e estanho e as planícies de ouro. O céu era dum azul, azul, azul e a terra produzia sem se cultivar.
A vida quase durava séculos. A caça, os frutos silvestres, as chuvas, o frio e o calor faziam esses homens hercúleos e seculares. Vestiam-se de peles, tinham os giros certos pelos matagais das serras, lutavam com as feras, organizavam caçadas; com a flecha abatiam a presa para o seu repasto; tinham um olhar mais penetrante que o das águias e uns pés mais ágeis que os do gamo. Viviam em cavernas, de preferência à beira dos rios.
Deodoro da Cicília, historiador grego, deixou-nos deles o seguinte retrato: – «Na guerra usam uns escudos muito pequenos, feitos de fios tendinosos, tão juntos que defendem perfeitamente o corpo e os manejam com presteza nos combates para se defenderem habilmente de todos os lados das setas que lhes lançam. A sua lança é toda de ferro e terminada em forma de fateixa; usam capacetes e espadas semelhantes às dos celtíberos. Atiram as lanças com certeza e a grandes distâncias e as suas feridas são graves. São ágeis e leves em correr, quer fugindo quer perseguindo. Em tempo de paz exercitam-se em danças guerreiras que exigem grande habilidade. Na guerra marcham com passo cadenciado e cantam um canto de guerra no momento do ataque. (Hist. Exér. Port. Pág. 10) Dormiam sobre montes de feno e usavam os cabelos compridos e soltos (à maneira das mulheres – Geografia de Estrabão).
No tempo em que ainda não havia nem castelos nem exércitos, qualquer rixa de homem para homem de tribo para tribo era resolvida logo de momento, terminando ou com a morte ou com a fuga dum dos contendores. A idade dos castros surgiu séculos maios tarde com a migração das tribos à procura de campos mais férteis, violentando aqueles que já nessas terras se haviam estabelecido. O instinto da defesa criou neles a necessidade de se encastelarem no alto dos montes donde facilmente pudessem vigiar os seus can«mpos e resistir aos ataques dos invasores.
Duas idades medeiam da subida das antes dos vales para os castros das serras. A natureza dos achados arqueológicos das antas raramente vai aparecer nos castros das serras. Esta particularidade interessa muito para o estudo da região em causa.
A verdade do princípio histórico da nossa terra vive profundamente adormecida na noite do mistério. Nem as pedras nem os pergaminhos nos falam do que foi esse passado. No silêncio destas serras, a alma foge-nos para além de todo o azul do firmamento. Silêncio, mistério, saudade! E a serra, túmulo dessas remotas gerações, lá está, negra e imperturbável ao rodopio dos séculos.
João de Almeida ao estudar as fortalezas do país, falando do Castelo de Vila de Rei, diz: «dada a sua situação e importância, essa fortaleza teria consistido na origem num castro lusitono» (Rot. Dos Mon. Mil. Port. Vol. XI, pág. 408).
A posição é soberana. Desse monte de 418 metros da altitude – o Castelo – comanda-se a porta de passagem entre os campos da Idanha e as lezírias das barreiras altas do Codes e do Zêzere, perde-se a vista pelos campos do Ribatejo e a seus pés vem passar o infinito tumultuar de caminhos que vêm descendo da Beira.
Dispondo num mapa a paisagem castrense, encontrada no círculo cujo centro se considere Vila de Rei, com um raio não superior a 30 quilómetros, nós encontramos, pelo menos, dezanove castros de origem lusitana. Isto obriga-nos a pensar um pouco no passado lusitano na nossa terra, ainda que do lendário Castelo nada resta.
O triângulo formado pelos Castelos de Vila de Rei, Matagosa e Castro de S. Pedro, é assunto de que a seu tempo falaremos.
Lígures, Iberos, Fenícios, Celtas, Gregos, Cartagineses, Romanos, Bárbaros e Árabes, eis a cavalgada de povos invasores que a velha Lusitânia teve que suportar. Os seus costumes, as suas leis, a sua cultura, o seu sangue, vivem ainda hoje num místico confuso no fundo do nosso ser.
Mário Francisco Alves
Através
da Comarca
PESO, 16
Após longp e doloroso sofrimento faleceu, em 13 do corrente mês, a ex.ma sr.ª D. Maria José Pires da Silva, digna e dedicada esposa do ex.mo Sr. José Aparício da Silva, secretario da Direcção da Casa do Povo desta freguesia, e benquisto funcionário aposentado da Embaixada dos Estados Unidos, em Lisboa, e mãe estremosa do ex.masr.ª D. Maria Amália Pires da Silva, que, durante muitos anos de doença atroz, foi enfermeira a mais carinhosa, e cujos cuidados os mais desvelados permitiram prolongar a sua existência. Era dotada dos melhores dotes de coração, deixando em todos que tinham o prazer de a conhecer, a maior saudade. Certamente todos que privam com esta família enlutada, acompanham todos os seus membros , especialmente seu querido marido e filhinha, neste transe, que a todos toca, e apresentam condolências bem sentidas.
Paz á sua alma.
– A par deste acontecimento bem maguado teve a Casa do Povo a grande dita de receber a visita do ex.mo sr. dr. António Francisco Falcão, digno Sub-delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência – Castelo Branco – . que foi recebido com a maior satisfação. Pessoalmente veio observar ou inteirar-se das necessidades mais urgentes do Organismo (Casa do Povo), principalmente o complemento dos serviços de saneamento e abastecimento das águas pluviais, mostrando S.Ex.ª a melhor boa vontade e interesse, prometendo envidar os melhores esforços, no sentido de preencher essas lacunas, no mais curto prazo possível. A sua presença, embora curta, deixou, em todos, a mais grata impressão e simpatia. A Direcção da Casa do Povo agradece a S.ex.ª a gentileza da sua visita.
– Está de parabéns a lavoura do nosso País, que tem os campos regados pela almejada chuva, que há tanto tempo se fazia esperar para fertilizar as sementeiras feitas que estiolavam com tão demasiada seca, e proporcionar o cultivo das realizadas nesta época.
– Chegado de Benguela, no vapor Império, encontra-se em Lisboa, o nosso dedicado conterrâneo e patrício, digno sócio da importante firma Oliveira & Oliveira, o ex.mo sr. Alberto Baptista d´Oliveira, e seus queridos filhinhos Fernandinha e José, a quem apetecemos um repouso bem merecido e as maiores prosperidades. – (E)
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CUMIADA, 19
Faleceu, ontem, no lugar de Vaquinhas Cimeiras desta freguesia o sr. Joaquim Nunes, de 53 anos de idade, que era casado com a sr.ª Beatriz Sousa, e que deixa 7 filhos menores, e 8 dias antes tinha sido sepultada a sogra deste, que foi natural de Cardiga Cimeira, esta com 83 anos de idade, e que este talvez que não imaginasse, ao acompanhar a sogra no seu funeral, que tão breve lhe iria fazer companhia no cemitério. Apresentamos à família enlutada os nossos sentimentos.
– A chuva que tanta falta estava a fazer, de ontem para hoje começou a cair com abundância, pois que os lavradores desta freguesia já tinham a sementeira das batatas de sequeiro quase todas feitas, mesmo com as terras secas, e também uma grande parte do milho de sequeiro.
– Está a lavrar com grande intensidade, nesta freguesia, a epidemia da gripe, pois que se encontram algumas pessoas na cama por essa causa.
– quando será que vemos começar a estrada, ao menos até à sede desta freguesia, pelo menos o dinheiro para pagar a remodelação do projecto já saiu (3.750$00) para a construção da estrada parece não haver influência; e o edifício para a escola, há tanto tempo prometido e não há maneira de vermos o seu princípio; pede-se providências a quem de direito. – C.
Pra a construção das bancadas da nossa Igreja Matriz, o sr. Major Jerónimo Tasse de Figueiredo oferece um pinheiro e o nosso director, outro
Santarém, 15/3/953.
Meu caro Eduardo
As tuas melhoras é o que sinceramente te desejo.
Na «Comarca da Sertã» de 10 do corrente, no artigo – Pedimos licença para lembrar ao Ver. Vigário da Sertã… – lança-se uma ideia que me parece interessante e á qual dou a minha adesão informando que ponho à disposição do Ver. Senhor um pinheiro, que poderá ser o primeiro, para a construção de alguma bancada ou parte destinada ao corpo central da Igreja Matriz.
Estou convencido, no entanto, que quando esta receberes, certamente já haverá oferta de várias dezenas de pinheiros para o mesmo fim.
Na altura em que o pinheiro for preciso, basta que me mandes dizer com uns dias de antecedência para o mandar cortar ou se for preferível, e assim acharem bem, ele será abatido na altura indicada para o corte destas árvores e depois ficará aguardando o seu transporte que não poderá ser feito por mim visto não dispor de qualquer meio de transporte aí na Sertã.
Certamente, que os proprietários que dispõem de meios de transporte, estarão dispostos a fazer de graça os mesmos visto ser para melhoramento que interessa à Sertã, abestraindo mesmo, as ideias religiosas de cada um.
Está na ordem do dia o progresso e os melhoramentos da Sertã e todos, que laços de família, de gratidão e porque não dizê-lo de interesse a esta terra estão ligados, não serão de mais para a elevarmos ao nível a que tem legítimo direito.
Um abraço do amigo velho
Jeronymo
P.S. – Se passando um período de tempo que julgarem por conveniente ainda faltar algum pinheiro, manda dizer, pois a obra não pode ficar incompleta por esse motivo.
Lembro que quem oferece o pinheiro é minha Mãe.
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O nosso director oferece um pinheiro para o mesmo fim, ficando o transporte à conta da igreja.
PROPRIEDADE
Quinta ao Ribeiro Travesso – a 700 metros da vila de Figueiró dos Vinhos, com três grandes lameiros, 40 oliveiras, árvores de fruto e vinha, VENDE-SE.
Dirigir a António Paiva=Figueiró dos Vinhos.
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Malhas
à mão confecionam-se. Aqui se diz.




