A Comarca da Sertã nº877 30-12-1952
A COMARCA DE SERTÃ
Representante em Lisboa:
João Antunes Gaspar
Director, Editor e Proprietário:
Eduardo Barata da Silva Corrêa
Publica-se nos dias 5, 10, 15, 20, 25 e 30
Sertã, 30 de Dezembro de 1952
Ano XVII
Redacção e Administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: GRÁFICA CELINDA, LDA. — SERTÃ
N.º 877
Um Conto de
NATAL
(às minhas netas:
Izabel Maria e Maria Leonor)
Para quê? Para quê escrever um conto de Natal que não será mais do que fantasia, quando em cada pedaço da vida real palpita toda a essência da poesia sombólica que a data evoca, tão fortemente, que obriga a reunir, no mesmo culto de ternura, a família e amigos, mesmo os mais longe, recordados, com o igual enlevo de carinho que nos aquece o coração ao sentir-nos rodeados pelos entes queridos que temos a dita de poder juntar?
Um conto de Natal…
Mas um conto de Natal está escrito no olhar cândido de cada criança que se debruça, entusiasmada e curiosa, por essas ruas, sobre os vidros das montras tentadoras e brilhantes dos brinquedos que estão à sua ambição para as surpresas dessa noite de doçura e maravilha, e sem igual, na ternura afectuosa e extremosissima da Mãe que só aspira ver junto a si os filhos adorados, ainda mesmo quando algum deles lhe não saiba retribuir a devoção; na magia da saudade que inspira nos que estão longe e lhes recorda o lar; na tentativa, tão humana, daqueles que aspiram mitigar, ainda que somente nesse dia sagrado, a aflição ou miséria dos muitos ( que tantos!… ) que sofrem…
Um conto de Natal…
É toda a expressiva sublime da Maternidade recordada pelo nascimento do suave Jesus que cada coração de Mulher evoca e toda uma tradição cristã impõe, quase involuntária e sugestivamente, mesmo aos alheios à crença, porque simbolisa o família, crença sacrossanta também de toda a Humanidade!
Um conto de Natal é toda a doçura, dos braços ternos e roliços dos netos que nos enlaçam e nos prendem docemente com a mais terna e firme cadeia de afeição; um beijo dos seus lábios pequeninos e rosados que nos abre o Paraízo na terra e compensa das amarguras sofridas… A vida que se renova e parece torna-nos mais novos… exactamente quando envelhecemos!
Um conto de Natal é e devia ser a única e suprema e abençoada ambição de que reine a Paz na terra e, entre os homens, o amor, a compreensão, a bondade, a concórdia, a confiança, a justiça, numa palavra, a Beleza integral que reside em tudo quanto é puro e bom e que possa elevar a Humanidade, à semelhança do que Jesus pregou, para torná-la mais feliz…
(Talvez assim a Paz fosse com todos na graça do Senhor!)
E então sim, ter-se-ia escrito o mais belo e verdadeiro e humano Conto de Natal.
Lisboa, 23 de Dez.º 952
Fernanda Tasso de Figueiredo
ANO NOVO
Por Pereira da Fonseca
Vai começar o ano de 1953.
A herança que lhe será entregue no próximo dia 1 de Janeiro — pelo ano de 1952 — cansaço do desiludido com os objectivos de paz e tranquilidade que não pode conhecer, não é de molde, por mais esperança que haja, a acreditarmos que o novo ano singra por caminhos de rosas e sendas perfumadas.
Há ainda, em muitos pontos da Terra confusão e desespero.
A Festa da Família Humana não foi celebrada por todos os homens, naquele abraço fraterno que Cristo veio dar a todas as raças, a todas as idades e em todas as latitudes. Os destinos do mundo estão emaranhados na caótica engrenagem política de ambições e imperialismo desmedidos.
Essas ambições e esses imperialismos, o desrespeito pelas leis morais e sociais, o atropelo da honra e dos tratados, para mal de todos nós, coloca uma nova triste, bem amarga, no Livro do Amor que devia ser o Evangelho por que se deviam guiar todos os homens.
A tempestade ruge. Se ela não paira por cima das nossas cabeças pesa sobre os céus de outras latitudes.
Vai começar mais um ano. O melhor presente que podemos ofertar a nós mesmos, é a dadiva da Esperança os votos de Felicidade. Mas!…
Os homens tornaram-se ou querem tornar-se «Deuses Supremos» quando, levados por aquele orgulho que precipitou nos abismos infernais os espíritos rebeldes, fazem e procedem como se
(conclusão na 2.ª página)
A Comarca da Sertã
Cumprimenta todos os seus amigos, assinantes, colaboradores e anunciantes, desejando-lhes um Novo Ano muito próspero.
NATAL
NATAL! É meia noite. O frio e o vento
Bailava lá fora num `stertor.
E as sombras dessa noite de relento
Manchavam toda a terra sem calor.
O mundo ainda não dorme, no momento
De as doze badaladas, em rumor,
Encherem todo o espaço barulhento
Que havia consoada, luz, fulgor.
Natal! A noite é fria, escura, agreste.
Mas foi em noite assim, ó Deus, que deste
Ao mundo o Redentor — Teu Filho amado.
Natal! Temos lembranças na lareira.
E Tu, Menino Infante, em braseira
Que aqueça teu corpinho enregelado!
Cernache — 1952.
PEREIRA DA FONSECA
Gráfica Celinda, Lda.
Apresenta o seu cartão aos seus clientes e amigos, formulando sinceros votos por que o Novo Ano lhes proporcione as maiores felicidades.
A tavalagem
O padre tomou a direcção daquela cas.
Não surpreendeu o espectaculo que presenciou, porque o esperava.
Alguns lavradores e homens de oficio, sentados à volta duma banca de madeira e todos formidavelmente munidos de grandes copos de vinho, estavam recebendo ali simultâneas as comoções de beberronia e do jogo de parar. Cada um deles, seguia, de olhos atentos, as evoluções do baralho de cartas, moído e sebento, que um banqueiro, igualmente dotado desta ultima qualidade, executava com a prestidigitação de consumado artista; o ardor do ganho, e a reciproca desconfiança que os animava, rompiam ainda através dos densos nevoeiros que pareciam toldar aquelas vistas avinhadas.
Havia um considerável monte de cobre e alguma prata no meio da mesa, e montes parciais, mais ou menos bem providos, ao lado de cada jogador. A cada sorte, que se decidia entre um silêncio e ansiedade de suspender quase a respiração, seguia-se um vozear infernal, composto de exclamações de júbilo dos felizes e pragas dos sacrificados.
(conclui na 3.ª página)
Homenagem ao Ex.mo Snr.
Libânio Vaz Serra
Vai a Casa da Comarca da Sertã promover uma pública homenagem a este seu consócio e grande benemérito cerimonia que se realizará em Cernache do Bonjardim, na sua terra natal, que ele tanto ama é tanto lhe deve, no próximo dia 25 de Janeiro à hora a determinar.
A nossa casa regionalista da capital vai enviar por estes dias a todos os seus sócios uma circular explicando os motivos da homenagem e pedindo a comparência de todos os que tenhem possibilidade de assistir assim como vai fazer convites directos a todas as autoridades dos 4 concelhos da comarca e a várias entidades da nossa região.
Espera a Casa da Comarca da Sertã que, numa nítida compreensão dos fins que ditaram esta homenagem, nenhum convidado deixe de comparecer, contribuindo com a sua presença para dar maior realce a este acto que o homenageado bem merece, pelo seu espírito de benemerência, pelas suas excepcionais qualidades de iniciativa, pelo amor devotado à nossa região que muito bem valorizou com as suas iniciativas e ainda pelo seu exemplo de trabalho incansável que desde a infância sempre procurou honesta e inteligentemente guindar-se, por mérito próprio, ao plano que as suas raras faculdades de trabalho e de inteligência exigiam.
O secretário
A Comarca da Sertã
O REI DAS MEIAS
Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 32 — Lisboa
Cumprimenta as suas Ex.mas Clientes, desejando-lhes um Ano Novo repleto de felicidades
Através da Comarca
OLEIROS, 16
Despedida
De regresso à Beira, embarcou no dia 12 do corrente no paquete “Angola” o sr. António Antunes da Silva, natural do Sobral de Cima, concelho de Oleiros, conceituado proprietário em Bandula África Oriental Portuguesa, que à metrópole veio com curta demora, para tratar da sua saúde e devido à sua doença não lhe foi possível poder visitar os seus amigos da sua terra natal, nem tão pouco o seu estado de saúde durante o tempo que permaneceu em Portugal lhe permitiu despedir-se dos seus amigos e pessoas de família.
Desejamos-lhe boa viagem e rápidas melhoras.
Necrologia
Oleiros 19 – Faleceu hoje em Lisboa o sr. Joaquim Ventura empregado no comércio, casado com a sr.ª D. Laura da Conceição Ventura, irmão dos srs. Francisco Ventura, Adelino Ventura, João Ventura e do sr. António Ventura, este conceituado comerciante em Lisboa e das sr.as Bárbara Ventura e Maria Ventura todos naturais de Oleiros.
À família enlutada apresentamos sentidos pêsames.
Colheita de Azeitona
Nesta região encontra-se concluída, sendo de lamentar tão pouca produção, a maior parte dos proprietários nem sequer foram ao lagar, assim sucedeu com a colheita do vinho que a maior parte nem se estrearam.
CUMEADA, 19
A Junta desta freguesia está interessada em ver se pode conseguir o telefone para a sede da freguesia, para o que já fez a respectiva requisição, e que pede a fineza de todos as pessoas que possam conseguir para os auxiliarem em todas as condições e maneiras que esteja ao seu alcance, para que ele venha o mais rápido possível, pois que está aqui a sentir-se muita a sua falta
No passado dia 12 do corrente embarcou no vapor “Angola” com destino a Moçambique o sr. João Ventura Fernandes da Silva que ia como funcionário dos correios daquela província, a família, para se fixarem naquela província, e que até àquela data exercia o cargo de aspirante estagiário das Finanças do concelho de Pampilhosa da Serra.
As chuvas dos últimos semanas têm prejudicado os caminhos desta freguesia e que se encontram quase intransitáveis, pois que uma trovoada que por aqui caiu além dos caminhos levou a maior parte das propriedades em diversos vales, foi um horror, pois que as propriedades passaram a ser o lugar da passagem dos ribeiros.
C.
“Água da Foz da Sertã”
Esta água, conhecida há mais de meio século por “ÁGUA SANTA”, tem já a nova captação e edifício de engarrafamento e «buvete» deve ficar concluído dentro de poucos meses.
Vão construir-se as primeiras casas de «apartamentos», a concluir em 1953; e a magnifica «Estalagem da Água Santa da Foz da Sertã», para a qual está completo o projecto e se estão fazendo os preparativos necessários, começará logo que haja o necessário acesso para camions s será concluída rapidamente.
Os diabéticos e os que sofrem do intestino, da pele e de falta de acidez no estômago, encontrarão proximamente na Foz da Sertã, povoação da nossa freguesia Cernache do Bonjardim, acomodações condignas com a antiga e merecida da fama de que goza aquela Água.
E os amadores da peça, do remo, da vela e dos bons fins de semana também ali encontrarão um admirável local apropriado, pois a nascente fica mesmo à beira da famosa ALBUFEIRA DO CASTELO DO BODE, perto da Ponte do Vale da Ursa.
PEDRÓGÃO PEQUENO, 23
No dia 22, a menor Odette da Conceição Costa, de 3 anos de idade, filha de João Costa, empregado público, e de Maria da Conceição, moradores em Pedrógão Pequeno, quando ia numa correria, atravessou a Estrada Nacional N.º 2, à Ponte do Ribeiro da vila de Pedrógão Pequeno, justamente quando passava um Jeep da Hidro-Eléctica do Zêzere, guiado por Manuel Tomé Patrão que a apanhou pela frente do carro.
Recolheu ao Hospital da Misericórdia de Pedrógão Pequeno onde foi tratada pelo médico dr. Raul Lima da Silva.
Apresenta três costelas partidas e contusões várias.
Tomou conta da ocorrência a patrulha da G.N.R., que no momento se encontrava na vila. — C.
Matou a antiga namorada a tiro de pistola
O tentou depois pôr termo à existência
Informam de Vila de Rei em 28: Deu-se hoje nesta vila uma cena de ciúmes que impressionou profundamente toda a população pelos circunstâncias dramáticas de que se revestiu.
Quando pela estrada do Abrunheiro Grande à Fundada, a uns seis quilómetros da vila de Rei, regressava da missa, cerca das 13 horas, acompanhada por outra rapariga, Maria dos Anjos, de 23 anos, filha de António Alves Miranda, residente no Abrunheiro Grande, foi abordada por um antigo namorado. Este, José Maria Mateus, de 23 anos, solteiro, filho de Manuel Mateus Júnior, já falecido e de Joaquina Maria, deteve a rapariga, agarrando-a e procurando convencê-la a reatar o namoro.
A Maria dos Anjos não acedendo, tentou libertar-se do José Mateus, com auxilio da companheira, mas aquele sacou de uma pistola e ameaçou mata-la se lhe não desse uma resposta afirmativa.
A companheira da Maria dos Anjos fugiu a gritar por socorro, mas era tarde, pois o Mateus desfechando a pistola atingiu a antiga namorada co um tiro no pescoço, prostrando-a no leito da estrada.
Acto continuo, o Mateus disparou a arma contra a seu ouvido direito, caindo também banhado em sangue.
A companheira da Maria dos Anjos acorreu então para o local , mas a infeliz rapariga era já cadáver.
O Mateus porem, ainda dava sinais de vida.
A trágica ocorrência foi comunicada às autoridades, que fizeram conduzir o assissino ao hospital de Vila de Rei, onde o sr.º dr. Ponces de Carvalho observou o ferido e verificando não ter recursos para fazer a trepanação fez transportar o Mateus para o hospital de Abrantes, numa furgoneta, ficando o ferido ali internado, em estado gravíssimo.
A morte da infeliz Maria dos Anjos consternou todos os habitantes do Abrunheiro Grande, onde era muito estimada, e o crime causou a maior repulsa. – (E.)
Liga Portuguesa de Profilaxia Social
Cuidados que devem ter-se com os recém-nascidos
Já lá vai o tempo, felizmente, em que uma boa percentagem dos cegos existentes era devida ao desconhecimento de certos cuidados de profilaxia ocular para com os recém-nascidos. Embora hoje esses cuidados sejam já conhecidos, parece-nos que não deixará de ser vantajoso recordá-los mais uma vez junto do público, pois os casos de cegueira consequentes à sua falta de aplicação ainda desaparecem ainda por completo.
A doença realmente perigosa para a vista do recém-nascido é a Oftalmia Purulenta, o seu aparecimento é precoce, em regra do 2.º ao 5.º dia e é transmitida pela mãe no momento em que a criança nasce.
Não sendo feito o tratamento adequado logo em seguida às primeiras manifestações, pode dizer-se que a cegueira incurável é a terminação habitual! O próprio tratamento exige grande cuidado e vigia constante do oftalmologista.
A profilaxia ideal, seria tratar a mãe, de modo a estar perfeitamente curada no momento do nascimento da criança.
Há porém uma maneira de evitar este terrível mal, que deve ser aplicado em excepção a todos os recém-nascidos, pois previne dessa modo seguro o seu aparecimento: Basta deitar nos olhos da criança logo a seguir ao nascimento, duas gotas dum soluto aquoso de nitrato, de prata a um por cento (1%) ou de argirol (Barnes) a quinze ou a vinte por cento (15 ou 20%).
Este processo que é desprovido de qualquer perigo, é usado nas maternidades e deve ser igualmente usado em todos os lares onde nascem crianças.
ANO NOVO
(Conclusão da 1.ª página)
Não houvesse “Alguém” que no fragor das horas más não julgasse, impassível e sereno, as suas acções.
A justiça humana perde-se em labirintos. A consciência bem formada, pede-a. Mas muitos que são responsáveis incobertos ou acobardados já não a sabem dar.
E quando dão pelo seu fracasso já é tarde demais.
O Novo Ano vai entrar. Que todos os seus caminhos, nesta romagem histórica do Mundo, sejam caminhos de luz e felicidade.
Não há ninguém que não deseje ser feliz.
Por isso são estes os votos de todos.
Que nos horizontes sombrios da vida haja, sempre uma clareira, onde brilhe um céu de esperança.
Que o Ano Novo seja, apesar de tudo e de todos, um verdadeiro Ano Bom.
Cernache, Dezembro de 1952.
Pereira da Fonseca
Jacinto Pedro
Mercearias finas, chás e diversos
Rua do Benformoso, 256-258 — Tel. 28543
LISBOA
Cumprimenta os seus amigos, e fregueses, desejando-lhes um Ano Novo feliz.
Brinquedos
Chegou à Gráfica Celinda, Lda. um sortido interessantíssimo de brinquedos a preços muito acessíveis.
A Comarca da Sertã
O Natal em Pedrógão Pequeno — 235 crianças alunos das escolas tiveram um grande dia de Festa
O Delegado Escolar e as Professoras desta vila, auxiliadas por um grupo de senhoras, angariaram dinheiro e tecidos para contemplarem os alunos das 5 escolas.
Para tal fim realizou-se ontem uma Festa Escolar, havendo uma Sessão Solene na Escola Masculina a que presidiu o Ex.mo Sr. Engenheiro Licínio Vaz Nunes, Director da Hidro Eléctrica do Zêzere, ladeado pelos Srs. José Baptista Pato que representava a C. Empreiteira Vaz Guedes e Moniz da Maia, Delegado Escolar, Dr. Raul Silva Lima da Silva, Médico Municipal, Rev.º Serafim Serra e o Regedor da Freguesia, Gustavo Sequeira Alves.
Fez a abertura da Festa o Delegado Escolar, falando sobre o significado da mesma e agradeceu a todos os que contribuíram com donativos e trabalhos.
Houve recitações e poesias alusivas ao Natal e Menino Jesus e canções pelo orfeão das Escolas, abrilhantando a Festa o aluno da 3.ª classe, de 9 anos José Baptista Martins que tocou na concertina alguns números de música que deliciaram a assistência, onde se viam os Ex.mos Engenheiros da Barragem do Cabril com suas famílias, empregados diversos e as famílias dos alunos.
Encerraram a Sessão com palavras de louvor e carinho pela Festa o Rev.ª Serafim Serra, na qual igualmente colaboraram.
A Escola Feminina havia uma exposição com os fatos, calçado e livros que foram depois distribuídos a todos os alunos, bem como pão com marmelada, bolos e café.
O Presépio e as ornamentações da escola estavam lindos, recebendo a Comissão os melhores elogios pelo seu trabalho e fino gosto.
Foram distribuídos: 189 camisolas, 40 pares de sapatos, 30 livros de contos, 16 vestidos, 17 combinações, 4 pares de meias, 14 pares de calças, 1 par de botas, 4 saquinhos, num total de cerca de seis contos.
Grémio Sertaginense
Resultado da eleição dos Corpos Gerentes e Mesa da Assembleia Geral para o ano de 1953:
Mesa da Assembleia Geral — Efectivos: Presidente, Dr. Rogério Marinha Lucas; 1.º secretário, Armando António da Silva; 2.º secretário, Aníbal Dinis de Carvalho.
Substitutos: Presidente, Olímpio Alberto Carneiro; 1.º Secretário, José Ferreira Júnior; 2.º Secretário, José Fernandes Lopes.
Direcção — Efectivos: Dr. Pedro de Matos Neves; Manuel Ferreira de Pina; Assis Lopes; Manuel de Jesus Martins Canas; Manuel António dos Santos.
Suplentes: Dr. Emanuel Lima da Silva; António Alves Lopes Manso; José António Farinha; Joaquim Gil de Oliveira; Orlando Cardoso Alves Betencourt.
Conselho Fiscal — Efectivos: Presidente, Joaquim Pires Mendes; Relator, Aníbal Nunes Correia; Vogal, Eduardo Barata da Silva Correia.
Suplentes: Presidente, António Lopes; Relator, Jorge Vidal Leitão; Vogal, Fernando Carvalho Tavares.
Sua Ex.ª o Frio
Pelo Pintor Lyster Franco
Chegou o Frio! Não se sabe se comboio, automóvel, camioneta, avião ou barcarola, ignora-se também donde veio, mas o que é certo é positivo é ter chegado. Já cá o temos!
Chegou e não se esqueceu de trazer nas malas as tosses, as defluxeiras, as constipações e que jandas causas arreliantes da Humanidade padecente!
Nem lhe daríamos pela chegada nestes dias de semi-sol,, se S. Ex.ª não tivesse já começado a tomar conta de toda a gente, sem distinção de sexos nem de idades, pois todos lhe servem para objectivo das suas implacáveis zombarias.
Não será zombaria irreverente fazer espirrar o gentio num ror de vezes a seguir?
Sob a alçada descricionária de S. Ex.ª o Frio todos se abafam e enroupam, resguardando-se o melhor que podem para a enfrentação da próxima campanha de Inverno que, segundo conspícuos Aretólogos será de todo o Verão.
Seria ulta curioso fazer-se o registo de toda a indumentária com que a Humanidade pretende defrontar o frio, desde os abafos caros das Madonas elegantes até à farandulagem que os sem-cheta costumam dependurar no mísero corpanzil, mesmo não vale a pena!
Mais tarde, quando a Bomba de Oxigénio, já felizmente em prometedoras experiências, tiver reduzido à decima parte dos bichos humanos, ficando essa mesmíssima parte a ganir, sem olhos, narizes, orelhas e outros apreciáveis apêndices, então sim, soará a hora das descrições pormenorizadas e os Arqueólogos dessa época averiguarão, quanto possível, como usava vestir-se toda a bicheza deste nosso patusquíssimo tempo da castanha assadas nas ruas e do «giripiti» a cálice, nos cafés citadinos.
Por agora basta acentuar que os malefícios de S. Ex.ª o Frio na vida de cada um, constituem por vezes casos sérios que roçam pelas beirinhas da tragédia.
Isto é claro, quando a luta entre as duas grandes forças opostas, o calor e o frio, atinge o pináculo do apogeu, ao som de espirros e tosses gosmózas e pigarrentas, orquestra infernal deste tempo tão saborosamente apreciável!
A Vida — sabe-se — não passa de um combate constante entre forças adversamente contrárias, forças que existem por toda a parte, em todas as coisas, para supliciante arrelia da Humanidade sofredora.
Diga-nos, por exemplo, a gentil Leitora, se quando pretende calçar seus sapatinhos camurcinos sem qubrar asa malhas das suas meias “Nilon-Perle-Dorée” — não sente, bem ao vivo, o duelo secreto dessas forças antagónicas, neste caso concretizadas no sapatinho teimoso em engulir o pé e na meia que, apesar de finíssima, se enruga de forma a transformar em grossos saca-rôlhas as linhas puras das suas pernas elegantes?
Que faz nesta grave emergência, a Leitora gentil? Recorre, naturalmente, à sua calçadeira de plástico — esta, verdadeira fada do Lar, de incomparável poder, logo domestica as forças contrárias e a gentil Leitora, dando um jeitinho ao pé minúsculo consegue calçar-se melhor que a Gata Borralheira, sem causar rugas nas meias e, conseguintemente, sem comprometer a estética impecável da elegância das suas pernas.
Isto é um simples exemplo dos tremendos duelos das forças antagónicas na suposição galante de que a Leitora, além de gentil, esta meia Nilon-Perle-Dorée e não tem baquêtas no logar das tíbias e peróneos!…
Vejamos, agora, o que faz o ilustre Homo-Futebólicus, da nossa época, delirante quando, presente o frio, a dar-lhe cabo do respeitável canastro.
Abafa-se, abifa-se e reabafa-se! Recorre aos tecidos cobertorianos, resguarda o cachaço num passa-montanhas de Mamute, enverga três ou quatro samarras, gabardinas ou trincheiras, calça botorras de sete-léguas, atafulha-se de «Aspro» de Vick-VapRub e de outros eficazes anti-constipatióticos e assim, revestido de todos estes peservativos procura vencer as audácias frigoríferas, dando-lhes combate sem guarida nem quartel. E vence, muitas vezes!
Mas noutras — oh! Desgraça! É vencido! E então lá se vai o Homo—Futebólico à viola, legando aos consócios do Clube dos Lambetigelas o seu par de botifarras do jogo, qualquer cousa de extraordinariamente assombroso!
Lyster Franco
(De Correio do Sul)
A tavalagem
(Conclusão da 1.ª pág.)
O reitor assomou ao limite da porta e em desses momentos de tumulto. Discutia-se desordenadamente a legalidade e a inteireza da mão última de jogo.
A correr parelhas com a pouca moderação das palavras, só a das libações de vinho. Os copos vasavam-se e enchiam-se com rapidez pasmosa, e o taverneiro, a cada um que se despejava assim, traçava um sinal a giz na porta vermelha da cozinha.
O aparecimento do reitor causou sensação.
O primeiro movimento dos circunstantes, ao darem por ele, foi o de esconderem as cartas e o dinheiro; mas, na impossibilidade de o fazer a tempo, levantaram-se e, com ar de embaraço, tiraram o chapéu e abaixaram os olhos.
Houve um momento de silêncio, empregado por o reitor em reconhecer os delinquentes, e durante o qual estes não ousaram levantar os olhos.
«Não é o regedor, sosseguem— disse em fim o reitor ainda do limiar da porta—e pena é que o não seja, para vos meter a todos na cadeia». E adiantando-se na taverna continuou: — Santa vida esta! Assim é que é ganhar o reino do céu! Sim, senhores! Aqui estão uns poucos santos varões, que empregam bem o seu tempo! Respeitáveis exemplares patriarcas, de quem muito se pode esperar como educadores de família! Sim, senhores!” E mudando para tom mais severo:— «Vossas mulheres estafam-se com trabalho, para dar um pouco de pão negro aos filhos, e a vós esta vida regalada, não é assim? Ainda agora encontrei o teu pequeno, Manuel, que pedia esmola pela porta dos vizinhos; não tens vergonha? A tua mulher, Francisco, estava há pouco de cama e teve de mandar à cidade a filha mais nova com uma canastra de hortaliça com que ela mal podia; ia a vergar, a pobre pequena! Achas isto bonito? O teu irmão, João, ainda não há três dias que foi pedir emprestado, chorando, ao José das Dornas dinheiro para pagar o mestre da fábrica em que traz o filho na cidade; talvez tu não tivesses por lh´o emprestares?”
Não há muito que o pobre José da Maia se me queixou a mim de que tu, Damião, ainda lhe não tinhas pago por inteiro o preço daqueles bois que lhe compraste… Mas que importa estas pequenas coisas? Que importa lá a miséria que vai por casa, se não falta o dinheiro para o vinho e para o jogo! Isso é que se quer!
Júlio Dinis
Casa da Comarca da Sertã
Noticiário
Natal dos doentes internados nos hospitais de Lisboa:-
A Direcção desta Instituição, sabendo que muitos doentes pobres da nossa região que presentemente se encontram internados nos vários hospitais da capital não receberiam nesta quadra festiva a visita da família, por se encontrarem longe dos seus lares e avaliando bem a tristeza da sua solidão agravada ainda com o sofrimento físico que ali os retém cativos, resolveu promover uma visita a todos e distribuir-lhes lembranças para amenizar a sua triste situação.
Para o efeito foram organizados três grupos de Directores, tendo cabido a um a ida aos hospitais de Arroios e D. Estefânia, a outro Sto. António dos Capuchos e Santa Marta e finalmente ao último o Hospital de S. José. Os dois primeiros desempenharam-se da sua missão na véspera do Natal, tendo ficado para o dia 25 a visita ao Hospital de S. José, onde era maior o número de doentes a visitar.
Com palavras de conforto e a expressão do desejo de rápidas melhoras a todos foram entregues lembranças (pastelaria fina, bolo-rei, etc.).
Aos homens foi ainda distribuído cigarros e onças de tabaco. Pena foi que as visitas feitas na véspera do Natal tenham coincidido com os espectáculos que a Direcção dos Hospitais promoveu para recreio dos doentes, do que resultou não se ter podido visitar alguns doentes que a essa hora assistiam àqueles espectáculos. Mas nem estes foram esquecidos pois deixamos os pacotes que lhes eram destinados ao respectivo pessoal de enfermagem e menor que foram de uma gentileza cativante para com os directores que ali se deslocaram.
Não queremos terminar este noticiário sem prestar aqui pública homenagem ao espírito generoso dos seguintes sócios ou firmas a que pertencem:
A Central da Baixa do nosso consócio sr. João Silva,
A Rivier por intermédio do n/ sócio, ex.mo sr. Dias da Silva,
Café Paladium, por intermédio do n/ sócio, ex.mo sr. Ferreira; ex.mo sr. Silva, sócio da Pastelaria Suissa que do seu bolso nos ofereceu todo o tabaco distribuído aos doentes.
A todos esta Direcção agradece reconhecidíssima a atenção que nos dispensaram em nome dos sócios e dos doentes contemplados com a sua substancial ajuda nesta cruzada do bem-fazer.
Todos os doentes agradavelmente surpreendidos pela nossa visita, nos testemunham inquivocamente quanto os sensibilizou a nossa lembrança, tendo sido verdadeiramente consolador para os nossos espíritos verificar que a nossa presença lhes insuflou um pouco de esperança e que as nossas palavras amigas os enterneceram de gratidão.
26-12-1952.
Abílio dos Santos
O Secretário
A Caneta Parker 21 é esplêndida Vende-se na Gráfica Celinda, Ld.ª — Sertã.
A Comarca da Sertã
EDITAL
Recenseamento Eleitoral
Célio Marnoto Corujo, Chefe da Secretaria da Câmara Municipal do Concelho de Sertã
Faz saber, nos termos e para os efeitos do art.º 10.º da Lei n.º 2.015, de 28 de Maio de 1946, que as operações do recenseamento dos eleitores do PRESIDENTE DA REPÚBLICA e da ASSEMBLEIA NACIONAL para o ano de 1953, terão início em 2 de Janeiro e terminarão em 15 de Março do mesmo ano.
Ao abrigo do disposto nos Art.º 1.º e 2.º da citada Lei:
São eleitores e, como tal, recenseáveis:
1.º — Os cidadãos portugueses do sexo masculino, maiores ou emancipados, que saibam ler e escrever português.
2.º — Os cidadãos portugueses do sexo masculino, maiores ou emancipados, que, embora não saibam ler e escrever, paguem ao Estado e corpos administrativos quantia não inferior a 100$00, por algum dos seguintes impostos: contribuição predial, contribuição industrial, imposto profissional e imposto sobre aplicação de capitais.
3.º — Os cidadãos portugueses do sexo feminino, maiores ou emancipados, com as seguintes habilitações:
a) curso geral dos liceus;
b) curso do magistério primário;
c) curso das escolas de belas artes;
- d) curso do Conservatorio Nacional ou do Conservatorio de Musica do Porto;
e) curso dos institutos industriais e comerciais.
4.º — Os cidadãos portugueses do sexo feminino, maiores ou emancipados, que, sendo chefes de família, estejam nas mesmas condições indicadas fixadas nos n.os 1.º ou 2.º.
Para os efeitos do disposto neste número, consideram-se chefes de família as mulheres viúvas, divorciadas, judicialmente separadas de pessoas e bens ou solteiras que vivam inteiramente sobre si.
5.º — Os cidadãos portugueses do sexo feminino que, sendo casados, saibam ler e escrever português e paguem contribuição predial, por bens próprios ou comuns, quantia não inferior a 200$00.
A prova de saber ler e escrever faz-se:
- a) — Pela exibição de diploma de exame público, feito perante a comissão que funcionará na sede da respectiva Junta de Freguesia;
b) — Por requerimento escrito e assinado pelo próprio, com reconhecimento notarial da letra e assinatura;
c) — Por requerimento escrito, lido e assinado pelo próprio perante a comissão referida na alínea a), desde que no mesmo requerimento assim seja atestado, com a autenticação por meio de sêlo branco ou a tinta de óleo da Junta de Freguesia - d) — Pela respectiva declaração nos mapas enviados pelas repartições ou serviços a que se refere o art.º 13.º da citada Lei.
A prova do pagamento referido nos 2.º, 4.º e 5.º faz-se:
- a) — Pela exibição, perante a comissão de freguesia, dos conhecimentos respectivos, cujos números ficarão anctados no verbete ou processo individual do eleitor;
b) — Pela inclusão no mapa enviado pelo chefe da secção de finanças.
Ao marido se levarão em conta os impostos correspondentes aos bens da mulher, posto que entre eles não haja comunhão de bens, e aos pais os impostos correspondentes aos bens dos filhos menores a seu cargo.
A prova das habilitações referidas no n.º 3 faz-se:
Pela exibição do diploma do curso, da certidão ou a pública forma respectiva, perante a comissão a que se refere na alínea a) ou pela declaração respectiva nos mapas enviados pelas repartições ou serviços mencionados no art.º 13.º, da citada Lei.
Não podem ser eleitores:
1.º — Os que não estejam no gozo dos seus direitos civis e políticos;
2.º — Os interditos por sentença com trânsito em julgado e os notoriamente reconhecidos como dementes, embora não estejam interditos por sentença;
3.º — Os falidos ou insolventes, enquanto não forem reabilitados;
4.º — Os pronunciados definitivamente e os que tiverem sido condenados criminalmente por sentença com trânsito em julgado, enquanto não houver expirado a respectiva pena e ainda que gozem de liberdade condicional;
5.º — Os indigentes e, especialmente, os que estejam internados em asilos de beneficência;
6.º — Os que tenham adquirido a nacionalidade portuguesa por naturalização ou casamento, há menos de 5 anos;
7.º — Os que professem ideias contrárias à existência de Portugal como Estado independente e à disciplina social;
8.º — Os que notoriamente careçam de idoneidade moral.
Todos os cidadãos com direito a voto, poderão requerer a sua inscrição no Recenseamento, ao Presidente da Comissão Recenseadora, por intermédio das Comissões de Freguesia, e deverão mencionar, além do nome, o dia do nascimento, filiação, profissão, habilitações literárias e morada.
Para constar se publica o presente e outros de igual teor, que vão ser afixados nos lugares do estilo e publicados em jornais deste Concelho.
Paços do Concelho, 15 de Dezembro de 1952.
Célio Marnoto Corujo
Visitai Pedrógão Pequeno onde se está construindo a grandiosa BARRAGEM DO CABRIL
Vale a pena percorrer o novo troço da Estrada Nacional n.º 2 na margem esquerda do Rio Zêzere que de Pedrógão Pequeno vai passando no local das antigas Varandas do Zêzere, no sopé do formoso Monte da Sr.ª da Confiança e sobre a confluência do Ribeiro de Pedrógão Pequeno com o Rio Zêzere.
A esplendorosa disposição da Estrada permite agora ver um dos mais majestosos aspectos panorâmicos do «Cabril do Zêzere» tanto na margem esquerda que é do lado de Pedrógão Pequeno, como na margem direita que é do lado de Pedrógão Grande para onde se avista plenamente a confluência da Ribeira de Pera com o morro do «Granada» com as penedias peculiares do «Cabril» e mais alto a capela da Sr.ª das Milagres.
Por esta estrada pode o visitante embrenhar-se no estaleiro da Barragem formidável e gigantesco conjunto de máquinas que só por si prendem a atenção dos visitantes.
Depois da visita descançar e confortar-se no
«Café Cabril»
(Telefone 2)
Praça Ângelo Vidigal
Pedrógão Pequeno
Portela & Irmãos, Lda
Importadores e Exportadores
LISBOA E BENGUELA
Rua do Crucifixo, 16, 2.º D. — LISBOA
Telefone 25605
Telegramas «PORTELINHAS»
Cod. Guedes
Avenida da Liberdade, 1 A 7
Caixa Postal n.º 45 — BENGUELA
Telegramas «PORTELINHAS»
Cod. Guedes
Vai a Lisboa?
Prefira a CENTRAL DA BAIXA
RESTAURANTE — PASTELARIA — SALÃO DE CHÁ
94, Rua do Ouro, 98
Telef. 20280 — Gerência 26674
LISBOA
«Organizações Vaz Serra»
Anuncia e põe à disposição dos seus Ex.mos Clientes, não esquecendo os Automobilistas da Comarca da Sertã, a sua
Grande Garagem de Recolhas
(Rua D. Estefânia, 118 A e 118 B — ao Arco do Cego)
3— Estações de Serviço permanente —3
Venda de:
Gasolina, Gasóleo, Acessórios, Óleos e Pneus
Rechapagem de Pneus
A cargo da UTIC, pelo moderno e eficiente processo — TYRESOLES
Oficinas de:
Mecânica e Electricidade
Os melhores produtos aos melhores preços
GARANTIA — EFICIÊNCIA — COMPETÊNCIA — SERIEDADE
Apresenta aos seus Ex.mos Clientes Boas Festas e deseja-lhes um Ano Novo muito próspero.
Empresa de Moagem do Fundão, LIMITADA
com fábricas de moagem pelos sistemas Austro-Húngaro, de trigo e centeio espoados, e milho, centeio e trigo em rama.
Faz trocas de cereais milho e centeio em rama em nossa casa com desconto de 7%, e para espoados centeio 25%.




