A Comarca da Sertã nº376 29-01-1944


A COMARCA DA SERTÃ

ANO VIII    N.º 376                     29 JANEIRO 1944

 

FUNDADORES

— Dr. José Carlos Ehrhardt –  Dr. Ângelo Henriques Vidigal – Antônio Barata e Silva – Dr. José Barata Corrêa e Silva – Eduardo Barata da Silva Corrêa

DIRECTOR, EDITOR E PROPRIETÁRIO
Eduardo Barata da Silva Correia

REDAÇÂO E ADMINISTRAÇÃO “RUA SERPA: PINTO – SERTÃ E PUBLICA-SE AOS SABADOS

| Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Ribeira de Pera, Limitada :  Castanheira Pera Telefo e 16

 

hebdomadário regionalista independente, defensor dos Interesses da comarca da Sertã : concelhos de Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova & Vila de Rei; e freguesias de Amêndoa e Cardigos (do concelho de Mação) —

 

Notas…

«MINHA Irmã…. Quere ter a bondade de correr essa cortina ?

— Há de entrar o sol.

—Deixe que entre o sol, minha irmã! Sejamos nós, ao menos, amigos do sol, já que anda tanta gente no mundo empenhada em espalhar a treva.

A Irmã enfermeira correu 0 espésso cortinado. A luz entrou a jorros, envolveu no seu afago a cama do doente, espanejou ao longo do pavimento, risonha é contente de ter entrado.

Quási sumultâneamente, aquelas duas personagens interrogaram-se de maneira igual, embora com intenção oposta:

— Eu não dizia?

A Irmã enfermeira queria ate significar que a luz iria incomodar o doente: mas este era da opinião que ela espalharia a alegria e a saúde. Apesar desta divergência de opiniões, eram ambos de idade avançada,

O enférmo deu-se a reparar no vestuário da religiosa, na sua tez macerada por jejuns e vigilias, no seu olhar apagado pelas desilusões. Nesse exame ia descortinando detalhes incompatíveis com o brilho, o riso, o calor do sol. Era tão somente um simulacro de vida, aquela vida.

Por seu lado, ele estimava o sol, lamentava que existissem a noite, a sombra, labregos esconsos onde se trama emboscadas de ódio e de vingança. Tinha vindo pelo mundo a estudar o mundo, e a concluir que o mal estava na escuridão, na escuridão das coisas, na escuridão dos cérebros, na escuridão dos espíritos. Talvez que a noite alterasse com o dia, para que o mal alternasse com o bem. Tudo em consequnncia da forma esferoide do planeta.»

Ed. Correia de Matos (De «Há quem se esqueça de viver…»)

**********

TEMOS suportado um frio autenticamente glacial, que nos traz transidos, tolhendo nos movimentos quási nos impedindo de tirar do trabalho todo o rendimento necessário.

Mal o Sol se esconde no horisonte, para as bandas do poente, a temperatura desce rápidamente e são raros aquéles que resistem à tentação de ir em busca do fogão ou da lareira, como os gatos sonolentos e arreganhados

 

A cultura ética da Escola Primária

11

Por Silvestre de Figueredo, Director do Distrito Escolar de Castelo Branco

Para a cultura ética é insuficiente a razão

 QUADRO social de nossos dias  é eloquente desmentido do poder intelectualista da formação do carácter. Descartes não afirmaria hoje, ante a dolorosa lição da experiência, que basta julgar bem para bem proceder. Conhecimento e posse do Bem são fases distintas da vida anímica, com a mesma diferença de valores atribuídos ao sonhador e ao homem de acção.

No grupo dos Vencidos da Vida contam-se muitos a quem não faltaram fartos recursos de saber para facilidades dum melhor destino, com proveito próprio e dos seus semelhantes. Não resultou sua desgraça da míngua, mas do excesso de conhecimentos científicos sem os cuidados necessários para a consecução do poder e prática do dever, que completam a trilogia que Tristão de Ataíde nos aponta como finalidade da nossa obra educativa. Faltam-lhes, pois, a têmpera da alma, a virtude, que é fôrça, energia renovadora de estados, sobreposição do homem a si mesmo, autodomínio e, em grau superior, santificação. ‘ Não se educaram, intelectualizaram-se; 0 até podiamos dizer à sua maneira, civilizaram-se. Esta acção, segundo as preocupações e góstos materialistas da época, abrango apenas o domínio intelectual e étnico para utilização da natureza, com exclusão das fôrcas vitais do espirito. Encheram o cérebro, deixando vazio o coração e fraca a vontade.

A instrução intelectual afirma Foerster na Instrução ética da Juventude–traz consigo a ausência do espírito e o afastamento da vida concreta e não permite, pela obsorpção noutro sentido, o exercício dos centros motores que, por isso, se vão debilitando. Não é senão a confirmação do conceito longínquo de Aristóteles de que o homem que se cultiva apenas intelectualmente degenera num ser tanto mais selvagem e desordenado quanto mais culto, o que Gustavo le Bon corroborou quando escreveu que os povos nunca ganharam muito pensando é racionando em demasia.

Faltam hoje à razão endeu ada nos últimos séculos, desde a Renascença, para a defesa do superior primado que tem usufruído, presuasivos testemunhos, e o trono de glória a que subiu oscila sob a pressão da miséria social que os seus desregramentos provocaram. A escola não pode deixar de reconhecer, com vista à restauração dos valores morais da nossa rica tradição que as preocupações enciclopédicas são inadequadas aos verdadeiros juízos educativos e em desharmonia com as normas legais em vigor. Para a cultura ética é insuficiente a
razão.

E necessário cultivar 0 sentimento

     Contra a opinão de Descartes, similar da que se contém nas ideas-fôrças de Foullée, a atitude insuspeita de Spencer de que são os sentimentos que governam o mundo, constituem a fôrça estimuladora que soberanamente determina a acção. As imagens, ideias e juízos, mesmo os mais claros, precisam, para se converterem em acto, do calor propulsor do coração. O amor de Deus, da Pátria, da Família, do próximo e o sentimento de honra é que dinamizam a vontade e são a principal origem de tudo o que é mais belo e proveitoso se desfruta no homem, na natureza e acima dela.

Sofre a fragilidade duma mulher o isolamento do sertão e afronta, de ânimo forte, os bramidos das feras ou da borrasca, porque nela vive o amor do próximo, que é o gentio a catequizar, a humanizar e santificar. Arrasta-se por entre as sombras da noite, o soldado sujo de lama e sangue, porque o incita o amor da terra é dos seus. Lidam em esgotantes canseiras, em luta pela vida às vezes a mais cruciante, o pai e o filho, o espôso, a mãe e o irmão, porque os anima o internecimento familiar. Onde o amor não reina, o sacrifício não frutifica, e nem a vida
do homem nem da sociedade, para serem ordenadas e felizes, podem prescindir da abnegação, como desta são geralmente filhas as grandes realizações. Fazer brotar o amor, rebustecê-lo, orientá-lo sem desfalecimentos nem exagêros piegas, nisto consiste a parte mais nobre da tarefa que nos incumbe, essencialmente formativa, A escola não pode esquecê-lo até no interêsse particular do próprio mestre a sofrer, no seu trabalho, os eleitos nefastos da secura das almas que o suão do materialismo provocou.

A copiosa e perene fonte do sentimento

     Considere-se, agora, que nenhum manancial oferece mais e melhores eflúvios sentimentais do que a Igreja. A” deminuição da Sua influência se deve atribuir a grave crise que nos tortura, originada pela dureza de sensibilidade e edoismo dos individios. povos e raças que perderam, pelo afastamento do catolicismo, a humanidade consciente ante o poder de Deus, o único verdadeiro sentido do amor universal, os meios psicológi-

(Conclui na 4ª página)

… a lápis

que se enroscam ao encontrar o ambiente de calor favorito,…
Durante a noite e pela madrugada o frio é áspero e cortante, como lâmina fina de navalha. A geada cobre telhados e campos, formando como que véus, puríssimos, imaculados, de noivas… mostrando um dos mil encantos da Natureza.

Este frio insuportável, que nos da, porventura, a sensação nítida de vivermos nas regiões polares, só poderá, desaparecer com a chuva, a melhor amenizadora dos climas.

**********

     A BIBLIOTECA dos présos da cadeia civil da comarca vai ser uma feliz realidade porque nessa obra de regeneração e educação estão empenhadas duas pessoas de elevada posição social no meio: o sr, dr. Delegado de Procurador da República e o Prior da freguesia, Rev. Padre Eduardo Filipe Fernandes.

Já se receberam alguns livros: isto quere dizer que a ideia foi acolhida com simpatia por quem tem o prazer intimo de contribuir para o bem do semelhante, sobretudo daquele que resvalou para o pélago da ignominia e donde não será difícil fugir se encontrar o farol luminoso a guiá-lo a porto de salvamento, para o caminho da virtude e da honra.

Outra louvável ideia do digno Magistrado da nossa comarca é conseguir que os prêsos de algumas letras ensinem os que nada sabem; deste modo, aceitará, também, gostosamente, a oferta de livros de estudo de todas as classes e que abranjam o programa completo.

***********

      A POUCO e pouco, as Misericórdias do Pais vão organizando os cortejos de oferendas, destinadas a colher, nas respectivas freguesias, tudo o que pode contribuir para o desafôgo económico das admiráveis instituições de caridade, especialmente destinadas à protecção e tratamento dos pobres na velhice é na doença.

    E toda a gente dá, de boa vontade, tudo aquilo, pouco ou muito, de que pode dispor para acudir a tantos desgraçados que se debatem na mais negra miséria, muitos dos quais, constituin-

(Continua na 4ª pagina)


A Comarca da Sertã


 

A Comarca da Seria.

Obras de grande valor que as pessoas letradas
“de Sernache do Bomjardim e de tôódaa vasta
região que a circunda devem adquirir e
conhecer :

Antiguidades, Famílias, varões ilustres de Ser
nache do Bomjardim c seus contôrnos

em 2 grossos volumes, por Cândido da Silva Teixeira, investigador paciente e
robo, que honrou a sua aldeia natal e a região com uma obra incomparável
Entre os numerosos capitulos contam-se: «A região Sernachense»», «Efemérides
Históricas da mesma região», «A Vila da Sertã e o seu termo»», «Vilas e conce-
lhos de Alvaiázere, Álvaro, Amêndoa, Cardigos, Figueiró dos Vinhos, Oleiros,

: – Pedrógão Grande, Proença-a-Nova é Vila de Rei, etc.»

sernache do Bomjardima

«Um passado “conhecido representa a melhor garantia de um futuro
consciente». — Manuel de Sousa Pinto — (Palavras de abertura das «Explicações
prévias»). :

Outro belo volume de 400 páginas, do mesmo autor, recheado de precio-
sos traços monográficos e descrições históricas e muitas gravuras. Está esgotado.

2 obras que valorizam, por si só, uma biblioteca patrícia.

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Teixeira. — LISBOA — Armando C. Teixeira, R. Carvalho Araújo, nº 174-A—
SERTA—Na Redacção de «A Comarca da Sertã».

 

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(Recorte esta Tabela para referência futura)

Horas Estações Ondas Est. Ond. Est. Ond. Est. Ondas
Cota WETS 490 WR | 384 WKL] 39,7 WBOS 48,9
Odo WARUS 40,0 WKLJ 39,7 WBOS 48,9

Cgus s WKLJ 30,8 WBOS 25,3
245 WRUA 269 WRUS 19,8 WRUW25,6 WGEO 19,6
513,45 WRUA 26,9 WRUS 19,8 WRUW 16.9 WRUL 19,5
o Mjdo WRUA 26,9 WRUS 19, : e
o 18,90 WRUA 1269 WRUS 19,8 WGEA 25,3 E
na o A 26,0 WRUS 10,9 MOEO 31,5 WKEI 30,8
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– por intermédio da B. B. C. das 18,45 às 19.

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Pedrógão Pequeno —A’s 4.º, 6.º e Sábados
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Ex. Público: que em 15 de Julhô de 794) começaram à mi
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| dos Vinhos-Coimbra:

A’s Têrças, Quintas e Sábados

Coimbra-Figueiró dos Vinhos
Sertaãa-Castelo Branco:

A’s Segundas, Quartas e Sextas
Sertãa-Coimbra — A’s 3;º e dias 23 (ida e
e volta) nêstes dias.
Serta-Castelo Branco—Aos Sábados
Castelo Branco-Sertãa— A” 2.º-Feiras

 

“Esta Companhia pede ao Ex.”º Público o favor de se fazer acompanhar de um nú-
mero de volumes o menór possível, pela dificuldade em adquirirgpneus.

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primária e admissão ao liceu.

Preparação para os exames de
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cial e de aritmética comercial.
Explicação de tôda a matéria
do 1.º e 2.º anos do liceu.

Nesta redacção se diz.

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A Comarca da Sertã


Brinquedo 

Tenho na minha mão esta esfera de lata,
Este globo terráqueo untado de verniz.

A terra e a água, em linha e côr, tudo relata,
Em letras rubras. quantos nomes diz !

A proporção devida, a forma exacta,

Vê-se um palmo adiante do nariz…

Linhas de lado a lado, e de alto a baixo

                                                   (coisa abstracta),

Deus não as fez, o homem é que quis.
Como na estampa antiga dalgum príncipe

autocrata.

Guardo o mundo na mão: não sei se sou

CABRAL do NASCIMENTO.

 

 

 

Um passeio
a Se rfa

IA 1.º de Dezembro. Feria-
, do. Um dia alegre, festi-
vo, todo inundado de Sol e de
absoluamente primaveril.
Os seres e as coisas ganham

“uma outra vida, perspectivas no-

vas € sorridentes, pujantes, ála-
cres, e até os próprios galhos
ressequidos das árvores que já
se começaram a desnudar, se
erguem para o céu azul numa
expressão serena, onde parece
nem perpassar a tristeza ingen-

«te do Quiono. “4

Partimos de Pedrógão. Gran-
de é vamos e vamos transpondo
a via sinuosa e íngreme do fa-
moso Cabril do Zêzere, agora
já de águas velumosas e mais
ressoantes, através dum cenário
maravilhoso, apocalíptico, onde
paira o mistério da grandiosi-
dade, a magnificência da Natu-
reza caprichosa e exuberante
com o seu quê de belo e simul-
tâneamente horrível.

Estruge o Zêzere por sobas
arcarias da velha ponte filipina,
traduzindo a linguagem eloqu-
ente daquêles fraguedos gigan-
tescos e das ribas altaneiras,
numa melopeia onde vibra a
cada instante, ininterruptamen-
te, a voz profunda da Natureza
e das suas arcanas maravilhas.
Vamos em demanda da Sertã,
essa terra que a maior parte de
nós ainda desconhece, ainda
não visitou. Passamos já a riso-
nha vila de Pedrógão Pequeno

“e as nossas máquinas deslizam

velozmente pela estrada fora,
tão velozmente que mal temos
tempo de apreciar o panorama»
grandioso, soberbo, que pródi-
camente sesvai deparando ante
nossos olhos encantados. Avis-
tamos distintamente Pedrógão
Grande e Figueiró dos Vinhos,
emoldurados no fundo verde-
negro da ramaria dos pinhei-
rais distantes, que a corcova
azulina das serranias, ainda mais
longínquas, sobrepuja e domi-
na. Para trás, bem proeminen-
te, lá está a ermida de Nossa
Senhora da Confiança, visivel
de todos os pontos e lugares,
sentinela vigilante branquejan-
do e espargindo por sôbre os
cumes dos montes e até aos con-
trafortes das serras da Estrela e
da Lousã a graça serena duma
radiação divina e impregnada
de superior beleza.

Amieira, Ramalhos, Póvoa
da Ribeira Cerdeira, hortas e
casais hospitaleiros fumegando
à beira da estrada, ranthos ale-
gres da apanha da azeitona, tu-
do vamos passando na vertigem

(De «Cancioneiro»–Edições Gama-—Lisboa)

Á VENDA NESTA REDAÇÃO.

SER

aliciente dos nossos velocipe-
EE cada vez mais próximos do
nosso fim e objectivo, a Sertã.
Chegamos e já nos achamos
envolvidos, seduzidos, pelo am-
biente da formosa vila. Há ver-
dadeira poesia no marulhar das
suas ribeiras e na nota colorida
da roupa branca, secando ao
Sol, por sôbre a relva da pla-
nura que ante nossos olhos se
estende verdejante e fértil; há
graça na suave ondulação dos
seus outeiros; há um ambiente
e uma vida própria, natural,
que nos subjuga, que nos faz
esquecer quási a nossa qualida-
de de forasteiros.
Depois do almôço, subimos
à parte alta da vila e, por feli-
cidade, apresenta-se-nos como
cicerone o Sr. Eduardo Barata,
director de «A Comarca da Ser-
tã» e um grande paladino e apai-
xonado das belezas e progres-
so desta região. É com êste ex-
celente guia que visitamos o
sumptuoso Grémio com a sua

biblioteca, museu, teatro e tô-

das as dependências; a corpo-
ração dos Bombeiros; o impo-
nente edifício da Câmara Muni-
cipal, o Hospital e o Castelo e
tudo o mais quanto era digno
de ver-se. O nosso amável ci-
cerone não esquece um único
pormenor, elucida-nos, chama
a nossa atenção, contagia-nos
com a sua fé, com o seu entu-
siasmo.

Do. alto, numa espécie de
deslumbramento panteista, te-
mos uma visão panorâmica des-
ta região verdadeiramente pre-
vilegiada, bem sulcada de estra-
das, autênticas veias do Pro-
gresso, envolta num oceano de
ramarias e num mar de verdu-
ras a que se juntam, subtis, os
murmúrios das ribeiras pratea-
das pelo Sol.

‘O director de «A Comarca
da Sertã» não nos deixa partir
sem que provemos e bebamos
um excelente vinho que nos
manda apresentar.

Não podia ter sido melhor o
acolhimento que nos foi dis-

. pensado. 5

Agora o Sol desaparecia lá
já para as bandas do poente e
a paz do crepúsculo vinha des-
cendo lentamente e envolvendo-
nos. Sentimos com tristeza a
partida.

O búzio dum dos os
da azeitona, que recolhe, depois

de mais um dia de alegre e san-.

ta labuta, ecoou, enchendo com
seu som característico, pitores-
core oriojnal as nuas as casas
e o próprio ar que respiramos.

—Cada terra com o seu uso
e cada roca com seu fuso. —diz
o Sr. Eduardo Barata que, com
seu filho, ainda nós acompanha
até fora de portas.

Despedimo-nos.
cordação saúdosa, inolvidável e

E uma re-,

Curiosidades históricas
do concelho da Sertã

a imquisIção

TRIBUNAL da Inquisição,

pedido por El-Rei D. Ma-
nuel | ao Sumo Pontífice, só
foi-autorizado, depois de gran-
des dificuldades, em 1532 .€ co-
meçou a funcionar em 1536.

A sede era em Lisboa e as
sucursais no. Porto, Coimbra,
Evora, Lamego e Tomar. Os in-
quisidores pouco molestaram os
habitantes do Concelho da Ser-
tã; porque sendo crentes, mora-
lizados, sem descendência de ju-
deus convertidos à fôrça ou por
interêsse material, não havia
motivo para denúncia. No en-
tanto, logo em 3 de Janeiro de
1538 foi denunciado à Inquisi-
ção Catarina Fernandes, do Pe-
drógão Pequeno, mulher de Si-
mão Lopes, cristão novo, a qual
era acusada de guardar os sá-
bados: e praticar a religião ju-
daica.

Em 1584, do Tribunal do
Santo Ofício de Lisboa, foi jul-
gado Jerónimo Simão, da Serta,
por dizer herezias, ao qual foi
aplicada a pena de simples ab-
juração.

Em 1587,o0 Visitador do San-
to Ofício, António Dias Gardo-
so, percorreu o Priorado do
Crato, onde, parece, não encon-
trou motivo para procedimento,
visto que nenhum morador foi
presente aos autos de fé nesse
ano.

Mais tarde, em 1709, Joseph
Rodrigues, natural de Mantei-
gas, tintureiro, descendente de
judeus, morava em Carnapete,
da freguesia da Sertã, quando
foi acusado de blastêmias e de
pacto presumido com o demó-
nio, pelo que toi condenado a

açoutes e 5 anos de galés (auto
de fé de 10 de Março do referi-

do ano) e novamente julgado
em 1717 por blastêmias e por
ter quebrado o cárcere.

Em 25 de Julho de 1728 Ma-.
ria da, Trindade, natural da Ser-

ta, casada com Estêvão Rodri-
gues, tambor do Regimento de
Castelo de Vide, onde mora-
vam, sofreu a condenação de
dois anos de destêrro para fora
do concelho referido, por moti-
vo de fazer curas supersticio-
sas e ter pacto com o demónio.

António de Faria, lavrador,
natural e morador na Várzea
dos Cavaleiros, acusado tam-
bém de fazer curas superstício-

sas e ter pacto com o demónio,

a quem reconhecia a adoração
por Deus, fot condenado a cár-
cere e habito perpétuo, carocha
com rótulo de feiíiceiro, açou-
tes, três anos para as galés e a
não entrar mais na freguesia.’

Entre as vitimas da Inquisi-
ção, naturais ou moradores no
Concelho da Sertã, apenas apu-
rei as que acima ficam ‘descri-
tas, sendo. provável que haja
mais algumas.

As vilas de Oleiros, Proen-
ca-a-Nova e Vila de Rei deram
também fracos contingentes pa-
ra o bárbaro e vergonhoso tri-
bunal, ao contrário de outras
do nosso Distrito, como a Co-
vilhã e Fundão, donde eram na-
turais muitos milhares de réus.
Ás vilas de Monforte, Monsan-
to, Idanha-a-Nova e Castelo
Branco também pertenciam mui-
tas centenas de acusados.

P: António Lourenço Farinha
(De «A Sertãe o seu Concelho»)

 

grata, acompanhou- -nos’ “durante
todo o regresso.

Duas vezes memorável êste
dia 1.º de Dezembro de 1943.

Pedrógão Grande,
4-12-043,

EDUARDO GARRIDO

A MARGEM

fe

 

DA GUERRA.

Os barcos silados aproximam-se da praia italiana de Salerno

para descarregar as cargas que constam do en ip ane nigs
e tropas do 5.º Exército.

 

 

 

Associação dos Bombeiros
Voluntários da Sertã

Continuamos a publicar hoje a lista das pessoas

que Rana O ao apêlo desta associação
para a compra dum Auto-Maca des-
tinado ao seu corpo de bombeiros:

José Pires Rezendo,
gos Roque Laia,

20800; Francisco Pedro,
20800; António Fernandes, 20800; Aurélio Antu-

Transporte Esc. 697850
20800; Domini-

nes Barata, 20800: Augusto Dias Lourenço, 10800; Ezequiel Lopes
Ribeiro, 50800; José Caetano M. Leitão, 50800; Padre António. per
nandes, 20800; Capitão José Lourenço, 50800; José Gonçalves Ri- |
beiro, 20800; José Martins, 20800; António. Cristóvão Pires, 1008.
josé de Oliveira, 50800; D. Júlia Martins Lopes, 50800; Joaquim
dos Santos, Ioos0o e D. Guilhermina Portugal Dutão, 100800.

A transportar Soma 1417850.

 

 

 

o Brasão
de Pedrógão
Pequeno

A título, de curiosidade repro-
duzimos’ aqui a lenda em que se
baseia o brasão de Pedrógão Pe-
queno, estreitamente ligado ao de
Pedrógão Grande, segundo uma
nota contida num opúsculo mo-
nográfico editado pela Casa de
Pedrógão Grande em Lisboa.

«Em Coimbra, ou Colimbri-

ga, reinava, em tempos remotos,
o-rei Arunce, cuja filha, de nome
Antígone Peralta, tendo vindo,
um dia, de passeio, com nume-
roso séquito, ao sitio de Pedró-
gão (Pedrógão Grande), aqui fi-
cara, alguns dias, enamscrada dos
encantos da terra.

atraiu, de diversos pontos das re-
dondezas, numerosos mancebos,
entre os quais uns, chamados Pe-
trónios, ansiosos de contempla-

“rem e renderem preito à régia

beldade. Acenderam-se, porém,
nos corações dos admiradores de
Antigone, ciúmes tamanhos, que
não “tardou a estabelecer-se, en-
tre todos, uma verdadeira bata-
lha, a qual terminou pela vitória
dos Petrônios grandes, assim
chamados os que habitavam na

margem direita do Zêzere, sôbre
os Petrónios pequenos, os da
margém esquerda. Para premiar
o valor dos vencedores, a prince-
sa concedeu a Pedrógão Grande
um brasão, constituido por uma
águia, fitando, arrogantemente, o
sol, no meio de dois penedos,
por entre os quais corre o rio Zé-
zere e tendo, na orla do escudo,

“esta inscrição:

«As armas de Pedrógão Gran-
de diferenciam-se das de Pedró-
gão Pequeno, em que, nas des
ultima povoação, a águia, que
nos brasões de ambas figura, não
contempla o astro-rei».

A fama da
peregrina formosura da princesa

Géneros. ne
* de consumo

A pa não pode. ser expor-
tada do nosso concelho sem que
o expedidor se muna, previamen-
te, da competente guia, que de-
verá ser passada pelo (Grémio da
Lavoura.

—Na 5.º feira da pretérita se-
mana não foi distribuido milho
colonial aos habituais consumido-
res por se ter. esgotado o último
loteçr

— Os produtores de azeite da
região encontram-se seriamente
embaraçados por não saberem
que destino hão-de dar ao azeite
que não podem guardar, pois que
só os-ar mazenistas estão autori-
zados a adquirir-jo e êstes, por
sua vez, já atingiram, por agora,
o limite de capacidade de com-
pra em virtude de não, possuírem
mais vazilhame.

Talvez o caso tivesse uma so-
lução conveniente autorizando os
retalhistas a adquirir o excesso
de azeite aos produtores, pelo
menos até os armazenistas fica-
rem com os armazens descon-
gestionados.

Consta-nos que o Grémio da
Lavoura vai solicitar providên-
cias imediatas, esclarecendo: às
entidades superiores quanto à si-
tuação complicada de muitos la-
vradores por falta de vazilhame,

sempre Pre noneneato

Funcionalismo
Municipal

Prestou provas para o con-
curso de escriturário de 3.º clas-
se do quadro privativo da Secre-
tária da Câmara Municipal dêste
concelho, no dia 10,0 sr. Jorge
Barbosa Ferreira Vidigal, único
concorrente ao lugar, que obteve
aprovação e foi nomeado na ses-
são ordinária do mesmo dia.