A Comarca da Sertã nº758 10-03-1951

 A Comarca da Sertã

Representante em Lisboa:

João Antunes Gaspar L. de 5, Domingos 18 r/t – Tel. 25505

Director Editor e Proprietário:

Eduardo Barata da Silva Corrêa

Publica-se nos dias 5, IO. 15, 20, 25 e 30

Sertã, 10 de Março de 1951

Hebdomadário regionalista, independente, defensor dos interesses  da Comarca da Sertã: Concelhos de Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei: (Visado pela Comissão de Censura)

Ano XV     Redacção é administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: — GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ Nº758

 

ORE TES TESE NRO

PA TR AR TA

Barragem do Castelo do Bode

e o concelho de Vila de Rei

Se a monumental Barragem do
– Castelo do Bode castou à Hidro-Eléc-
trica do Zêzere 600 mil contos, aos
tomarenses, aos pedroguenses, aos
ebrantinos, aos sertanenses, aos Term
reirenses € aos vilarregenses ela cas-
toa os seus nateiros, os seus lares,
Os seas pomeres, OS seas olivais.
certo que tado isto fol pago pela Hi-
“dro-Eléctrica, mas no entanto, esses
milhares de eontos espalhados pelo
vale do Zêzere, não apagaram a dor,
nem excluiram o sacrifício pedido a
milhares de pessoas em nome do
tem da Nação.

‘ Com grende dor e alegria desta
gente, fezmse à obra e ali está para
qiória da Nação, bem dos portague-

“ses e asseguramento da economia
nacional. Tão grandes motivos repre
“ Sentam am bem maior para a raça
portugaesa, a que as lamárias de maix
“tos zezeranos não paderam impedir

áas nas do serviço da enconomia
macional. Custoa=nos um pouca, mas

* erifícios.
Jazem agora debaixo das claras
e silentes águas do Zêzere, 443 hecn
tores de terreno, arrebatados ao
concelho de Vila de Rei na fária dam
– inverno. já isto representa uma apre-
ciávci redução aos nossos 193,44 quim
tômetros quadrados, mas o que im-
porta considerar, é à natureza dessa
faixa eo longo do rio, a mais rica

em agricaltara no concelho. Isto, pa-
“ra uma região que vive exclasivan

mente da agricaltara, diz tado.

Cingindo-nos a um cálcalo crite

“rioso, (dados absolatos, só daqui a
meses se poderão obter) os nossos
443 hectares apresentam-se assim

– distribuidos: |

58 de terreno regadio, com uma –

produção média de 174.000 li-
tros de milho por ano, 31 de
sequeiro com 46.500 litros de
milho, 200 de olival com 20.000
oliveiras, à prodazir 30.000 lim
tros, 88 cm pinhal, 44 em pix
nhal « mato e 22 em mato. Fal-

ta engfobar ainda mais de 130.

laranjeiras e maitas outras ár-

“vores de frato.

E não nos ficaram lá no fando
só estos riquezas agrícolas, oa o oum
ro misturado com es areias no que
o nosso Zêzere era rico. Para lá ti

caram também sete lugarejos: Foz.

da Ixibeira 3 fogos, Cunqueiro 10,
Foz do Codes 2, Casal da Barca 4,
Hortas 4, Foz da Ribeira das Tratas
2 e Foz da Isna 25. Algumas povoa-
-ções mais, loram àpenas parcialmen=
te submergidas, e cutras menos ri-

beirinhas, nao o foram, mas melhor .
O livcssem sido porque ficaram sem

“condições de vida. Enlim, 118 casas
de habitação, 258 de arrecadação, 35

azenhas e moinhos e seis lagares des
AZehe, vis os csiragos causados no .

es grandes obras exigem grandes sas

concelho de Vila de Rel por um par

redão cotocado no melo do Zêzere. |

A área estava dividida em 2.299 pré-
dios rásticos e urbanos. Estas, as
consequências imediatas. A verba de
indemnização orça por algans milha
res de contos. E como gastaram os

vilarregenses esses milhares de cons .
tos? Parecerá talvez ama perganta –

atrevida, mas reflectindo, que esses
mifhares de contos traddzem um va-
lor patrimonial do concelho, à per-
gunta justifica-se. Pois esses milha-
res de contos, na suá grande malo-
ria, atravessaram O Zêzere e estão
enterrados nos olivais de além=Zê-
zere. Os que escaparam dessa febre,
estão retidos cm mãos cerradas, trun=
fo à espera de melhores dias, para
fazer ama boa cartada em terras do
Ribatejo ou do Alentejo. Uma outra
parcela, felizmente mais pequena, es-
tá a fazer uma vida alegre ce farta,
fatal e irreparâvel

a arrotcar a

ficou à valorizar o concelho, porque
o solo vilarregense com todos os seas
atractivos, não foi capaz de chamar

e reter esses capitais, que sc escoa-

ram quase todos para o Ribatejo €

Alentejo, arrastando consigo famílias.
inteiras à procura duma vida mais
fácil. Em Vila de Rei nem há misé-.
rias nem há fortunas; é um concelho .

decentemente pobre, onde se trabam
lha que nem um forçado e nunca se

enriquece. E porqué ? Devido à falta.

(Conclui na 3.º página)

Duas flores no mesmo pé |

Para M. M. úalca entre tantas

Diz uma trova qualquer
que o vocativo—Maria—
vai bem a toda a malher.
Acredito; 7
também o acho bonito.
Mas perganto:
e o nome de Manuela ?
E se acerta estarem juntos
os dois
e depois
por acaso os pronuncio
ou oiço pronanciar ?
Ah, então,
que abençoada ilusão
me sugere a fantasia!
Parece que rompe a aurora,
ou se levanta o laar
e o canto da cotovia
por esses espaços fora
Enche O ar.
1948.
Cardoso Martha

tas secas E ma- |.
gras, ou o empregou em indústrias
ou tomércio. Muito pouco portanto,

‘ À Casa da
Comarca |.
da fertá
VAI inaugurar em breve a
– sua nova sede
LISBOA, 28 – (Do nosso Repr. João
“Antanes Gaspar): E” assim que

nós entendemos e temos pratica-
do o regionalismo. Não bastam

lhar com afinco e devoção da
causa, tornando essas promes-
sas em incontestáveis realidades.

E” justamente isso que nos é
dado constatar na orientação se-
guida pela já notável direcção da
casa da Comarca da Sertã, pelo
que é justamente crêdora da úna-

bons beirões. |
De harmonia com o plano tra-
gado, e que pouco tempo estev

har contrato par ova
“sede da Casa, problema que, co-

-meiro plano das realizações cons-
rua das Flores n.º 19-1.º andar,

passos do Chiado, cuja inaugu-
ração se efectará dentro de dias.

nimidade de aplausos de todos os

mo já tivemos oportunidade de
acentuar, se encontrava no pri- .

tantes na agenda da relerida di-
A nova sede está sitaada na.

nam bairro aristocrático, a dois

promessas vás: é preciso traba- |

ita

“| cussão da:

Reed NE 306 Je A a REAR

á talento Pacheca

Pacheco estava maduro para a
representação nacional. Veio ao
seu seio, trazido por um governo,
não recordo qual, que conseguira
| com dispêndios é manhas, cpode-
rar-se do precioso talento de Pa-
| checo.

Logo na estrelada noite de De-
zembro em que ele, em Lisboa, foi
ao Martinho tomar chá e torradas,
se sussurrou pelas mesas com ct-
riosidade: :

—« E o Pacheco, rapaz de imen-
so talento !

E desde que as Câmaras se
constituiram, todos os olhares, os
do governo e os da oposição, se
começavam a voltar com insistén-
cia, quase com ansiedade, para
Pacheco, que, na ponta duma ban-
cada, conservava a sua atitude de
pensador recluso, os braços cruza-
dos sobre o colete de veludo, a
fronte vergada para o lado, como
sob o peso das riquezas interiores
e os óculos a faiscar.

de, na dis-

movimento, como para atalhar um
padre zarolho que arengava sobre
a «liberdade». O sacerdote imedia-
tamente estacou, com deferência,
os taquigrafos apuraram voraz-
mente a orelha: e toda a Câmara
cessou o seu desafogado sussurro,

vez primeira produzir o imenso
“talento de Pacheco. No entanto,
Pacheco não prodigalizou desde

| logo os seus tesouros. De pé, com

«Conclai na 5.º pág).

= SE
Sertão»: “os
€ Para O ano que vem, Coimbra e,

com esta cidade, todo o País vão
comemorar mais am centenário da
Rainha Santa Isabel.

reunir todas es contribuições de cam
rácter bibliográfico e biográfico da

1 compilado além do cancioneiro tudo

| quanto possa enriquecer o vasto pam
“trimónio literário c poético de Isabel
de Aragão. o

mão é o «Cancioneiro da Rainha
Santa» para o qual actualmente se
vem trabalhando há mais de trinta
ancs, é de interesse imediato tudo

ção pericita por aquele género de iam
Zer exprimir o espírito, mas que gos»
to muito de ler, leito por quem jeito

Director da «Comarca da.

a Assim por todos os lados para .
| que tal comemoração resulte, estão
os meios intelectuais empenhados em.

Como a obra a sair em primeira.

que refira à poesia para a qual nada |
posso contribuir como seria o mea.
desejo por me confessar uma negam .

– excelsa esposa de D. Dinis, para ser |

Às comemorações do Centenário

‘ da Rainha Santa Isabel em 1952

tenha. Ora, para ama obra de tal

| envergadara, que reune algans mi-

lhares de quadras de vários autores
consagrados, e do povo em: geral,

seria de grande utilidade, para o fam
“lauro, à contribuição da Sertã dada
“Através do sea excelente jornal a
-<Comarca da Sertã» porque não fal»
tam na Sertã clementos apesar de
bem cantarem a vóvó de D. Pedro 1.
Também não feltam na Sertã ele-
mentos de influência para alguns gé-
neros de poesia, pois basta=nos rem

| cordar o Monte-Pio da Rainha San=

ta na Sertã, cajo espólio-—para mal
dos nossos pecados —se encontra, sem
gundo julgo, na posse da Santa Cam
sa da Misericórdia.

Quando me refiro aos nossos pem
cados, quero lamentar o termos dei
-Xado acabar na Sertã tão importan=
te instituição que os nossos avós nos

legaram. É Ro
Esperando assim, da parte de V.,

“a melhor atenção para às comemos

rações a que me venho referindo e

(Conclasão na 2.º pág,

“para que num silêncio condigna-
| mente majestoso, se pudesse pela |


A Comarca da Sertã


“A DEFESA DOS PINHAIS

A Direcção Geral dos Serviços

“florestais e Aguicolas enviou-nos |

a seguinte circular que publicamos
pelo muito interesse que merece |

Ext SE € É

A Direcção-Geral dos Serviços Flores

tais e Aquícolas tem sempreiprocarado de»

Tender—na medida das suas possibilidades

-——o enorme valor económico nacional re»
presentado pelos pinhais portugdaeses, som
amatório das parcelas pertencentés a mais
«de 100.000 proprietários espalhados pelo
País. à “A a
A aproximação da campanha resineim
ra, com a subida dos preços dé exploração
“olerecidos por ferida,’torna urgentes os
“maiores cuidados para que o desregram
«mento na resinagem e a consequente delam
“pidação dos pinhais que atingem os seus
proprietários e o património florestal da.
Nação, não assumam ‘proporções catas-
itróilicas. Re
Aligura-se, por isso, oportuna a maior
“divulgação entre os proprietários ilores»
tais, das inclusas normas de um contrato
gob a forma de Declaração, «reconhecida
por notário», a fazer pelas pessoas ou enti»
dades que pretendam eilectuar a exploram
ção das resinagens, e
Deverão essas Declarações ser entrem
-gues a&os proprietários antes de iniéiada ou

“adiantada a campanha, única forma de eles, :

presentemente, se delenderem com elicár
“cia contra os abusos de que são vítimas.

Algumas das suas regras técnicas são
ligeiramente menos amplas do que aque»
las que a lei aínda tolera, sendo contudo
ainda mais folgadas do que as usadas na
exploração das Matas Nacionais, aa

O Decreto «n.º 28:492», de 19 de Feven
reiro de 1938, estabelece no seu:

«Art. 2.º»—E’ obrigatória a inscrição
ma Janta Nacional dos Resinosos de todas
as pessoas que, por sua conta ou por conta
de outrem, «aluguem» pinhais para resi»
nagem ou «trabalhem»- na extracção de
gema.
«No art. 3.º», prescrevem-se para eleim
o desta inscrição, as categorias: de Comis-
sários, Empreiteiros, Fornecedores e Car
patazes. «O art. 4.º» dispõe que esta ins»
erição deve ser leita a pedido «dos indus»
triais» ou «fornecedores de resina. E no
«art. 7.º» proibe-se a todos os industriais
ou fornecedores contratarem comissórios,
capatazes ou empreiteiros não inscritos na
Junta, ou «adquirirem resina» a fornece»
dores que não estejam inscritos e não tem

nham prestado caução ou fiança na Junta.

Finalmente o «art. 11,º» marca as penali»
dades aos industriais ou fornecedores que
trangredirem o «art. 7.º».

– Além disto, o Regulamento de Obten=
ção de Resina e Trabalho do Pinhal dis»
põe no seu art. 13.º, que Os industriais de
produtos resinosos apenas poderão adquir
rir e laborar resina extraída:

1)—De pinhais próprios ou alugados
«em seu nome» aos proprietários e explom
rados por pessoal «devidamente inscrito»
na Junta Nacional dos Resinosos; 2)—de
inhais da Direcção-Geral dos Serviços
lorestais e Aquícolas ou explorados pela
Junta Nacional dos Resinosos; 5)—de pim
nhais directamente explorados pelos seus
proprietários. E no «$ 2.º» do mesmo ars
tigo adverte-se que: «E’ sempre punível»

a simples entrada «em qualquer fábrica, |

de resina» que não tenha qualquer das
«três proveniências» acima indicadas.
Pelo «art. 14.º» do Regulamento, os
industriais «são disciplinarmente» respón=
sáveis pelo «pagamento do aluguer do pi»
nhal» que tenha sido contratado «por si»,
ou por intermédio do pessoal inscrito na
Junta «em seu nome».
O «$ 1.º» do «art. 28.º» diz que os in»
dastriais são «responsáveis pelas infracu
ções» a este regulamento, cometidas pelo
«pessoal’ao seu serviço». E nos$86.º€e7.º
do mesmo artigo esclarece-se:
– 86º-—Se o industrial autor da infraex

vão a tiver praticado com o propósito de.

obter uma vantagem de qualquer espécie,
a pena mínima que lhe poderá ser aplicam
da, é a de três meses de suspensão, pre-
vista no n.º 3 do art.º 26.º do Decreto n.º
29:630,

$ 7.º—lIgual pena é de aplicar ao in
dustrial que, não tendo praticado a iniracn
ção, «aceita, todavia, os benefícios da trans
gressão»realizando contratos com o «trans
gressor», ou que se torne cúmplice deste,

jacilitando ou contribuindo para a prática

do acto irregular.

Por último esclarece-se que pelo «art.
4º» do Regulamento se encontra há anos
suspensa a inscrição e actividade da catem
goria dos chamados “Fornecedores da
resina”. dc nao

Em resume:

Pelo que antecede, verifica-se que o
proprietário «só deve» entregar a exploram
ção dos seus pinhais mediante as inclusas
Declarações-Contratos «reconhecidas por
notário», assinadas por pessoas que «pro=
vem» com documento passado pela Junta,
ou pelo própric industrial, estarem ali ins»
eritas e trabalharem em nome deste; quan»

– população.

6 do M ARÇO fechou com chave de
can OUrO: O Sol sargiu lin
-FEVEREIHO do, em todaa saa ma.
jestade e salvo a ventania agreste
dos fins da áltima semana, o tempo
modilicou=se por completo, verilicans
do-se «uma estabilidade que é àlta-
mente vantajosa para a agricáltura
por propícia à cava das terras desti-
nadas à plantação da batata c sem
menteira do milho e outras culturas
da époea. Mal o tempo levantou—
pois que o mês de Fevereiro foi bem
jarto de chuva, Írio, vento e nevoeim
ros—o lavrador, sempre assisado e
prudente, —iniciou a sua faina admin
rável, atirando-se à terra como San»
tiago aos mouros para que ela pro
duza à larga ‘o pão bendito e o ali=
mento de que ele € todos nós care-
cemos..
-* E grande deverá ser o ardor na
sua campanha louvável pela satisfam
ção que uma longa e regrada inver-
nia -há provocado no seu espírito: o
solo fartou=se de água, rios, ribeiras
e ribeiros correm caudalosos e as
nascentes devem estar saturadas, O

“que é promessa de Verão de boa rem |

ga, mesmo que o calor venha a ser
ardente e se prolongue até os Íins da
estação. =

Pareçe que há muitos anos o mês
de Fevereiro não registava tão alto
grau de pluviosidade como este.
– RA” Sertã têm chegado elevadas
porções de batata para plantação e
adubo, tudo das melhores qualidades.

Notícias de Niza ,,DizE’s se

grande a sam
tisiação da gente do Tolosa porque
lhes foi distribuido, em courelas, o
latilándio de 1.200 hectares, conhecim
do pela herdade do Carvalhal, aspi=
ção de há muitos anos. A divisão foi
feita de harmonia com o parecer da
Junta de Colonização Interna: dois
quintos da área total couberam aos
proprietários que ali tinham as suas

parcelas de terras; e os restantes |

três quintos foram divididos pela pom
pulação em 486 glebas, ficando ainda
18 por atribuir.

– E uma medida altamente benéfi=

“ca pára aquela rica zona agrícola,

onde é muito grande a densidade de

DOENTES
Têm estado grâvemente doentes
as sr.*º D. Maria Tomásia Pinto An»
tunes, esposa do sr. Manuel Antanes,
comereiante nesta praça, e D, Luísa
Mendes.
Fazemos sinceros votos pelo res»
tabelecimento das enfermas.

do tal se não verilique, «deve pelo menos»
exigir-se que a declaração seja «também»
assinada por um «liador idóneo».

De outro modo, o proprietário, por via

de regra, arrisca-se a fazer contrato com

agentes que «não têm por onde responder»,
e de que poderá resultar «não receber» o
preço ajustado para a exploração, e ser o
«próprio proprietário» o responsável pelas
transgressões cometidas no «seu pinhal» e
pelo «consequente pagamento das respee=
tivas maltas», nas liscalizações que esta
Direcção-Geral pode fazer.

Mais vale «sempre» receber o prox
prietário menor preço por ferida, mas nos
termos legais e de «garantia para si» e pax
ra O «rendimento futuro» dos seus pinhais.
Fóra destas condições, pode o preço por
incisão, por «mais alto que seja», ser lar»
gamente «excedido» pelos prejuízos e in»
cómodos resultantes.

e A bem da Nação

Direcção-Geral dos Serviços Flores
tais e Aquícolas, em 20 de Fevereiro de 1951.

O Director-Geral,
a) F ilipe Jorge Mendes Frazão

P. S.— Se forem solicitadas a esta Dix
reeção-Geral, podem ser remetidos exem«
plares da Declaração-Contrato destinados

“a cada um dos proprietários de pinhal que

tenham ajustado a exoloração da resi»
nagem.

| À Comarca da Sert3

Quatrocriadasserviçais

— Joaquina ?

— Minha senhora !

— Que estás a fazer ?

— A lavar as patas dos pombos.

— Filomena ? À á

— Minha senhora !

—Que estás a fazer?

— Estou a segurar os pombos en-
quanto a Joaquina lava as patas.

— Luísa ? E

— Minha senhora !

— Que estás a fazer?

— À segurar a bacia onde a Joa-
quina e a Filomena lavam as pa-
tas dos pombos.

— Margarida ?

— Minha senhora !

— Que estás a fazer?

— Estou a ver se a Joaquina, a

Filomena e a Luisa fazem bem o

serviço !

Mania bem conhecida

Uma mulher deitou-se a afogar
no Douro.

Logo que o marido o soube,
muito pesaroso, vai à procura de-
la, rio acima. Como alguém lhe
notasse o disparate, respondeu mui:
to convicto:

—Eu cá bem sei o que faço…
Minha mulher fazia sempre as coi-
sas ds avessas. Deve ter vindo pa-
ra cima !…

Necessidade de um idgal de vida

cNa limitação natural das fa-
culdades humanas a perfeição não
existe, mas o aperfeiçoamento pro-
gressivo é lei da vida moral, Há
que copiar pacientemente um mo-
delo, não perder de vista os pontos
de referência, realizar um pensa-
mento de vida. A função do ideal
—modelo, aspiração ou guia—é
vincar a orientação superior das

faculdades humanas, não deixan- |
do que se extraviem com as mil

contigências da vida, com as mil
contradições das doutrinas, com as
mil adversidades do tempo».

SALAZAR
Pes

IMPOSTO DE TRABALHO: Foi deter.

superiormente que os carros puxados
por animais de raça asinina fiquem
sujeitos ao pagamento do imposto de
prestação de trabalho, sendo Iixada
a respectiva taxa de remissão em
10800.

Editos – Concessão

Faz-se público, nos termos e pa-

“ra os efeitos do art. 31.º do decreto»

lei n.º 18.713 de 1 de Agosto de 1930,
que Minas da Sertã, Ld.’, requereu
a concessão da mina de galena, de-
nominada Lameiro Chapado, situam
da na lregucsia de Várzea dos Cam
valeiros, concelho de Sertã, distrito
de Castelo Branco, registada nã Câ-
mara Manicipal do referido concelho

em 13 de Abril de 1949 e convidam-

se todas as pessoas a quem a citada
concessão possa prejudicar, a apre-
sentar .as suas reciamações neste
Ministério dentro do prazo de ses-
senta dias, contados da datã da pum
blicação deste édito no «Diário do
Governo».
Repartição de Minas, 16 de Feven
reiro de 1951.
-* O Eng.º Chefe da Repartição,
Alcino da Silva Gomes

DR. ALBERTO RIBEIRO COELHO

MÉDICO :
Doenças da boca e das dentes

“Consultas todos os sabados na

SERTÃ —R, Manuel Joaquim Nunes

Comércio do PESO

VILA DE REI

João Domingos de Ollvolra
JUNIOR €

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Vinhos e seus derivados.
Solas, Cabedais e outros artigos: .

António da Silva Dias
com estabelecimento de louças de vim
dro, e esmaitadas, completo sortido
de fazendas de algodão, ferragens,
mercearias, vinhos finos e de mesa,
Grande variedade de oatros artigos.

António Inácio Gil
COM estabelecimento de VENDA de
PEIXE fresco e salgado, TALHO,
Vinhos e seus derivados.
Refrigerantes, ete.

José Maria Fernandes
Com
Estabelecimento de Venda de vinhos
finos e licorosos, de pasto, |
xaropes, reirigerantes, etc.

Manuel Domingos

de Oliveira
com estabelecimento de vinhos finos
e de mesa, licores, refrigerantes,
conservas, « Secção de fabrico de
CALÇADO, Ete.

Abilio José de Moura

com estabelecimento de venda de cem
reais, adubos para todas as culturas,
bebidas Íinas, refrigerantes, confeitam
ria e grande sortido de
outros artigos.

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pais casas da especialidade—de ram
toeiras para ratos em todos os sistc
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Telefone 30206


A Comarca da Sertã


mesm” Cimprgniemts semcr verrormpoges

Às camemanações

da Centenáxia

da Rainha Santa Isabel
em 1952

(Conclusão da 1.º pág.)

que julgo de interesse imediato tan=
“to para a nossa terra como para o
seu jornal, passo a dar a direcção
do meu ex.mo amigo dr. José Pires
da Silva, coronel médico em Evora,
com quem já tratei a respeito da
contribuição a dar pela Sertã para o
“«Cancionciro da Raínha Santa» a
sair para fins do próximo ano e ain»
da para o «Cancioneiro de Coimbra»,
a sair cm data ainda não deter-
minada.
“Com as minhas melhore sauda»
ções, subsecrevo-me, etc. ‘
Estremoz, 22/2/951.
Adélio Nunes e Silva Campino
«Chamava-se Dinis, Dinis esse
rei bem amado, esse rei de saudosa

memória.
O povo adorava-o,-e ele bem no

merecia, pois trabalhava por que |

nada lhe faltasse.

Mendava lavrar as terras, caltim
pvá-las, e as terras abençoadas por
tanto amor, produziam que cra ama
coisa por demais!

Tanto pãostanto vinho,tanto azeite!

Campos, até então, maninhos, co=
meçavam agora a vestir-se de pl-
nheirais, assim, muito calados, mui»
to tristes…

E toda a gente dizia:

-—QOnde existirá princesa merece
dora do nosso rei bem amado, do
nosso rei trovador!

D. Dinis já tinha escolhido.

Oavira um dia falar de uma prin
cesa tão linda como boa, que havia
lá p’rás bandas de Aragão, e val cle
mandou-a logo pedir em casamento.

A princesa, por sea lado, ouvira |
contar tais coisas desse rei, que lhe

disse que sim.

“Pôs-se, então, de abalada, mais
à sua comitiva, para as terras de
Portagal. e

Por onde passava, as florinhas |

abriam, como que a sorrir, a dar=
lhe as boas-vindas; os passaritos,
chilrcavam; as malheres do povo
ajoclhavam à beira dos caminhos,
e diziam: e

— (Que linda! Sê benvinda, Princen
sa, Senhora Nossa, e que a graça da
tua alma seja como a graça do tea
rosto! Fo

Ela ouvia e sorria… sorria dos
cemente como uma princesa de balada.
– El-rei, sea noivo, foi ter=lhe ao
encontro, e, durante muitos dias, só
houve festas. Era Portugal um céa
aberto!

Casaram. –

Não há ninguém em Portugal que
não saiba a história desta raínha tão
boa. Visitava os pobres, dava-lhes
esmolinhas, tratava dos doentes, e
nem, sequer, tinha nojo |»

Ovalor da cultura física:
Em Buenos Aires, capital da Argen=
tina, há um portugués, de nome Fran-
cisco Furriel, que, apesar de contar
a idade de 79 anos, ganhou recente»
mente uma prova de natação e prem
para-se, agora, para uma viagem a

pé desde aquela cidade ao Rio de Jam.

nceiro. :

“As proezas do nosso patrício, já
tão adiantado em anos, são de meter
muitos jovens num chinelo! Vê-se
que à edacação Íísica serve para mais
alguma coisa do que para conservar
a saúde. Dos moços que por aí vem
mos, alguns deles, com aspecto de
enfezados, indolentes e sem mostras
de qualquer esforço físico de valor,
qual seria capaz de façanhas semen
lhantes ?

Ó talenta de Pacheca
(Conclasão da 1.º pág.)

o dedo espetado, gesto que foi sem-
pre muito seu, Pacheco afirmou
num tom que traía a segurânça
do pensar e do saber intimo:—«que
ao lado da liberdade deviá tem-
pre coexistir a autoridade!» Era
poúéo, decerto, mas a Câmara
compreendeu bem que, sob aquele
curto resumo, havia um mundo,
todo um formidável mundo, de
ideias. Não volveu a falar duran-

te meses,—-mas o seu talento ins-

pirava tanto mais respeito, quanto

“mais invisível e inacessível se con-

servava lá dentro, no fundo do
seu ser.

O único recurso que restou en«

tão aos devotos desse imenso ta-

tento (gue já os tinha, incontáveis) |
foi contemplar a testa de Pacheco

—ecomo se olha para o céu, pela
certeza de que Deus está por traz,
dispondo. |

Informações

Úteis

Imposto Complementar
Declarações
São entrgues:

Até ao dia 15 de Março próximo,
por todos os indivídaos cujos rendi=
mentos anuais Igualem ou excedam
50 contos. Se em anos anteriores já
foi feita a entrega dessa declaração,
a renovação só se terna obrigatória
quando tenha havido alteração nos
rendimentos ou na morada do con»
tribainte.

— Até ao dia 31 de Março próxi-

mo, por todas as sociedades em no=

me colectivo, por cotas, em coman»
dita simples e por outras entidades

“ Colectivas, na Secção de Finanças do

Concelho ou bairro da sede, sejam
quais forem os rendimentos globais.
imposto Profissional

Pagam-se até 31 de Março com

juros de mora, todas as colectas de

imposto profissional inferiores a

200800, de profissões liberais e, bem:

assim, todas as prestações das coleem
tas divididas em duas ou quatro pres-

| tações, cujo pagamento da 1.º não

tenha sido realizado em Janeiro.

Imposto sobre aplicação de ca

pltais-Seeção B-Juros do

suprimentos .

O imposto por eles devido (14º), é
a taxa de compensação) deve ser des
contado, no acto do pagamento ou
crédito de juros, e entregue ao Esta-
do, pela sociedade devedora, no mês
seguinte àquele em que fol efectuada
a operação de pagamento ou erédito.

Caixas de Previdência
Depositar, de 1 a 10 de cada més,
as importâncias das respectivas con«
tribaições.

Fundo do Desemprego
O dia 10 de cada mês é o último

dia para o pagamento do Fundo do |

Desemprego.

À acção da Casa do
“Povo do Peso
PESO, 2 -E” de salientar a benéfin
ca e continua acção de assistência da
Casa do Povo desta localidade em
prol dos trabalhadores pobres e de

suas famílias, extensiva a toda a |
Não presta cla, apenas,

fregaesia.
assistência médica regular, mas tem
distribuido subsídios na invalidez, por
nascimento ou morte, etc. E” justo,
pois, que todos quantos possam dis-

pensem à átil instituição todo o aus
xílio financeiro e .o maior amparo .

s,

moral –E.)

EÇA DE QUEIROZ

= cotar – e eneegeesemo

À Comarca da Sorlã ==

A Barragem.

do Castelb do Bode 6 0 congalho
do Vila de Rei

(Conclásão da 1º pág)
dé comunicações que valorizem às
nossas riquezas. E aqui está, que se
O nosso concelho não foi O mais sab-
mergido, foi pelo menos o mais afee-
tado ha sua vida. Ficámos sem as
terras e o dinheiro fagiu-nos todo.
Tado quanto essas riquezas nos pro=
porcionavam de conforto, bem-estar,
garantia e ostentação, não o pagam
ram esses milhares de contos, por=
que não éram dum vilarregense, mas
de todos os vilarregenses. O reflexo
do bem é infinito. Só outro bem o
poderá igualar € nós acreditamos que
todo o sacrifício tem a sua recom»

pensa. Vila de Rei contribula para a

realização duma grande cbra: a Bar-
ragem do Castelo do Bode, sacrill-

cando o sea corpo e a saa alma pa=

ra 0 bem dos portugueses. Hoave gem
nerosidade, houve Sacrifício, houve
patriotismo. |

Um terramoto de 1755, uma der-

rota de Alcácer-Kibir, um ciclone de
1941, são flagelos de ordem excênm
trica, mas o bloqueio dos vilarregen-
ses, foi facto previsto c é obra da vam
lorosa raça lasitana. A vontade, à
força, a inteligência, a decisão que
encheu o vale do Zêzere de água, é
também capaz de encher os vilarre=
genses de alegria. Urge remediar um
estado previsto e criado. As águas
do Zêzere estão ali para serem aos
vilarregenses, oa fonte de progresso
oa causa de rulna.
“A quem cabe olhar pela sorte
destes eidadãos portugueses ?.

— as que é que os vilarregenses
querem ?

—Os vilarregenses, povo pacífico
€ laborioso, amante de Deus e da

“Pátria, imploram um olhar benévolo
“para os seas problemas craciais. Que-

rem ver uma estrada rasgada no cs
correr destas lombas para o rio, quem
rem ver nas águas do Zêzcre aum bas

telão capaz de transportar veículos :
pesados a ligar-=nos às estradas do

Ribatejo. De resto, traçar uma estram

da de Vila de Rel para a Foz do Con .

des pela lomba do Tenchão, é satism
fazer a uma necessidade já milená-

ria, manifestada por todos os povos .
que calearam o solo vilarregense. Os .

romanos nas saas cavalgadas trian=
tais seguiam por esta lomba, os moum
ros nos seas golpes às montanhas à
procura do ouro, desciam por esta

lomba, os franeeses de Napoleão, co=

mandados por Janot, por ela desce-
ram também às campinas do Riba-

“tejo. Em meio sécalo assistimos a

uma boa dezena de vezes ao seu ali«
nhavo e contado ainda não vimos
nada, mas a esperança ainda se nós
não apagoa. Rasguem-nos uma es-
trada de Vila de Rei para a Foz do
Codes, e vereis os nossos trabalha=
dores atirarem os braços ao céu €
gritarem: Bravo! Viva a Barragem
do Castelo do Bode!

Enquanto não riscarem o nosso
concelho com estradas a ligar-nos
ao mando, à nossa terra enquadrada
a ocidente c a sul pelas águas do Zê&-
zere c a norte e oriente por serra=
nias abruptas e vales profandos, es=
tá condenada a ser a imperturbável
esfinge, eternamente olhando o que é

“O progresso nos concelhos limítroles.

Valadas, 25/2/1951
“ Mário Francisco Alves.

Angelo Lopes: bra regres=

sou à Sertã este nosso amigo, que

| ali permaneceu algumas semanas em

tratamento e cujo estado de saúde é

satisfatório, o que muito nos apraz
noticiar. Desejamos as suas rápidas
* melhoras.

atacama O Contiho
de Urbanização : reúnc no pró:
ximo dia 17 para tomar conhecimena
to da deeisão da Câmara accrea dá
antepiano de urbanização da Vila da
Sertã e, sobre o mesmo, emitir o sed
parecer..
“Vemos que este assúnto, de tantá

magnitade, se arrasta tempo exccsa

sivo, pois que a reunião da Ebmará
se realizou em 20 de Fevereiro. Quas
se um mês entre as daas reaniões, é

“de mais! Resta saber quanto tempó

demorará, ainda, à apreciação na Res
partição de Estudos de Urbanização:
Exactamente como disse o vogal
do Conselho Manicipal, sr. Antonio
Barata c Silva, na reanião conjunta
da Câmara e daquele Conselho de 39
de Janeiro, afirmamos nós também
«… não há tempo à perder». Im»
pôem-no os interesses da Sertã,

Aos nossos estimados
assinantes de Lisboa,
para quem acabamos de enviar recis
bos das assinaturas, por intermédio
do Correio, pedimos o favor de 09
liquidar mediante a apresentação; .
dados os excessivos encargos qué
oneram à publicação da gazeta; quais
quer devolução causa=nos elevado
prejuizo, atendendo, sobretudo, à eles

vada despesa que comportam as cos
branças.

Mulheres d’armasl
Três raparigas, uma canadiana, uma
nco-zelandesa e ama inglesa, partie
ram de automóvel de Londres pará
uma jornada de 32.000 quilómetros
atéà Nova Zelândia, viajando de baára
co apenas 8.000 quilómetros. Espes
ram chegar ali em fins de Agosto;
seguindo pela França, Bélgica; Alem
manha, Austria, Itália, Jugoslávia;
Grécia, Turquia, Iraque, Irão; Aígas
nistão, Paquistão, India, Ceilão e Ausa
trália, Deve ser a primeira viagem
tentada exclusivamente por rapas
rigas.

Aí, valentes! E não quistram lés
var nenham rapaz com elasi Lá tém
as suas razões!

et | Fr“ Até o fim
Imposto Complementar : doer
te mês de Março é obrigatória a en»
trega, nas Secções de Finanças, por
parte das sociedades, quaisquer que
clas sejam, das declarações do im
posto complementar, incorrendo nã
multa mínima de 6.250$09 as que d
não fizerem.

Antônio Barata q Silva; Tem passo

incomoz
dado de saúde este nosso querido
amigo, por cujas melhoras fazemos
os mais ardentes votos.

“Sebastião Inácio Nunes Xavfgr 5

eve ter embarcado no dia 7, à
bordo, do <«Higland Princess»; para
à cidade de S. Paulo (Brasil), onde sé
vai dedicar à vida comercial, esté
nosso estimado assinante, nataral de
Proença-a-Nova, ao qual apetecemos
uma boa viagem e as maiores prosa

peridades.

VOLTOU À INVERNIA! 3º Jetro, é:

vereiro a 5 de Março houve sol ras
dioso e temperatara benigna; na 3º
feira, vorém, o barómetro deà ama
brusca reviravolta, voltando à sefis
tir=se frio intenso € a chover.
Durante a noite de 4.º para 5.º é
neste dia calu granizo com gratidé
estrépito, tamborilando nos vidros, &
em tal intensidade que os campos, 06
telhados e as ruas se mantiveram
branquinhos derante largos minutos:

Postais da Sertã

ma nova c interessante colecção,

| & venda na Grética Celinda:


A Comarca da Sertã


árvore plabeia que rende milhões
tom de ser defendido

O pinheiro é a árvore plebeia; a árvo=
ge do povo, desde sempre, que foi, duran»
ge anos e anos, ridicularizada, insultada,

gaiada, atirada paro O rol do esquecimen-.
o pinho eraa madeira popalar, .

to—porque à 1
com a qual não se faziam mobilias, nem
escoras para minas, nem navios, nem cha-

“fipas do caminho de ferro… As mobilias

— as pouçes que havia, porque milhares de

Momens viviam, então, em cavernas aber=

tas nas rochas, eram de castanheiro ou de
carvalho; as minas ainda não jinham sido
quase que descobertas e muito menos ex+
ploradas racionalmente, os navios não
atravessavam os mares € OS eceminhos de

ferro só centenas de anos depeis aparece-

rom, com grande desgosto dos nossos bisa-
«ós, que viam nas máquinas moastrdosas
a lançar fogo pelas guelas insaciáveis na»
da menos do que obra do diabo…
Mas, pouco depois da Independência a

“* mitória do pinhelro começoa & surgir nes=

ge País ribeirinho que ia ser dono dos cin-
«o oceanos. OQ rei Dinis mandera plantar
o imenso pinha! nas areias quentes dos
“4ermos-de Leiria, para prender as dunas
“movediças e perigosas, € dali saiu a man
dera com que se ensaiaram OS primeiros
passos na arte de construir barcos e, dem
toros e tábuas com que se cons
naus em que Os navegadores
da aventura e do heroismo atravessaram O
«mar portugaês» e foram, mais longe ain-
da, sempre mais longe, à outros oceanos e
longínquas terras, levar a nossa língua, à
sossa fé e a nossa civilização. O pinheiro
Maumilde, popular, pobre e barato, vinga-se
do ostracismo a que O haviam votado dum
xante séculos e começa à prestar altos
1Ç os portugueses.
Po pente E Piahal do Rel, outros pinhais
«se semeoram—o pinheiro bravo nasceu em
Ziberdade e alegria, companheiro e amigo
“do Sol, onde o terreno se mostrava propt-

“io no seu desenvulvimento. Então, O pi=

aheiro, árvore dos pobres que OS burgue- –

ses não queriam nem para carvão, mu

coa cobria milhares de hectares do
solo portaguês e começou a ser serrado,
trabalhado, aplainado e utilizado pelo ho-

“mem. O pinhetro estava vitorioso, e nas»

da serração—indástria das
dá de comer ds Ei
Thares de famílias, trabalho a muitos mi-
nus de homens. E, anos passados, a mar
deira de pinho — esplêndida, magnífica,
amarela, dourada como o Sol que a jaz
medrar—toi peles mares fora, para terras
estrangeiras, em troca de prodatos que O
nosso solo não cria mas de que os portu=
gueses precisam.

cera a indástria
wnodelras—que

– pinheirinho bravo dos nossos bosques e flo=

restas ainda não chorava 0Uro. Quando es-
se dia chegou, quando a resina encheu

“Marris e as fábricas de serração laboravam

“ro comprava e compra,
” pinheiro foi clamorosa € retumbante !

a pleno rendimento e OS bojos dos navios.
se enchiam de tambores de pcz € de aguar-
gás e de toros e barrotes que U -estrangei-

Com o rodar dos anos, as duas indás-

“frias afins—resinagem € madeiras—desen=

“ polveram-se – extraordináriamente e nos

– utilidade para regalar O

mercados internos e externos 03 produtos :
do pinheiro bravo conquistaram am lugar |

de tamanho destagae que hoje 0 seu valor

“. se traduz em mais de um milhão de contos.

As iHorestas já não são, sômente, um mO-
tivo de beleza, uma atracção tarística, uma
clima oa prender
os dunas que tentam invadir a terra úbere.
Hoje os florestas são, principalmente, uma

inestimável riqueza que é preciso conser= .
‘ war e engrandecer, porque

dão trabalho a
centenas de milhares de. portagaeses €
contribuem para a economia nacional com
muitos milhões de escados. Há, portanto,
que conservar as florestas, não as desbas»
tar inclemente e inconscientemente, não
matar as árvores, não lhes causar doenças
incuráveis, não as expor às rajadas tão

“fracas que mal se aguentam. Em resamo :
não tirar ao País um dos seus mais impor»

tantes rendimentos. E a verdade é que

está a fazer-se isso mesmo.
De há anos para cá, com o progressivo

desenvolvimento da indástria da resinagem

—a resina vale ouro nos mercados estran-

geliros! —o8 empreiteiros começaram à tim
rar do pinheiro o maior proveito possível,
não se importando com as regras que à
lei determina, rasgando a árvore, ferin-
do=a de morte, muitas vezes, provocando-
the doenças fatais, enfraguecendo-a, mi»
nando-a de um nal que não perdoa. A árm

– pore morre, parte-se, esiarela-se—e não

dá mais nem resina nem madeira; quer:

dizer, perdem todos: 08 resineiros, os inn

“ dastriais de madeiras, O Estado, o País,

Agora é a altura de se tratar do case

“a sério, de se evitarem mais mortícinios,
“ . de se salvar o que resta nas nossas ilores-
“sas, e, antes que seja tarde de as repovoar.

Estauuz cm Feveeirô, no mês em que se

E

rem e mm A 2 a

Não aparecera ainda a |
: êndústria da resinagem € O pobre e plebeu

então a vitória do –

cette

Julgamento em Tribunal
Colectivo

No dia 28 de Fevereiro, respon-
deu, no Tribunal Celectivo desta
comarca, acusado pelo Ministério
Público, António Fernandes Mar-

“tins, solteiro, jornaleiro, de 1$ anos,

tins e de Piedade da Conceição,
du Aldeia da Metade, freguesia do
| Carvalhal, de, em fins de Feverei-
ro ou princípios de Março de 1950,
ter tido relações sexuais ilícitas
com Piedade da Conceição Aunes
Brito, solteira, domeéstica, então
com 1% anos, moradora no lugar
do Salgueirinho, freguesia de Cer-
nache do Bonjardim, contra sua

| vontade e por meio de violência

física e veemente intimidação, des-
florando-a.

“Atendendo a que os factos ve-
rificados caracterizam, não o cri-
me de violação, de violência física,
coacção moral ou outra fraude, nena

“do ao pudor, foi o réu condenado
na pena de 18 meses de prisão cor-
reccional, no imposto de justiça de
1.200%00, em 400800 de remune-
ração ao seu defensur oficioso e em
8.000$00 de indemnização à ofen-
dida. o

O Tribunal, porém, atendendo
ao provado bom comportamento
anterior do réu, à sua menoridade
e à circunstância de ainda não ter
sofrido outra condenação, suspen-
deu a execução da pena por dois
anos, condicionando a suspensão
pelo pagamento da indemnização
arbitrada à ofendida e sua prova,
nos autos, pela junção do conhe-
cimento do seu depósito na G. G.
D. C. P., em sessenta dias, À sus-
pensão não abrange o imposto.

faz a escolha dos pinheiros a aproveitar
para a sangria. E” absolutamente necessár
rio que as brigadas técnicas não deixem
marcar árvores que não devem ser apro-
veitadas para dar resina; é indispeusável
que essas brigadas castiguem severamente
quem se preparar para abrir feridas em
érvores que com grave perigo para a sáa

quanto é tempo, que essas brigadas façam
cumprir a lei: que só deixem extrair resi=
“na de pinheiros que tenham, pelo menos,
trinta centimetros de diâmetro, à altura do
peito do resineiro (94 centímetros de abra»
cc e 1,25 de altura, pelo menos). Torna-se
necessário, neste mês de Fevereiro quando
por esse País fora os resineiros empreltei-
ros estão a fazer Os seus contratos com os
“proprietários de pinhais, que as brigadas
técnices. ensinem os trabalhadores e não
permitam eriminosas loucuras, mostrando-
lhes como se abrem as feridas, segundo a
idade e o tamanho da árvore, dizendo-lhes,
e ifazendo-lhes seguir o conselho, que as
sangrias do primeiro ano, ou de rés-dó-
chão, devem ser começadas junto à base e
que a sua exploração deve ser continuada
– por ordem nos três anos seguintes podén=
do abrir-se nova ferida na base do tronco
ao mesmo tempo que se explora O quarto

se deienderá a floresta e é assim que o pi=
nheiro, árvore plebeia que rende milhões,
terá de ser defendido. Basta seguir o que
a lei manda e que a Junta Nacional dos
Resinosos tão inteligentemente preconizal

Estão, agora repetimos, a fazer-se Os
“contratos de aluguer dos pinhais que vão
ser feridos e dos quais as lágrimas de re-
sina cairão, suave e lentomente, como nus
ma imaginária foate da fortuna. E’ a alta-
ra de encarar convenientemente-enêrgi-
camentei—o problema, não deixando que
para obter mais resina se matem as ár»

vel e urgente necessidade de conservar 0
pinhal, que interessa ao industrial e c0=
“merciante de madeiras; que interessa ao
resineiro, porque representa a continuida-
de’ do seu trabalho bem remunerado (que
lucra o resineiro em ganhar maito’ este
ano à custa da vida da árvore, sea mata e,
“portanto, de ano para ano, vai tendo me-
nos árvores, até chegar e não ter nenhu-
mo?) que interessa ao proprietário, ao
qual convém que o seu pinhal continue a
render e não que desapareça, mesmo que
em dois ou três anos seguidos lhe dêem
– mais pelo alugaer. Interessa, acima de ta-
do, conservar, manter, melhorar, alargar
um património que é do Nação —tão pobre

de meatérias-primas—o património Hores-

“A Comarca da Sertã

filho de Joaquim Fernandes Mar-

“o de estupro, mas sim o de atenta-

‘pida, não devem ser sangradas. Urge, en-

e áltimo ano da ferida anterior. Só assim:

vores. E’ o momento de clamar a inadiá- |

PS

aresta

Datena

ram motivo de uma representação

vidade da situação

O Grémio Nacional dos Industriais
Gráficos entregou do gr. minstro da
Economia uma representação na quai

verificada no mercado c as eondicões
impostas pelos vendedores, «sem com-
““promisso de preço nem de entrega»
«para os fornecimentos fataros vieram
* acrescer as dilicaldades, cuja persis-
“tência amcaça de total raina a maio-
ria dos seus agremiados.
No mesmo documento acentaa-se a
gravidade da crise em face dos pesa-
‘ dos encargos que afligem a indástria
regular a qual, em grande parte, não
“poderá subsistir sc o exercício das
suas actividades, já de si tão diminatas
c agora ameaçadas de paralização,
não for regalada pelo Estado com a
equidade que lhe campre.

Daniel Mateus “9 pari
da Di ecção
— Muralha : Geral das

Contribuições e Impostos, acaba de
ser nomeado perito da Comissão Dis-
trital de Castelo Branco este nosso
amigo, proprietario da Povoínha
(Oleiros), agricultor activo e intelin
gente, que, nestas colunas, maito tem

do seu concelho.
As nossas lelicitações.

Armando Martins: Acompanhado de

! sua esposa, em-
barcoa, no dia 30 de Janciro, de re-
gresso a Balanga (Congo Belga), on-
– de está estabelecido há anos, este nos
so prezado amigo, que veio passar
alguns meses à Metrópole ec perma-
necea largas temporadas em Proen-
‘ Ça-a-Nova, junto de saa família.
Desejamos que o sr. Armando

Martins, que é natoral da Sertã, te-
: nha feito, bem como Sua esposa, ama
– Óptima viagem e apetecemos-lhes to-
das as prosperidades.

tal que já está a desempenhar papel rele»
vantíssimo na Economia Nacional. Por isso
todos estão de acordo em conservar os pi-
nhais. «Não obstante—diz o sr. eng. Freire
Temudo, a reforçar O que acima fica es-
“crito—que se vê por esse Peiís fora? Ár-
pvores ostentando chagas repelentes, debi-
litadas por uma sangria precoce a perde-
remo viço prometedor da juventude; árvo«
res quase despojedas do seu conteudo na
base do tronco, aguardando o primeiro
temporal, que as liberte, por uma vez, de
– tantas atrocidades». É
Aumentar a prodação de resina… Au»
mentar a produção de resina, porque o
“produto atingia no estrangeiro aito preço
e, portanto, o indastrial o paga bem a
quem lho vende, pode estar em parte, cer-
to. Mas aumentar a prodação lazendo
maiores feridas, massacrando as árvores,
matando-as—é contraprodueente, porque
amanhã não haverá mais árvores nem
mais resina, nem mais madeira. Vale a
pena aumentar à custa deste estápido sa-
erifício essa produção? Vale a pena, para
aumentar uma produção momentânea, re-
duzir, brevemente, à miséria milhares de
famílias que vivem da resinagem e da ser=
ração de madeiras? Vale a pena ganhar
este ano e mais algans e, depois, não mais
exportar um quilo de resina nem de ma-
deira, deiraudando o Estado em centenas

teza que não. Eis porque as autoridades,
representadas pelas brigadas técnicas, não
podem descurar O assunto fazendo cumprir
os preceitos legais em vigor, não deixando
impune quem prevarica maitando quando

xondo que se abram feridas nos pinheiros
além das dimensões estipaladas, não per=
mitindo que se sacriliquem as árvores a

nando-as irremediavelmente à morte certa
e condenando, evidentemente, as próprias
“florestas.

E’ este .o problema, exposto nas suas
linhas gerais. Um problema que interessa
à Nação, que interessa a todos os porta-
gueses. Problema que se traduz num ape-
lo, ao qual quem de direito não fechará,

pinhais!

(Do «Sécalo»)

A falta degapel 6 0 seu custo lo

ao GOVBrão em que se expõe a gra-

se diz que a presente falta de papel |

pagnado pela defesa e prosperidade

de milhares de contos por ano? Com cer-=

for justo, e não perdoando maltas, não dei-.

um esgotamento antes de tempo, conden.

certamente, os ouvidos: salvemos os nossos

corsa tan

Gomo há 700 anos a Ressurreição

de CRISTO vai ser este ano gele-

brada na noite de Sábado da Aleluia
“para Domingo de Páscoa

Cidade do Vaticano, 2—Soubem
se ontem que o Papa Pio XII dará

«Ordem para se voltar atrás 700 anos,

nas cerimónias da Ressurreição de
Cristo. .

Nam decreto a pablicar hoje, Sua
Santidade determinará que os 400
milhões de católicos do Mando rem
gressem, experimentalmente, esta
Páscoa, ao hábito em vigor, até ao
Século XII, de celebrar a Ressurreim
ção de Cristo na noite entre o sábam
do de Aleluia e o Bomingo de Pás=
coa. Desde essa época, por conve-
niência, as cerimónias da Igreja Cam
tólica comemorativas da Ressur-
reição celebraram-se na manhã de
sábado de Alelaia.

Consta que o Papa pedirá aos Bis»
pos, nas 1.500 dioceses católicas de
todo o Mundo, para lhe comanicarem
o êxito obtido com 6 regresso ao
processo antigo. Soube-se que à hora
da celebração da Ressurreição, em
anos futuros, dependerá das informas
ções dos Bispos. — (R.).

Curso de Aperfeiçoamento de Pro-
fassorado Primário: Presididos por

entidades sam

periores do Ensino Primário, deve
rão realizar-se, no próximo mês de
Maio, no nosso distrito, cursos de
aperfeiçoamento do respectivo prom
fessorado. Para tal efeito ioi 0 dis=.
trito dividido em três zonas, com sem
des em Castelo Branco. Covilhã €
Sertã. A da Sertã abrange, além do
respectivo concelho, mais os de Oleim
ros, Proençana- Nova e Vila de Rei.
A fim de assentar nas directrizes

do curso desta zona, esteve na Sertã,
em 3 do corrente, o dircetor escolar
do distrito, tendo trocado impressões
com os delegados escolares dos qua
tro concelhos.

António da Silva Farinha Tavaros:

– Foi colocado como escriturario de 3.º

classe na CâmaraManicipal de Proen«
ca-a-Nova, cujo cargo vem deseme
penhando desde Janeiro, este nosso

“amigo, filho do, tambem, nosso ami-

go sr. Francisco da Silva Dario, dis=
tinto professor primário naquela Vila.
Com os melhores votos de felici=
dades na sua nova carreira, aprem
Sintamos ao sr. Farinha Tavares os
nossos parabens.

Nas obras da Barragem do Gabril,

“entre Pedrógão Cirande e Pedrógão

Pequeno, trabalham com grande in=
tensidade cerca de 400 operários, dim
rigidos por diversosengenheiros, além
doutros técnicos seus subordinados.
O movimento é já muito importante
naquelas duas Vilas, pelas quais se

-reparte o pessoal dirigente das obras,

que numa ou noutra fixam residência.

Principiaram os trabalhos de
abertura da E. N. n.º 2, que atraves-
sará o rio scpre a projectada e ma-
jestosa barragein.

LA [)
José Ferreira Já sc encon-
= tra entre nós
os Lima: este nosso
amigo, vindo há poucos dias de Uige
(Angola), unde marca posição pre»
ponderante nos meios agrícolas peta
sua honestidade e invalgares quali=
dades de trabalho.
– Foi com maita satisfação que O
abraçámos, iolgando saber que vem
da melhor saáde.

Para abastecimento de água à Vi-

| A. foi concedi-
la de Prognça-a-Nova 7 ccieo-
tiva Câmara Municipal, como re-
forço do subsídio de 224.625$00,
a verba de 2.2603009,