A Comarca da Sertã nº891 15-03-1953
A Comarca da Sertã
Representante em Lisboa:
João Antunes Gaspar
L. de S. Domingos 13-1.º Tel. 23393
Director Editor e Proprietário
Eduardo Barata da Silva Corrêa
Publica-se nos dias 5, 10, 15, 20, 25 e 30
Sertã, 15 de Março de 1953
Periódico regionalista, independente, defensor dos interesses da Comarca da Sertã: Concelhos da Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila do Rei
(Visado pela Comissão de Censura)
Ano XVII — Redacção e administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ — N.º 891
MISSA DE SUFRÁGIO
António Barata e Silva
Por alma do ilustre cidadão, que foi amigo devotadíssimo desta terra e um dos maiores colaboradores e amigos da «Comarca da Sertã», mandamos celebrar missa no próximo dia 20, pelas 8,30 horas, na igreja matriz, agradecendo, desde já, a comparência de todas as pessoas que se dignem assistir ao piedoso acto.
Para evidenciar os méritos do extinto, desejamos publicar hoje algumas expressões de sentimento e admiração que chegaram até ao nosso director e seu sobrinho por ocasião do falecimento:
«António I. Victorino da Silva Coelho dá a V. sinceros pêsames pelo falecimento de seu ilustre tio, grande e sensato cidadão da Sertã».
«José Maria Bravo Serra sentidas condolências pelo falecimento do ilustre cidadão que foi António Barata e Silva e ilustre colaborador do seu bem elaborado jornal».
«Sr. Eduardo Barata — Meu bom amigo: Foi com profunda emoção que vi a notícia da triste ocorrência do falecimento do amigo tão estimado, desde tempos remotos, sempre bem lembrado com saudade. Abraço-vos, meu caro Eduardo, neste dolorosíssimo transe, querendo com este abraço cingir toda a família do saudoso extinto. O amigo grato — Cano, 15/12/52 — Tomaz Florentino Namorado».
Na Sertã vai ser instalada uma
Escola de Resinagem?
À reunião da Câmara Municipal, de 12 de Fevereiro, foi novamente presente um ofício, de que já se tomara conhecimento na reunião de 20 de Janeiro, da Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas acerca da instalação de uma Escola de Resinagem na Beira Baixa, tendo-se deliberado, depois de estudar convenientemente o assunto, informar que a referida Escola poderá ser instalada nesta Vila, onde serão fornecidos os respectivos alojamentos.
NOTA OFICIOSA
EM PROL DA VERDADE
(Contra a falsidade, incoerência, ingratidão, indecoro e dizer-se: inveja)
Tendo aparecido ultimamente no periódico «A Comarca da Sertã» uns artigos tendenciosos assinados por Dr. Flávio dos Reis e Moura, ex-presidente do Corpo Administrativo que agora ataca, e que pediu a sua exoneração em circunstâncias bastante críticas e, no geral, de sobra conhecidas, a actual Câmara julga seu dever responder ao articulista só com a verdade e dar ao público uma explicação.
A actual Câmara nunca usou da faculdade que lhe é conferida por certa deliberação, mal aceite, afinal, por quem, discricionariamente e «a priori», a fez executar, como se ela já existisse… Porém, a usá-la, se necessário fosse, apenas aproveitaria um direito conferido. Assim não aconteceu até.
Esta entidade, embora modesta nos seus componentes, tem sido bastante escrupulosa nas suas deliberações e, com a recta intenção de bem servir, vai fazendo o possível por defender os interesses públicos, conciliando-os, quando justo, com os particulares. Contra factos não há argumentos.
Esta entidade tem concedido a quem quer que seja, que, com boa intenção o pretenda, a faculdade de tomar conhecimento dos seus actos. Procedendo desta forma, sem alardear e sem publicações espaventosas, sem pavoneios e despida de jactâncias, dando facilidades a todos, a todo o Concelho vai inteirando, também, da fiel realidade da sua actuação. Realidade palpável é todo o interesse que tem posto na aprovação do plano de urbanização da vila da Sertã e que, pela crítica feita pelo Sr. Dr. Flávio e Moura, se conclui, e felizmente que assim é, ser a única razão de tudo quanto o articulista entendeu poder dizer, até com manifesto desrespeito pela sua categoria social e mínimo de educação devida à pessoa do seu semelhante.
(Conclui na 4.ª pág.)
Primeiro, o Plano de Urbanização…
(Continuação)
Vimos no artigo anterior quanto pode ser maléfica para o progresso da Vila de Sertã a demora na aprovação o mais urgente possível do plano de urbanização, no que concerne à obtenção de terrenos disponíveis para a construção de casas, e como pode acarretar sérios dissabores a persistência no sistema de autorizar a mesma construção a título precário.
Vejamos agora o que vem a passar-se em torno da edificação do mercado coberto destinado a servir esta Vila, em substituição do recinto onde ele se realiza há inúmeros anos, contra todas as indicações mas em obediência a um verdadeiro estado de necessidade, que, evidentemente, não pode eternizar-se, em nome dos mais elementares princípios da saúde pública.
Para tanto comecemos pela deliberação há semanas tomada pela Câmara, no sentido de ser posto em hasta pública o direito de cortar as árvores situadas na Praça da República, na vertente do Adro da Igreja que deita para a Rua do Vale de São Pedro (como é mais conhecida a Rua Manuel Joaquim Nunes) e algumas das que bordejam a estrada municipal que conduz ao cemitério.
Essa deliberação, consoante se destacou já neste periódico, foi profundamente infeliz e mereceu geral reprovação, exceptuadas da generalidade certamente as individualidades que a decidiram e mais umas quantas pessoas que lhes ficam cerca, não tanto porque se não reconhecesse que a maioria delas se encontravam decrépitas e ofereciam aspecto pouco atraente, mas sobretudo porque com a prática do acto dir-se-ia que se pretendeu compensar a sede do concelho do prejuízo resultante da perda da oportunidade de construir ou, pelo menos, começar a construir ainda este ano o mercado coberto, acenando-se com a encenação da imediata plantação de árvores novas em troca das sacrificadas para encobrir um mal maior.
Pois contra a norma verificada habitualmente, de se pronunciar sem grandes pressas relativamente a qualquer assunto que representa ou se pode traduzir em real utilidade para o concelho ou para o município, desta feita a Câmara passou da deliberação à execução com um desembaraço verdadeiramente singular e meteu mãos à obra com uma presteza nela inusual.
(Conclui na 3.ª pág.)
Os teus olhos e a Lua
Quantas vezes vem a Lua
As noites clarear,
No entanto ela míngua
Se cá vem o teu olhar.
A Lua chora a desdita
De luar não ter aos molhos,
E é vê-los à compita,
Vencendo sempre, os teus olhos.
Que me perdoe o luar,
É também o teu olhar,
Tão fraca comparação!…
Merece mais o luar,
Merece mais teu olhar,
Tão simples recordação…
14-2-53
António Manuel R. Vieira
À vei Venturosa
e a Música
Foi mui músico de vontade, tanto que as mais das vezes que estava em despacho, e sempre pela sesta, e depois que se lançava na cama, era com ter música; e assim para esta música de câmara como para sua capela tinha estremados cantores e tangedores, que lhe vinham de todas as partes da Europa, a que fazia grandes partidos e dava ordenados com que se mantinham honradamente, e além disto lhes fazia outras mercês, pelo que tinha uma das melhores capelas de quantos reis e príncipes então viviam.
Todos os domingos e dias santos jantava e ceava com música de charamelas, sacabuxas, cornetas, harpas, tamboris e rabecas, e nas festas principais com atabales e trombetas, que todos enquanto comia tangiam, cada um por seu giro. Além destes tinha músicos mouriscos, que cantavam e tangiam com alaúdes e pandeiros; ao som dos quais, e assim das charamelas, harpas, rabecas e tamboris, dançavam os moços fidalgos durante o jantar e ceia.
O serviço de sua mesa era esplêndido, como a rei pertence. Continuadamente todos os domingos e dias santos, e alguns de festa, enquanto foi casado, dava serão às damas e galantes, em que todos dançavam e bailavam, e ele algumas vezes.
Damião de Gois
Os projectos de obras a comparticipar pelo Estado deverão, de futuro, ser enviados às instâncias superiores por intermédio do Governo Civil do distrito, segundo circular expedida à Câmara Municipal por aquela entidade.
A cerimónia dos Passos realiza-se no próximo dia 20.
A Comarca da Sertã
Associação dos Bombeiros Voluntários da Sertã
Receita e Despesa do ano de 1952
RECEITA
| Quotas dos sócios protectores | Saldo de 1951 | 26.395$77 |
| Juros e rendimentos de capitais | 2.294$500 | |
| Donativos para aquisição de material: | 1.384$40 | |
| Do sr. António Nunes Pedro, de Amioso | 1.000$00 | |
| Do sr. Werther do Vale Santos | 200$00 | |
| De um anónimo, por intermédio do sr. Olímpio Craveiro | 500$00 | |
| Do sr. António Manuel Farinha, do Recife | 200$00 | |
| Do sr. Director do Instituto Voz Sertã, de Cernache do Bonjardim, quota parte do produto do festival desportivo realizado em 20 de Abril | 640$00 | |
| Do sr. Fernando do Vale | 250$00 | |
| Da sr.ª D. Maria dos Anjos da Silva Fernandes | 50$00 | |
| Do Corpo das Festas do Cabeçudo | 100$00 | |
| Do sr. José António Farinha, da Sertã | 400$00 | |
| Produto de festas e espectáculos públicos | 2.890$00 | |
| Gratificações pela condução de doentes e feridos | 3.907$590 | |
| Subsídio da Câmara Municipal | 17.297$960 | |
| Esc. | 1.000$500 | |
| 53.922$67 |
DESPESA
| Transporte de feridos e doentes: despesas corrente com o pessoal das viaturas | | 1.263$50 |
| Aquisição e conservação de material | | 18.348$30 |
| Aquisição e conservação de ferramentas e equipamento | | 7.382$75 |
| Aluguer da sede social | | 360$00 |
| Aluguer de arrecadação | | 420$00 |
| Expediente da Secretaria | | 730$70 |
| Oleo e combustível para os viaturas | | 7.473$20 |
| Quotas de filiação na Liga dos Bombeiros Portugueses | | 130$00 |
| Actos e festas promovidos pelos bombeiros ou neles representados | | 500$00 |
| Aquisição de móveis e utensílios | | 203$50 |
| Conservação e beneficiação de imóveis ocupados pela Associação | | 370$90 |
| Aquisição e conservação de medicamentos | | 502$00 |
| Prémios de seguros dos veículos | | 2.096$80 |
| Saldo para 1953 | | 19.669$32 |
| Esc. | | 53.922$67 |
Sertã, 31 de Dezembro de 1952
A Direcção:
António Lopes
José Augusto Faria
Eduardo Barata da Silva Corrêa
Os Maranhôs da Sertã… e os Azletes de Alvoral… São Bons… Mas o calçado da
Nova Sapataria Brasil,
é mil vezes superior…
É o melhor do Mundo… O mais sólido, mais barato e comis chic…
Se mora em Lisboa, compre o seu calçado na Nova Sapataria Brasil.
Se for a Lisboa, visite a Nova Sapataria Brasil, que é na Rua da Madalena 208-212 — Telef. 30206 — Lisboa.
Empresa de Moagem do Fundão,
LIMITADA
com fábricas de moagem pelos sistemas Austro-Húngaro, de trigo e centeio escopados, e milho, centeio e trigo em rama. Faz trocas de cereais milho e centeio em rama em nossa casa com o desconto de 7%, e para esponda centeio 25%.
O aumento de capital nominal nas sociedades anónimas e por quotas
A folha oficial publicou, pela pasta das Finanças, preceição de um relatório justificativo, a seguinte diploma:
Artigo 1.º — Os aumentos de capitales referidos nos artigos 1.º e 4.º do decreto-lei n.º 33128, de 12 de Outubro de 1943, só poderão efectuar-se quando previamente autorizados pelo ministro das Finanças, nos termos do artigo 3.º do mesmo diploma.
1.º A realização do aumento de capital sem que tenham sido autorizados, nos termos deste artigo, importa para os administradores, directores ou gerentes das sociedades o pagamento de multa de 50.000$00 a 500.000$00.
2.º Além da penalidade estabelecida no parágrafo anterior serão considerados nulos os aumentos de capital efectuados sem precedência de autorização do ministro das Finanças.
Art. 2.º — O imposto sobre a aplicação de capitais, secção B, e a taxa de compensação devidos pela realização dos aumentos de capital serão entregues nos cofres do Estado, na totalidade, até ao fim do mês seguinte ao de efectivação do aumento autorizado. O pagamento destes impostos não pode, no entanto, ultrapassar os noventa dias posteriores ao despacho que concede a autorização. § único. A falta de pagamento dos impostos referidos neste artigo, ou a sua realização fora do prazo estabelecido, é punida com multa igual ao dobro dos impostos devidos.
Art. 3.º — As sociedades que nos últimos cinco anos tenham procedido a elevação do seu capital por incremento de fundos de reserva ou por emissão de acções com reserva de preferência aos accionistas sem prévia autorização do ministro das Finanças deverão requerer-la no prazo de sessenta dias, a contar da publicação do presente diploma, sob pena de esses aumentos serem considerados nulos, nos termos do § 2.º do artigo 1.º do presente diploma, sem que haja lugar à restituição dos impostos pagos.
Art. 4.º — A Direcção-Geral das Contribuições e Impostos participará à Procuradoria-Geral da República a realização dos aumentos de capital em contravenção do estabelecido no presente diploma a fim de serem propostos nos tribunais competentes as acções de anulação de que tratam os §§ 2.º do artigo 1.º e o artigo 3.º deste decreto-lei.
MELHORAMENTOS RURAIS
Este importantíssimo problema, a que se prende o futuro das nossas terras, tem, agora, sido largamente debatido na Assembleia Nacional.
O deputado sr. dr. Manuel Lourenço lembrou que a comparticipação do Estado deverá ser na razão inversa do grau de riqueza dos respectivos beneficiários, pois as Chamadas mais necessitavam de obras e de auxílio do Estado são precisamente as que não têm recursos para suportar a parte que a lei determina na participação dos encargos.
Fez o exame da legislação respeitante à realização ou comparticipação de melhoramentos rurais e de forma como o Governo tem promovido e efectuado essa obra de desenvolvimento económico e social. Notou, em seguida, que o decreto n.º 19502, de 20 de Março de 1931, definiu as realizações consideradas melhoramentos rurais. Mas a limitação constante desse decreto, para efeito de comparticipação, exclui da classificação de melhoramentos rurais muitos atos de utilidade pública que caracterizadamente o são, como os postos de socorros argenteses, clínicas de enfermeiros; o estabelecimento de linhas de comunicação acelerada para fornecer o trânsito de pessoas e de produtos; a constatação de pequenas bibliotecas ao ar livre; a criação de postos de ensino elementar; a possibilidade de teto e cinema ao ar livre, etc. E acrescentou: «Em meu entender, os melhoramentos rurais não podem ficar compartimentados no Ministério das Obras Públicas. Este deverá licenciar com a faculdade de os dotar, planejar materialmente e executar. No Ministério das Corporações competiriam imigrações, levar-lhes vida de espírito, fazê-los crescer e dar o preço do salário».
Considerou muito exigida a verba que normalmente é inscrita no Orçamento Geral do Estado para comparticipação de melhoramentos rurais; e que os povos seriam também com agrado que a verba não lei de melhoramentos incluísse outras modalidades.
Por sua vez, o deputado sr. dr. Galiano Tavares disse: «Se há dificuldade em reforçar verbas, parece ser necessário adoptar outros métodos, que permitam mais equitativa distribuição. Há melhoramentos rurais que agradam há anos à concessão de comparticipação. Há freguesias rurais onde a população se descende em água de poços facilmente comparticipável, e ainda há pouco, numa das freguesias do meu concelho deflagrou com intensidade uma epidemia de febre tifóide, que só não foi gravíssima por ter intervido rapidamente a Delegação de Saúde».
Se o Estado consome recursos da colectividade, significará isso, portanto, uma destruição de riqueza? Não deixará de ser produtivas tais despesas, porque, embora não originem rendimento líquido, são criadoras de utilidade. Numa palavra as grandes cidades devem começar a reutilizar ao campo aquilo que lhes têm tirado.
Câmara Municipal da Sertã
Reunião de 12 de Fevereiro
Compareceram o presidente, dr. António Peixoto Corrêa e os vereadores António da Silva Lourenço e António Coelho Guimarães, faltando, por motivo justificado, os vereadores António Alves Lopes Manso e Lúcio Edmondo Graça.
— Presentei em oficio do governador civil, enviando o título devolutivo, uma exposição datada de 31 de Janeiro último, assinada por uma comissão de habitantes da povoação de Covões, freguesia do Troviscal, que solicita a transferência do mencionado lugar para a freguesia de Pedrógão Pequeno, pedindo para ser informado o Governo Civil do que se lhe oferecer sobre o assunto. Deliberado informar de que está a estudar o assunto, visto lhe ter sido apresentado em exposição igual e que oportunamente transmitirá o que for deliberado.
— Novamente presente o oficio da Direcção de Urbanização do Distrito acerca do projecto e execução da ponte dos Casalões, na estrada municipal entre Cernache do Bonjardim e Vila do Rei, por Fandadeia — lanço da Quinta a Palhais, já presente na reunião de 20 do mês findo. Deliberado encarregar o engenheiro Boaventura Tavares, de Coimbra, de elaborar o competente projecto afim de ser enviado aquela entidade.
— Deliberado, por unanimidade, adjudicar ao João Lopes, da Sertã, trinta árvores, sendo 15 na Praça da República, 12 na encosta do Adro, para o lado da rua do Vale de S. Pedro e 3 na estrada de acesso ao cemitério municipal, todas nesta Vila, a que se refere o edital de 20 do mês findo, pela quantia de 810$00, por ser este o maior lance oferecido na praça realizada no dia 9 do mês em curso.
O debate sobre a amnistia, com o pedido do reintegração dos professores afastados da cátedra universitária, voltou a ocupar diversos deputados na Assembleia Nacional.
O sr. dr. Pinto Barriga declarou: «O sr. dr. Cancel da Abreu religia o seu aviso prévio no sentido de ser revista a aplicação da lei de amnistia 2039, com suas omissões clamorosas, com suas flagrantes contradições, excluindo uns e esquecendo outros, apesar de todos os direitos de uma aplicação bem humanizada que o sr. ministro da Presidência lhe procuira imprimir, dando a mais carinhos consideração aos textos legais e em que foi violentamente secundado pelo sr. dr. Bento Coelho da Rocha, que foi incansável. As formalidades requeridas para a individualização da lei sofreram, pela própria natureza do texto, interpretações diversas, não tiveram nas instâncias superiores, mais nas repartições respectivas, como, por exemplo, exigindo requerimentos onde se poderia supor que haveria uma simples aplicação automática da lei. Uma lei de amnistia deve ter um critério de interpretação iluminado pelos mais largos e generosos ditames da concórdia, ampliando-lhe o espírito magnânimo e reperendo assim manifestas desigualdades que atingem monárquicos e republicanos, ferindo, ainda, portugueses. Os homens que este aviso prévio lista devem ser daqueles de quem dizia Sen lozar: «Eu sei o que valem e castam as convicções sinceras para que não tenha por eles absoluto respeito». São homens que sacrificaram a sua vida por um ideal, que de muitos deles, não é o meu. Ao relembrar o caso dos professores universitários reformados compulsivamente ou demitidos, sobretudo os de Medicina, há que não ignorar o intervendo do ilustre deputado sr. dr. Pimenta Prazado e referir na nossa memória a magnífica oração do sr. deputado Sousa do Câmara. A acção política desses professores, se a tiveram, e demonstramete apagada em relação ao seu valor intelectual e científico são homens de uma cívica abnegação profissional. Não falo como anisticiário, mas como português».
Através da Comarca
Falecimento — Outras notícias
MADEIRA, 10 — No dia 22 do mês findo faleceu nesta aldeia o sr. Edgar Dias Garcia, comerciante, de 62 anos, casado com a sr.ª D. Hilda Maria Garcia, pai da sr.ª D. Armelinda Maria Garcia, irmã dos sr.ª Virgílio Dias Garcia, Isidro Dias Garcia e Horácio Dias Garcia e dos sr.ªs D. Maria da Encarnação Garcia e D. Ermelinda Garcia Cristóvão.
O funeral foi muito concorrido.
A toda a família dirigimos, desoladamente, ao seu amigo sr. Virgílio Dias Garcia, a «Comarca da Sertã» sentidas pêsames.
— Graças com grande intensidade, nesta povoação, e epidemiada de gripe e do sarampo, havendo casos em que se encontram todas as pessoas no leito, além de ser raro radiografadas já o foram à Castedo e Branca algumas crianças.
— A grande estação está a causar grandes prejuízos à agricultura; é de notar que nesta altura do ano há necessitantes que está tudo quase seco… C.
VENDE-SE
Propriedade com casa de habitação, terrenos regadios e sequeiros; árvores de fruto e olival.
Trota António da Silva — Sertã — Cabeçudo.
Cabra leiteira
Com 2 crias, vende José Alves — Cabeçudo.
Malhas
À mão confeccionam-se. Aqui se diz.
A Comarca da Sertã
Primeiro, o Plano
de Urbanização…
(Conclusão da 1.ª página)
desaparecidas, não sabendo os municípios se essa escolha foi feita em obediência às indicações do técnico ouvido na matéria em 1948 e que, oportunamente, apresentado o seu relatório, que deve e não pode deixar de estar arquivado na repartição municipal competente, ou se por mero parecer de algum componente do corpo administrativo em referência.
Seja como for, cre-se que essa escolha não foi acertada no tocante particularmente dos platâneos dispostos na periferia da Praça da República, uma vez que estas árvores passam por ser pouco recomendáveis à convivência dos seus humanos que residem nas imediações dos locais em que se desenvolvem, além de que as suas raízes e bastante extensos raízes costumam danificar tudo o que lhes fica nas cercanias, seja embora edificado à base de pedra e barro.
Mas não é tudo, porquanto considerando a realizar-se o mercado no recinto onde tem lugar usualmente, por o núcleo edilício não levar jeito de vir a ser construído por estes anos mais chegados, bom até de ver que a infiltração dos resíduos de matérias orgânicas, que não são canalizadas para o colector geral por condutas especiais, deve atrasar o normal desenvolvimento dos árvores e pode até matá-las paulatinamente pelo corrósso das raízes.
E quando tudo isto não fosse matéria suficiente para uma deliberação mais cautelosa e ponderada quer enquanto à oportunidade do corte quer relativamente às espécies das árvores a serem plantadas no lugar dos abatidas, havia que não esquecer que no plano de urbanização se prevê a modificação daquele recinto, pelo que uma elementar prudência devia recomendar que se não batisse ali com a semi-cermónia de quem parece julgar-se não ser responsável pelos seus actos perante seja quem for e só agir com a preocupação… de deixar o nome ligado a uma obra, seja ela qual for.
Isto enquanto as árvores que existiram na Praça da República. É o que dizer das que sofreram o golpe de misericórdia encontrando-se na vertente do Rua do Vale de São Pedro, ou margens da estrada municipal que conduz ao cemitério? Porque terão sido sacrificadas umas e outras, sobretudo as ditas más?. . .
Atos e insondáveis segredos da ordenança municipal, uma vez que o argumento invocado, de como estavam necessitadas ou bastante estragadas, não se afigura suficientemente convincente, para aqueles que bem as conheceram e estão lembrados da sua pujança e virilidade!
E, iremos no apreciação da memória pela qual se visa compensar com estes entretenimentos de feição pueril, o caso grave que representa para a Vila de Sertã a perda da oportunidade de se começar a construir no ano em curso o seu mercado coberto.
Desde que o plano de urbanização não esteja aprovado ou total ou parcialmente é incontestável que a Câmara não pode apresentar o competente projecto à base do qual unicamente poderá pedir a comparticipação do Estado pela respectiva Direcção de Serviços, por isso que a elaboração do projecto supõe a escolha prévia do terreno em que será implantado o imóvel, escolha essa de manifesta dificuldade por razões bem sabidas do comum dos munícipes para que se dispense aqui a sua repetição. E sendo assim, porque o é sem dúvida, como se explica que a Câmara tivesse pedido a sua inclusão no plano de obras para o ano em curso?
Só há duas explicações para semelhante aberração: ou o desempenho imperdoável da mecânica dos respectivos desta natureza, ou então propósito de oferecer meras aparências por realidades tangíveis, essas.
Em qualquer dos casos, a consciência que é só uma, e essa bastante amarga para a Sertã — é perder-se e ver uns bons cinco anos a possibilidade de voltar a solicitar a construção do mercado coberto.
Ora cabe-nos a todos o direito de perguntar à Câmara se foi justa, mente isto que ela quis, ou coisa diferente; e neste último hipótese como se há-de compreender a sua distração, que veio tal ferir os interesses desta Vila.
Sim, porque a Câmara nos não vai dizer certo que vai mandar edificar o mercado coberto com a simplicidade com que decidiu desfazer-se de umas quantas árvores e pôr outras em lugar delas, sequer sem ouvir entidades técnicas que tem o dever de consultar, porque é uma questão de elementar cautela, visto não ter o seu trabalho quer técnico, nem se poder presunir ou omnisciente em qualquer dos seus componentes…
E então?
Então temos que a Câmara criou esta desagradável e incómoda situação por virtude de não possuir o força de Ânimo necessária para, por intermédio das instâncias competentes, promover a visita do arquitecto que, contratualmente, tomou o encargo de elaborar o plano de urbanização, modificando o ante-plano as vezes precisas até receber a aprovação superior e de conformidade com as directrizes superiormente propostas ou sugeridas.
Não se diga que o arquitecto não atende aos pedidos que a Câmara lhe tem dirigido instantemente para se deslocar à Sertã, que falte mesmo o compromissos assumidos de comparecer em data certa ou a partir de data a indicar a termo. Não, isso não é admissível, porquanto o arquitecto assinou um contrato com a Câmara, que tem de cumprir, visto como os contratos obrigam as partes que os firmam, consoante é trivial em direito e nem só em direito; e no caso vertente tanto mais facilmente pode ser chamado a cumprir quanto é certo que, para o outorga do mesmo foi ouvida a Direcção Geral dos Serviços de Urbanização.
Assim a Câmara queira realmente que o plano de urbanização onde para diante, mas não… a caminho de cemitério com ou sem as homenagens devidas a quantos se esforçaram por conseguir semelhante desiderato, o trabalho sem a descoberto ou manobressem os cordelinhos por detrás da cortina…
E deste modo concluiremos como princípio estas considerações que foram apenas ditadas pela preocupação de servir a Sertã:
Deem-lhe as voltas que derem, custe que não custa a aceitar que a ordem fatal dos acontecimentos é esta, a única forma de seriar inteligentemente a resolução dos problemas básicos dos quais depende inapelavelmente o progresso da
A Despertar
da Natureza
Vem aí a Primavera! Com ela, a alegria, a vida, o rejuvenescimento da Natureza, bem reflectidos no brilho do sol, no rebentar das árvores e na verdura dos campos. Com ela, todo o seu séquito de encantos, a sua magia ovlivilcente, todo o se poder de fascinação. Agradável, sorridente, perfumada, poética; pintor exímio e de fino gosto na distribuição da sua música que compõe as mais suaves melodias, a Primavera é é mais bela estação do ano.
A temperatura é amena: o frio passou já e o calor está ainda distante. A atmosfera é límpida e até algumas nuvens que ainda sobrevoam se conjugam com o espectáculo da Natureza, tornando-se ténues e claros. Mas, recusando ocultar o beleza que em baixo observam, fogem e deixam ocultos os raios solares. A luz não tem a intensidade incómoda do Verão nem é opaca como no Inverno. Do campo elevam-se suaves e deliciosos perfumes que chegam até nós numa mistura inebriante. Uma brisa acariciadora transporta pelos prados o cântico palpitante das aves, numa música que nos faz vibrar. Até a água é mais cristalina, saltando, cantando, pelos regatos formados com as últimas chuvas. As árvores vestem-se exuberantemente e parecem comporem a apresentação do melhor traje. Uma variedade imensa de flores, semeadas ao acaso, pelos prados e pelos montes, nas charnecas e nas lezírias, deleitam o mais exigente apreciador, seja na observação individual, seja no conjunto panorâmico, matizando das mais variadas cores.
Parece que a Natureza acorda radiante, após um sono profundo em que se refaz de pesadas fadigas. Não admira.
No fim do Verão ela tinha gastas as suas energias na extensoente tarefa de criar os frutos que o Homem lhe exigia. Satisfeito o Homem, orgulhoso reparou para fornecer aos seus elementos novas forças criadoras. Foi o que fez no Inverno. Restabelecida já, acorda sob um lindo sol! Levante-se e retoma o seu labor.
É a Primavera que chega!
No domingo passado dei am passeio pelo campo. Sem sair há bastante tempo da cidade, não supunha que estivesse já tudo tão bonito! Como gosto da beleza natural, vibrei ante a vida que brotava paisantemente da Natureza, voltando depois com o melhor disposição que posso experimentar. Rodeado de uma espessa mata de acácia floridas, Invadida-me o desejo de aniqarter bem alto — vem aí a Primavera!
É chegada a época em que a Sertã me faz mais saudades, pela prodigalidade dos seus adornos naturais, que na Primavera redobram em beleza.
(Conclusão na 4.ª pág.)
Casamentos
No dia 22 de Novembro último, efectuou-se na Igreja Católica de St.ª Catarina da cidade de Elizabeth, Estado de New Jersey, E. U. A., o casamento do sr. Manuel Dias, Oficial de Marinha Mercante, em serviço no n/m «Horta» natural de Entre—Serrá, concelho da Sertã, filho de Manuel Dias e de Joaquina, de Jesus Nogueira; já felizes, com a menina Glória Rita Gordo, natural da mesma cidade de Elizabeth, filha de António Ferreira Gordo, natural de Ilhavo — Portugal e de Ana Maria Gordo, natural daquela cidade. Após a viagem o noços foram domiciliar-se em casa do noivo, em 24—Aberdeen Road, Elizabeth E. I. A. (E.)
No dia 8 de Março do ano corrente, efectuou-se, em Lisboa, na Igreja Católica, de freguesia dos Anjos, o casamento do sr. Diamentino Marques dos Reis, empregado bancário, B. N. U., natural da freguesia de St.ª Engracia de Lisboa, filho de Luís Marques dos Reis, com a menina Celeste Dias Nogueira, escritora filha de C. P. dos P. I. H., natural de Entre—Serrá, concelho da Sertã, e de Manuel Dias e de Joaquina de Jesus Nogueira, já felizes.
Após a viagem de núpcias vão domiciliar-se em casa dos pais do noivo na R. Borges Graínha, 20/ré De. (E.)
«VIAGEM»
Com o alto patrocínio dos srs. Dr. Domingos Braga da Cruz e coronel Laélisio Presa, respectivamente governador civil e presidente da Câmara Municipal do Porto, a revista Viagem acaba de dedicar um número extraordinário, a que se seguirá, brevemente um outro, no distrito daquela capital norteña.
A capa, a cores, reproduz as armas do Porto e além das palavras de abertura, subscritas pelo sr. Dr. Domingos Braga da Cruz, este número da conhecida revista traz diversa colaboração, de alto interesse, e apresenta copiosa documentação gráfica dos valores turísticos, monumentais e industriais daquela distrito.
As terras que figuram no primeiro fascículo deste interessante documento diário distrital portuense são Póvoa de Varzim, Riba de Ave, Vila Nova de Gaia, Espinho, Matosinhos, Gondomar, Valongo, Vile do Conde e Penafiel. Acta a secção de publicidade oferece grande interesse, pois no coloco na presença das actividades económicas de uma região privilegiada.
Se a apresentação deste excelente número especial da revista Viagem marca em esforço, contrlbal, por outro lado, para o conhecimento e propaganda de uma das mais operosas e progressivas regiões do País.
CARDOSA, uma pequena povoação do concelho de Oleiros, que até hoje não tem recebido quaisquer regalias do Estado, carece, em absoluto, de água para beber, máquinas e outros melhoramentos. Possui uma escola primária, que foi edificada com o sacrifício dos seus habitantes, pois são pobres na sua quase totalidade. Muito eles agradeceriam que as entidades superiores lhes proporcionassem alguns benefícios, estando, em primeiro lugar, uma fonte de água potável, o que é fácil dada a facilidade de captação.
CONTOS PARA CRIANÇAS
Grande sortido na Pap. e Livraria da Gráfica Celinda, Lda.
Rua Serpa Pinto SERTÃ
Funcionalismo Público
No pretérito 3.º feira, dia 10, tomou posse da carga de 3.° aspirante da Secretaria da Câmara Municipal deste concelho o sr. José Figueiredo Silva, filho do nosso amigo sr. Armando António da Silva, esposo de Direita da nossa Comarca.
O acto foi muito concorrido.
Ao novo funcionário e a seu pai, apresentamos as nossas felicitações.
Vila de Sertã, é pôr em primeiro lugar a aprovação do plano de urbanização. Sem isso, nada feito, ou será um remar inglório e inútil contra a maré…
Flávio dos Reis e Moura
A Comarca da Sertã
NOTA OFICIOSA
(Conclusão da 1.ª página)
for, mesmo directa e pessoalmente junt das mesmas entidades e até de outras que podem ter certa influência. Parece-nos que aqui terminam quanto é das atribuições da Câmara. Pretender ultrapassar estes limites, seria expormo-nos ao ridículo, ser considerados intrusos e, até, atrevidos. A rectificação do projecto e a aprovação do plano de urbanização não é, como o Sr. devia saber, da competência da Câmara, mas sim, respectivamente, do autor do projecto e da Direcção Geral dos Serviços de Urbanização. Esta ainda o não aprovou, certamente, porque, para tanto, ainda não está habilitada com o projecto rectificado nos moldes considerados convenientes tendo sido para tal, já diligenciado por quem de direito.
Depois, há incoerência e ingratidão, etc., em se reconhecer, como boa, a inclusão das obras do mercado coberto da vila da Sertã no plano de realizações da Câmara para o presente ano e, «matatis mutandis» suspeitar e até afirmar que foi mal o intenço camarária do incluí-la no seu plano, servindo-se para basear a sua suspeita e afirmação, sómente na falta do plano de urbanização. Quer dizer: segundo o seu «douto» parecer, esta Câmara como as outras, por coordenação, não devia ter incluído no seu plano de obras este ou outros melhoramentos sem que estivesse aprovado o plano de urbanização. Salvo o devido respeito por tão gratuita opinião, esta não parece de aceitar, pois, e segur lá, menos obras poderiam ser incluídas no plano da Câmara, e, portanto, comparticipadas para seu efectivo. Ainda há pouco se obteve a confirmação de que, no nosso distrito, havia apenas três ou quatro planos aprovados. Deste sorte e segundo a opinião do articulista, todas as câmaras deixariam de incluir nos seus planos as obras previstas nos anteplanos, ainda mesmo as consideradas de urgente necessidade e que, como tal, não podem nem devem esperar pela demora da aprovação. Cremos que, como esta, todas as restantes Câmaras elaboraram os seus planos tendo a única preocupação de realizar o maior número possível de melhoramentos e, nestes, dando preferência nos de maior necessidade e utilidade pública. Diz-se, também, que a Câmara não devia ter incluído a referida obra do mercado sem estar projectada, para não correr o risco de só vir a ser considerada mais tarde. Ainda nos parece não colher tão facciosa argumentação são, pois que, neste caso, pretende-se, apenas, evitar um mal maior. Assim procedemos com prudência.
Queremos fazer o mercado coberto. Siga, Sr. Doutor, se é capaz, por meio de raciocínio, o nosso procedimento: — Incluirmos no plano de realizações o mercado. Não podemo nos mandar elaborar o respectivo projecto, por falta de rectificação e aprovação do anteplano. Esperamos que isto se verifique brevemente, resultando, deste facto a probabilidade de poderemos elaborar o projecto, pedirmos a comparticipação e realizarmos a obra. Na hipótese de tudo se passar como esperamos, que diria o Sr. Dr. Reis, se no plano de melhoramentos não estivesse incluído o referido melhoramento? Este exemplo, dos muitos, trazido a propósito na crítica, bastará para dar graças a Deus por, sem discursos nem despesas avultadas de publicação e representação com almoços e mais, mas só com a boa vontade de todos e leal colaboração de alguns, a actual Câmara, embora «só com o pé no estribo», é pouco tempo para recolher ter conseguido restabelecer o equilíbrio financeiro e o crédito perdido, solvendo compromissos por V. Ex.ª tomados e não compridos, pagando dívidas no montante de 1.375:775$30, sem deixar de realizar melhorias e desenvolvimentos no valor de 1.270:112$53, bastando, além do já exposto, ter procedido com esmerada boa administração e fiscalização das receitas públicas. Do mais que se poderiam escrever, os elementares princípios de educação aconselham a que, por agora, se guarde silêncio.
E para finalizar, porque não queremos fomentar discórdias, n m assamim responsabilidades por digna terigo, temos de concordar que é de atender a actual situação financeira da Câmara e que, de boa vontade, sendo para bem da comunidade, aceitemos o princípio da remodelação camarária e política preconizada pelo Sr. Dr. Moura.
Se tal acontecer, fazemos antecipa dos e ardentes votos por que não se a loute que vez mais na Câmara o sistema de inicializar, nam momento, o êxito obtido com o trabalho porfiado e prudente de algumas anos.
Quanto à pendêntima prosa de S. Ex.ª, devemos lembrar o provérbio que diz:
— Bem prega Frei Tomás: faz o que diz e não o que ele faz.
Sr. Doutor! Com franqueza afirmamos: não faremos como alvitrá; muito menos fazemos ou fazemos como o Sr. fez. Continuamos o escalcendimento:
— O plano de urbanização se não está aprovado, deve-se exclusivamente ao facto de ter sido elaborado pelo arquitecto em íntima colaboração com V. Ex.ª, ao tempo Presidente do Município.
A sua elaboração foi feita em termos tais, que mereceu completa reprovação por parte dos Serviços Superiores. Apesar disso, está Câmara, como as demais, em idênticas circunstâncias, tem adoptado para todos o único sistema aconselhável que, quando lhe parece de atender qualquer pretensão, não passar a respectiva licença sem o prévio parecer do arquitecto, e se, porventura algumas vezes se verifica ou demora, ou, ou simples Inderferimento, é só por ter em atenção o parecer do respectivo técnico. Só isto é para ver dade, que nesse por reconhecida directamente na própria repartição, pela análise dos documentos comprovativos. «De resto nem outra coisa se poderia esperar desta autarquia que, tal como ficou constituída, após a transata gerência- -celebre nos onlais história da Sertã—se pode dizer que nasceu em consequência do perfeito estado de «bancarrotas» em que aquela edilidade se encontrava…, trazendo assinalada, além de outras missões, a incumbência de reparar esse vergonhoso estado de coisas. Que assim é, comprovam-no umas tantas razões, que se podem enumerar sem possibilidade de eficácia contrária, e, principalmente o resultado palpável, —e já demonstrado—da sua honest, legal e leal colaboração e actuação.
A continuar-se com o anterior sistema adoptado pelo então Sr. Presidente, resultaria daí gravíssimo dano para o desenvolvimento e progresso não só da sede, como de todo o Concelho, que deverá ainda cada um dos Vogais da Câmara, nisso continuadores responsáveis. Assim,
Construção de silos para forragens
com subsídio do Estado
Com o objectivo de remediar o leite de forragens que se verifica perilhosamente em muitas regiões e de contribuir, portanto, para o aumento dos efectivos pecuários do País, continuará o ser subsidiado, no corrente ano, pelo Ministério da Economia, e sob orientação da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas, a construção de silos em todos os concelhos do Continente e Ilhas Adjacentes.
Até hoje já se edificarom 931 silos como o anexo officiente, dos quais: 242 no Rorcres, 228 em Santarém, 87 no Porto, 67 em Castelo Branco, etc, etc.
Todo o agricultor que pretende deve e efeito em 1935 construir osde que natureza deseje obter o referido subsídio, deverá inscrever-se, até 15 de Março, impreterivelmente, no Grémio da Inocurna do concelho onde exista a sua exploração agrícola, não necessitando requerer em papel selo. Ai poderá obter informações sobre o montante dos subsídios e condições em que são concedidos, não envolvendo a inscrição, porém, qualquer compromisso, por parte dos Serviços oficiais, a que o interessado venha a ser atendido no corrente ano. Todo aquele, como é óbvio, do número de interessados exceder ou não as disponibilidades orçamentais.
A título de indicação muito geral, informa-se que actualmente, o subsídio, no caso dos silos de cobertura móvel, vai de 65000 para as pequenas unidades com é metros cúbicos até 1350000 se a capacidade for de 20 a 40 metros cúbicos. Para os silos de cobertura fixa e para as unidades das capacidades extremas o subsídio são respectivamente de 740500 e 1.860000.
Este ano passará a comparticipar-se também a construção de silos-trincheiras, que se recomendem principalmente para as grandes propriedades onde se alojarem aconselháveis e o terreno for favorável a sua implantação.
Tratando-se, todavia, de construções proporcionalmente mais baratas, a subsídio será de Esc. 15$00 por metro cúbico de capacidade útil, devendo os silos ser de paredes respectivas a cimento armado, blocos de cimento, tijolo ou alvenaria e comprimento não superior a 20 metros.
Casas para pobres em Castelo Branco:
O sr. ministro do Interior assignou uma grataria que autoriza à Câmara Municipal de Castelo Branco a ceder, gratuitamente, a Secção da Juventude Católica Feminina daquele cidade, com destino a construção de casas para pobres, uma parcela de terreno com a área de 776 metros quadrados sita no Bairro do Cansado.
Quando veremos na Sertã tomarem-se disposições semelhantes, pondo termo ao calvário das gente pobre, a maior parte da qual vive hoje pior instalada que muitos irracionais?
positivo, é que só os insensatos e os teimosos contra a própria evidência — qualquer que seja a posição que pretendem, a todo o custo, ocupar nos postos de responsabilidade directiva — ousarão chegar a uma conclusão diferente.
É certo que esses, alheercados na sua imensa superioridade e imponderância, o maldade, não quererão per reconhecer, como aqueles que, modestos, honestos, e de boa fé, pensam e apreciam com todo o escrúpulo esses problemas. Porfano de para terminar, reafirmamos: — Tudo quanto se fizesse — se se fizesse — para atrasar o plano de urbanização, seria prejudicar não apenas os interesses de Sertã como os da própria Câmara, que actualmente, pouco ou nada pode decidir, devido ao facto de continuamente ter de ouvir o parecer do arquitecto que elaborou o anteplano e ter em conta a sua opinião.
Apesar de tudo, é não obstante a triste herança que o ilustre crítico nos legou, não ficamos s siso de suportarmos o venenosa prosa de quem, a todo o custo, deseja evidenciar-se e imortalizar-se, seja por que meio for, Inclusivé com a pomposa publicação do seu já tão célebre nome.
A Câmara
Os Agentes do Ensino Primário no Concelho de Sertã tratam da sua colaboração na Campanha contra o Analfabetismo
Numa sala da Escola Conde de Ferreira desta vila realizou-se uma reunião dos professores e regentes escolares deste concelho, sob a presidência do director do distrito escolar de Castelo Branco, sr. Francisco Pinto Morara, secretariado pelo delegado escolar do concelho de Sertã, para se tratar de vários assuntos escolares, mas principalmente da colaboração na campanha contra o analfabetismo.
Tanto os professores como os regentes prometeram dar o seu melhor apoio e colaboração nessas campanha nacional que está despertando muito interesse e em que todos devem trabalhar.
Na freguesia de Pedrógão Pequeno estão já a ser freguentados 4 carros de Educação de adultos de sexo masculino: 3 na vila de Pedrógão Pequeno, regidos respectivamente pelos profs. srs. Joaquim Nunes Martins, D. Ana de Espírito Santo Martins e D. Maria Amélia da Conceição Martins; e outro no posto escolar do Vale da Galega, pelo regente escolar Dr. Alice Lopes; na freguesia da Sertã, dois: um masculino na escola do Outeiro da Lagoa, pelo sr. Joaquim Carlos Gonçalves Amaro Bastar e em feminina na escola do Arrotear Stêrâ, pela sr.ª D. Angelina da Natividade Lérias Canas.
Por último foi tratado da escolha dos profs. que devem ser conferentes do curso de aperfeiçoamento e realizar após férias da Páscoa nesta vila. — C.
O Despertar da Natureza
(Conclusão da 3.ª página)
Aqui integrado numa vida mecanizada, sinto necessidade dum passeio à Fonte da Pinta, Senhor dos Remédios, à Mata do Hospital. Deve estar todo tão bonito!…
Recordo com muita saudade os tardes que passei na Carvalho, tranquilamente, absorto ou em conversa amena. Tenho inveja dos que podem passear, a tardinha, pela Recta, gozando o espectáculo verde dos campos e os últimos reíos de sol. Quem deve ar agora desfrutar o panorama do Miradouro, com a ribeira lá em baixo, preguiçosa, e a mata de eucaliptos mais além e os montes distantes…
Mas ainda esta Primavera passarão, sem que cá possa notar a saudade que o Sertã me faz sentir, nessa época em que a Natureza faz reír flora a magniflicência dos seus arredores.
Lisboa, 9-3-53 A. V. Martins
O serviço telefónico entre Sertã e Pedrógão Pequeno
Informação do Secretariado Nacional de Informações
O Jornal «Comarca da Sertã», numa local do seu número de 20 de Janeiro findo, alude às demoras que se verificam nas comunicações telefónicas entre a Sertã e Pedrógão Pequeno, as quais demoram normalmente 15 a 30 minutos.
Informa-nos, a propósito, a Administração Geral dos CTT de que não há motivo para os atrasos a que a notícia alude.
Convirá portanto que os interessados não deixem de participar a existência de qualquer demora no serviço telefónico, que porventura exceda 2 ou 3 minutos, a fim de que possam ser imediatamente tomadas as providências que se imponham.
AGRADECIMENTO
A Família de Carlota da Conceição Leitão vem, por este meio, apresentar os seus sinceros agradecimentos a todas as pessoas que tiveram a bondade de acompanhar a extinção da última jazida e ainda as que lhe manifestaram condolências.
A todas, a sua eterna e inolvidável gratidão.
Sertã, 15 de Março de 1953.




