A Comarca da Sertã nº757 05-03-1951
A Comarca da Sertã
Representante em Lisboa:
João Antunes Gaspar L. de 5, Domingos 18 r/t – Tel. 25505
Director Editor e Proprietário:
Eduardo Barata da Silva Corrêa
Publica-se nos dias 5, IO. 15, 20, 25 e 30
Sertã, 05 de Março de 1951
Hebdomadário regionalista, independente, defensor dos interesses da Comarca da Sertã: Concelhos de Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei: (Visado pela Comissão de Censura)
Ano XV Redacção é administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: — GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ Nº757
revista de certo colégio
IN uma abriumse concurso para a
– definição de «alegria». Um alano, cam
jos avós deviam ter sido poetas, deu
cata definição que todos acharam orix
ginal: «a alegria é o oásis no deserto
da vida». E eu, posto que sem preten-
sões a pocta, parece que lhe estou
dando razão, visto que, sem ela, a
vida, se vale de lágrimas lhe chamam,
“pior dela haviam de dizer. Imaginai
que todas as vossas horas eram cos
mo aquelas em que a alegria vos fo-
ge; imaginai-pos agora num deserto
“ardente, abrasados pelo sol, mortos
de sede e cansaço no corpo, como
de angústia no ânimo, sem que ao
menos apareça um oásis, onde pos-
sais repousar, refrescar=pos com a
“água e, com ela, beber o ânimo e à
jorteleza indispensáveis à continaan
ção do percarso: que diferença há en-
tre uma e oatra coisa? Só uma, a
de os desertos serem diferentes. A
E gera. |
Mas, alinal, o que é realmente a
alegria? Será o que exteriormente
se mâniiesta pelo riso ? Quantas ven
zes este vem abalar um suspiro que,
talvez impradentemente, nos saia do
peito… E a apresentação risonha e
“elegre do exterior? Oh! o exterior é
* quase sempre máscara dos sentimen=
tos íntimos. Quantos, para enganan
rem os oatros e se iludirem a si mes«
mos, vestem a farda mais alegre dos |
seus dias, quando a alma está na
sombra da noite mais cerrada. Dizem
que o rosto É o espelho da alma, mas
ea inclino-me a dizer que a regra tem
maitas excerções. Não nego que nou-
tros tempos assim fosse, quando as |
gentes eram mais sinceras e não an»
dava, como agora para aí, meio man-
do, enganando outro meio. O que é
certo e todos observamos é que, a
avaliar pelo aspecto externo, nem.
– Sempre conseguimos saber do estado
espiritaal das outras pessoas. Temos,
portanto, que a alegria é outra coin
sa, que não o manifesto exterior=
mente, pela aparência risonha.
“Quem nanca experimentou um
sentimento de íntima consolação, que
nem os lábios chegam a conhecer,
ao praticar uma boa acção, um acto
de rasgada generosidade, ao dar uma
esmola avaltada, sem que ninguém
saiba, nem sequer o beneficiado P Is-
So, essa consolação, chama-se alex
gria verdadeira, alegria sã e duram
doira. Aí é que está: a verdadeira ale-
gria é de dentro, da alma. O resto,
o que não é de dentro, não é alegria.
E, para mais, observemos: sendo ela.
o melhor refrigério, tem que vir do
que em nós haja de melhor, uma vez
que o bom irato só vem da boa ár=
vore € quanto mais perfeito é o efei-
to, melhor terá de ser o motor dele.
Experimentemos ir a uma festa,
a um divertimento, a um passeio;
procuremos recrear-nos, desanum
viar o espírito, ouvir anedotas; riã-
mo-nos até se possível e façamos por
nos alegrarmos: vejamos, porém, se
algum de nós conseguirá essa alem
gria íntima, tendo a consciência pe-
sada de remorsos, motivados pela má
vida, pela infâmia, pelo pecado! Nin=
guém o conseguirá e está a prová-lo
a experiência, (Isto, entendido está,
para quem sinta a consciência, por-
que—e é bem triste… —há quem a
tenha de pedra. Temos de tado como
na botica). Por isso é que algaém di-
(Conclui na 3.º pág.)
O EDITAL
Manuel era um petiz de palmo e meio
(Oa pouco mais teria na verdade),
De rosto moreninho e olhar cheio
De inteligente e enérgica bondade.
“No porte e no saber era o primeiro. .
Lia nos livros que nem um doútor,
“Fazia contas que nem um banqueiro. se
Ora uma vez ia o Manuel passando
Junto ao adro da igreja. Aproximoun-se
E viu à porta principal um bando
De homens a olhar o quer que fosse.
Empurravam-se todos em tropel,
“Ansiosos por saberem, cada qual,
O que vinha a dizer certo papel,
Pregado com obreias no portal…
—Mais contribuições] — supunham ans;
—E’ pra as sortes, talvez… —outro volvia.
Quantas suposições! Porém, nenham
Sabia ao certo o que o papel dizia.
Nenhum (e eram vinte os assistentes)
Sabia ler aqueles riscos pretos,
Vinte homens e talvez inteligentes,
Mas todos—que tristeza I-analiabetos…
Farou Manuel por entre aquela gente,
Ansiosa, comprimida, amalgamada,
Como uma formiguinha diligente
– Por um maciço de erva emaranhada. .
Furou e conseguia chegar adiante.
Ergueu-se nos pêzitos para ver,
Mas o edital estava tão distante,
Lá tanto em cima, que o não pôde ler.
“ Um dos do bando agarrou-o então
E levantou-o com as mãos possantes |
E calejadas de cavarem pão…
Houve um silêncio entre os circunstantes.
E, numa clara voz melodiosa,
A alegre e insinuante criancinha
Pôs-se a dizer àquela gente ansiosa,
Correctamente, o que 0 edital continha.
Regressava o abade do passal
A caminho da sua moradia.
Como era já-idoso e via mal,
Acercou-se para ver o que haveria.
E deparou com esse quadro lindo
De ama criança ler a homens feitos,
Dum pequenino cérebro espargindo
Luzes naqueles cérebros imperteitos…
Transparecea no rosto ao bom abade
Um doce e espiritual contentamento,
E a sua boca, fonte de verdade,
Disse estas frases com um brando acento:
—Olhai, amigos, quanto pode o ensino…
Alguns de vós são pais, outros são avós,
Pois, só por saber ler, este menino
E’ já maior do que nenhum de vós!
“Augusto Gil
“incompreensivelmente, abalou a voz
tades, qualidades de trabalho e resm
“Portugal Maior, o que não seria pos
“Sível sem am esforço extraordinário
Interesses das
Freguesias da Comarca da Sertã
O nosso inquérito aos srs. presidentes das Juntas
—Depõe hoje o sr. João Domingos de Oliveira
“Júnior, do Peso, concelho de Vila de Rei
IX
| muito bem que a freguen-
Sabíamos sia do Peso, do concelho
dé Vila de Rei, não poderia deixar de
responder à chamada, de apresentar
o seu valioso depoimento neste in»
quérito aberto pela «Comarca da Ser»
tã» para auscaltar toda uma série de
aspirações ardentes por que hoje
vêm lutando, intrépida e patriótica
mente, as populações da nossa linda |
região, ansiosas de progresso e bem»
estar, desejosas de viver a vida dim
gna e decente que seja a antitese inn
tegral dum passado decadente, que,
dos povos humildes dos campos, im»
pondo silêncio aos mais simplese..
paros anelos, como se esses povos,
porventura, não constitaissem a nata
populacional, do País, tanto pelo seu
espírito de sacrifício e amor idolam
trado à Pátria como pelas suas vir=
peito pelas tradições que, noutras
eras, lizeram de Portugal a mais no=
bre, destemida e valente Nação.
Esse movimento pacífico de renom
vação, que desde há décadas perman
necia latente na alma dos povos rum
rais, encontroa ambiente propício
com o advento da Revolação Nacion
nal de 1926 e, desde então, ele setem
animado e robustecido mais e mais,
continuamente, porque são os pró-
prios Governos de Salazar a incitám
lo à animárlio, a fortalecé-lo, a dar=
lhe vigoroso impalso com vista à um
em prol da prosperidade das popula
ções rurais. Se esse esforço se tem
observado como espantoso e digno
da mais alta admiração pelas obras
de valto levadas a cabo neste quar»
to de século, é preciso ver que ele
“tem de redobrar de energia E pron
longar-se, sem cessar, por mais ala
gumas décadas, em ritmo que não
airouxc um só momêénto, porque há
muitas populações pobres carecidas
“João Domingos de Oliveira Jús
nior, presidente da Junta de f’res
guesia do Peso
do mais essencial à sua existência
individaal e colectiva, impossibilita
das de concorrer, com eficiência, pas
ra o bem da comunidade por falta
“de recursos e de meios de acção é
preparação que lhes permitam am
útil rendimento do sea porfiado €
extenaante trabalho,
Para que o trabalho do homem
que vive fora dos grandes centros—
o agricaltor, o comerciante, o artífin
ce e o pequeno oa grande indastrial
—atinja a plenitude máxima, é pre-
ciso preparán-io para a vida, dar-lhe
meios de agir e se desenvolver, estim:
mualar a sua actividade e proporcion
nar-lhe conforto. Não basta a esco
la primária, falta à preparação técm
(Continua na 4.º pág.)
Um aspecto da sldeis do Peso
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meadara com oliveirás, vinha,
horta com 2 poços (um com en-
genho)e grande área de mato com.
pinheiros.
Informa esta Redacção.
« SKRIP»
A famosa tinta preferida pelo
público,- chegou de novo à Pape-
sa
laria da Gráfica Celinda—Sertã. 1
Interesses das Freguesias da Co- |
marca da Sertã
(Conciusão da 3.º pág).
do os melhores esforços com vista
a conseguir, com a maior celeridade,
a satisfação de problema de tão alta
magnitude.
Segundo o Censo de 1940, a fre-
guesia do Peso tem 579 habitantes e
174 logos, assim distribuidos: Algar,
6 e 25; Cimo do Valongo, 12 e 53;
Peso, 90 e 274; Portela dos Colos,
9 e 47; Sesmarias, 50 e 155; isolados
e dispersos, 7 e 25.
As restantes freguesias do con=
celho de Vila de Rei são: a da sede, .
– com 3971 habitantes e 1657 fogos;
«da Fandada, com 1.817 habitantes e
435 logos, o que dá, para todo o con=
celho, os totais de 8.367 habitantes e:
2.266 fogos. Por conseguinte, a pom
pulação da ireguesia do Peso corres-
ponde à 7/100 do total do coneclhô.
DESASTRE
Na pretérita 3.º feira, ao regresm
sarem do Troviscal à Sertã, onde
vieram tratar de negócios, os empre-
gadus comerciais Joaquim I.ourenço
Ferreira, de 45 anos e Américo Cas»
tanheira, de 38, residentes em Lisboa,
aquele na rua António Maria Cardo-
so, 4»1.º e este na rua Barão de San
brosa, 48-1.º, que se conduziam nam
“ma furgoneta, ao passarem nas alta
ras da Baiúca, próximo desta vila, o
veículo saiu da estrada e foi embater
violentamente contra uns pinheiros
marginais, de que resultou iicarem
ambos muito feridos. Foram imediam
‘“tamente transportados ao consultório
do sr. dr. Rogério Marinha Lucas,
– que lhes prestou os necessários so-
corros, segaindo depois, de automón
vel, para Lisboa, recolhendo à sala
de observações do hospital de S. Jom
sé. O sr. Ferreira, antigo sócio da
<«Pernambacana», é aqui muito com
nhecido.. =
A furgoneta ficou bastante dani
licada. o
Em repressão a prevenção da men=.
dicidade
c em assistência val despender-se,
pelo Fundo do Socorro Social, cerca
de 20 mil contos.
Cães radios: As autoridades vão inin
ciar a captura de anim
mais de espécie canina que se encona .
trem a vadiar pelas ruas da Vila e
em todo o concelho. |
“Esta notícia é de Murtosa…
A Comarca da Sertã
Um MONUMENTO ienes catia
À VASCO DA GAMA Enambane, vi
Inhambane, Vi-
la da nossa colónia de Moçambique,
onde o grande argonauta arriboa,
com a sua frota, na viagem em que
descobriu o caminho márítimo para
a India. :
Diz-se na História de Portugal
(vol. Il), do Dr. Newton de Macedo :
«Coniiadas a seu almirante, Vasco
da Gama, às credenciais a entregar
ao Samorim de Calicut, o mais po-
deroso príncipe de toda a costa de
Malabar, uma pequena frota de qua»
tro navios—duas naus, «S. Gabriel»
e «S. Rafacl», uma caravela, a «Bér=
rio), e uma pequena nau de manti-
mentos, com uma tripulação inferior
a 200 homens—partira do Restelo
em 8 de Jalho de 1497, levando como –
piloto da nau capitaina Pero de Alemn
quer; em 3 de Agosto, passada já a
ilha de Santiago, a pequena frota faz
| de novo ramo dão sal é darante três
meses, longe da costa, sulea o largo -|
oceano, só voltando a avistar terra,
| a baía de Santa Helena, ainda aquém
do Cabo, a 4 de Novembro; só a 22
desse mês o Cabo é dobrado; ao lon=
go já da costa oriental de África,
passado o Rio do Infante, limite ex
tremo da exploração de B. Dies, os
novos argonautas chegam a 11 de
Janeiro à foz dam rio a que chamam
do Cobre na terra da Boa-Gente; em
2 de Março chegam a Moçambique,
a Mombaça em 7 de Abril, e a Me-
linde o 13, onde encontram o acox
lhimento amigo que lhes tinha falta-
do nas duas primeiras cidades. Guian
dos por um piloto árabe, hábil na
navegação do Índico, partem de Men
linde a caminho da Índia em 24 de
Abril, fundeando finalmente em Cam
licut em 20 de Maio de 1498»,
Secretário Nacional de Informação:
Foi nomeado para o lugar de Secrem
“tário Nacional da Informação, Calta- |
ra Popular e Turismo o sr. dr. José
Manuel da Costa, que é director ge-
ral do Ensino Secundário e que exer
cia, presentemente, as funções de
chefe de gabinete do sr. Presidente
do Conselho. o
Ro novo e ilnstre secretário apre-
senta a «Comarca da Sertã» respei-
toses cumprimentos, oferecendo-lhe
scus desvaliosos préstimos.
Os Amigos da «Comarca»: Pctos
nossos
amigos srs. António Barata d’Almei=
da Jánior, de Vimeiro, Jacinto Pedro,
Antônio Lopes c Romão Vez, de Lis-
boa, oram, respectivamente, indicam
dos para assinantes os srs. Arman-
do Martins, dr. Manael Francisco Nam
nes, Eduardo Ferinha e José Antóm
nio, de Lisboa.
Os melhores agradecimentos aos
amigos que se dispõem, indicando as=
sinantes, a colaborar na «Comarca».
uma colaboração valiosa come ou-
tra qualquer e que registamos com o
maior apreço.
José Sarra: Foi nomeado oficial de
—* deligências do Tribanal
Judicial desta comarca este nosso
amigo, que vinha exercendo o cargo
de copista na mesma Secretaria. .
“A posse, a que assistiram muitos
funcionários e diversos amigos, fol
conicrida, antes d’ontem, pelo merin
tíssimo Jaiz de Direito da Comarca.
A José Serra, que é um bom rapaz,
damos um grande abraço de param
bens, fazendo os melhores votos pe-
las suas felicidades.
As cerimónias dos Passos sc tc-
se nã próxima 6.º feira, na Sertã,
pregando o sermão do Pretório o
coadjutor rev.” Manuel José Lopes
e os-do Encontro e Calvário o rev.º
Luís Aagusto Rocha, prior de Cer»
nache do Bonjardim.
Coisas & Loisas
Provérbio Quem melhor tra-
balha, melhor dorme.
-. Pensamento-—-Amor é o tor-
mento de um, a felicidade de dois
ea inimizade de três,
Conselho-—Ter bom génio,
brandura nas palavras e caridosa
disposição para os defeitos alheios,
eis o indispensável para uma pes-
soa se tornar simpática e querida
de todos. |
“Curiosidade — PROFLADI-
DADES-—O ponto mais profundo
do Mediterrâneo parece encontrar-
se em Malta e Cândia, onde foi
“achada uma profundidade de mais
de 4.000 metros.
Quadra popular |
O anel que tu me deste
Sexta-feira de Paixão,
Era apertado no dedo
E largo no coração.
Receita —- 4 SALSA — Usada
vulgarmente como tempero na co-
mida é muito rica em vitamina A
e minerais variados, pelo que 3e
deve comer diáriamente uma por-
| Çãozinha crua às refeições. (À vi-
tamina À é indispensável à saúde
dos olhos e a uma visão clara).
Devido à sua riqueza mineral
os americanos aconselham-na pa-
ra fortalecer o cabelo, em forma
seguinte:—aDeite uma mão cheia
de salsa em 1.500 grarnas de água
fria e leve ao lume a ferver tapa-
da, durante 5 ou 6 minutos, Po-
nha a arrefecer e coe. Use por
fim a água e enxugue demorada-
mente o cabelo prêviamente la-
vado», | |
NECROLOGIA –
“No dia 24 do findo miétide Fe-
vereiro, faleceu, em Lisboa, o sr,
“António Luís Simões, de 71 anos,
natural da Portela, freguesia de
Alvaro (Oleiros), antigo africanis-
ta e importante comerciante na
praça de Lisboa, casado com a sr.º
D. Maria da Conceição de Almei-
da Simões e pai da sr.º D. Maria
Silvina de Almeida Simões e dos
srs. António Luís de Almeida Si-
mões e José Luis de Almeida Si-
mões, também comerciante em Lis-
boa, este casado coma srº D. Ma-
riu da Soledade Ruivo Simões.
Era sócio das firmas A. L, Si-
” mões, L.da e António Luís Si-
mões, Lda.
A” família enlutada apresenta-
“mos sentidas condolências.
‘ Câmara Municipal pare repara-
— do Vila de Rel, mo
| mentação de
todas as ruas e largos da sede do :
concelho—2.º fase—, foi concedida,
como reforço,a verba de 17.050$09.,
A Abolição da Escravatura; Uma
que honra a Nação portuguesa é
a de 25 de Feverciro de 1869.
Nela se publicou o decreto que
aboliu a escravatura em todas as
colónias portuguesas, consideran-
“do libertos os escravos então exis-
tentes. Era então presidente do
Ministério o Marquês de Sá da
Bandeira e ministro da Marinha
e Ultramar José Maria Latino .
Coelho. o
nlra flne Pa » ɺ nó sábado,
Feira dos Passos: E, no sábado,
que se realiza na Sertã a grande
e tradicional feira dos Passos.
Foi nomeado
Tribunal Munici-, Ai si poniiado
pal de Oleiros: genciasdeste Tri-
tunal João Mateus,
A Comarca da Sertã
e A
DECT = mos no – mm SIR
ALEGRIA
(Conclusão da 1ºº pág.) .
zla que 8 alegria sã é o melhor sinal
de termos cumprido o nosso dever.
Isto, porque o dever cumprido dá «ma
boa consciência, uma consciência
tranquila. Assim quem não exultará?
(Há que fazer distinção entre triste-
za—negação de alegria—c preocupa-
ção: aquela é uma docuça do espíri-
to, enquanto está, am problema da
inteligência. E, embora seja certo que
ambos atingem o coração, elas agem
de mancira diferente. Não vá algaém
julgar que ca acredito que os pos»
suldores de uma consciência sã não |
têm atribalações na vida! Isso é oa-
“tra coisa, bem diferente do que a que
me reilro).
Objectarão, porém, dizendo: se a
alegria vem somente do camprimenn=
to do dever, para que é que se joga,
se passela, para que são os diverti-
mentos? Porque será que os rapazes
se mostram mais satisfeitos e exual=
tantes, quando praticam qualquer des-
porto? A isso, fácilmente se respon-
de c assim: as recreações excitam a
faculdade, se assim se pode chamar,
da alegria e, principalmente, fazem
então transparecer, exteriormente, a
alegria da alma. O ânimo, satisfeito
consigo mesmo, dá então à reerca-
ção—que é o meio—o poder de fazer
participar o corpo da disposição in»
terior. Assim é, quando a alegria é
“sã. Porém, a que nasce sômente da
recreação, essa é oca e para mim é
“moeda falsa, visto não satisfazer e
ser passageira, Até, para falar ver-
dade, nem a considero verdadeira.
“. Terminando, direi que, para maior
prova do que alirmo, temos o exem=
plo das criancinhas. Quem há aí mais
alegre que uma criança? Pois não
vedes que elas brotam alegria, de tom
do o seu ser ? Não será aquela a mais
pura c sã, verdadeira é sincera das
alegrias? E donde lhes nasce ela ?
Duma boa consciência ? Mais, da ino-
cência.
Portanto, mais uma vez direi que
a verdadeira alegria só pode nascer |
de dentro, da alma. Cultivemos, pois, ‘
essa alegria, que é o melhor oasis
neste deserto da vida e, consegain-
do-a, saibamos que fizemos bem o
dever.
Em 23/2/51
À. V. Martins.
“Vim galo endiabrado!
E Sr. director da «Comarca da Ser«
tã»–No bairro de Santo António, sem
dúvida, o mais pitoresco da Sertã, há
agora um galo que tem por hábito
atirar=se, com lins agressivos, a tom:
das as criancinhas que descuidada-
mente brincam pelas imediações; é
como uma fera alada, pois na sua
lária o que quer é picá-las no rosto!
Só por acaso não cegou ainda um
dos pequenitos, que o véem agora com
terror e passam de longe para se fur=
tarem às bratais investidas!
Creio que seria prudente que o
dono o tivesse bem preso ou, então
—€ isto seria o melhor—o mandas-
se degolar sem mais contemplações,
lazendo dele úina canja, evitando
aborrecimentos e até possíveis des=
gostos, que lhe podem trazer respon=
sabilidades. At.º ven.” e obrig., |
Eduardo Augusto da Silva
A Comarca da Sertb
Interesses das Freguesias
da Comarca da Sertã
(Continuação da 4.º página)
mo perigo para quem necessite de
transpô-la! Data esta do tempo dos
romanos c as várias chelas que tem
suportado, no decorrer dos tempos,
| danificaram-na a um ponto tal qae,
de ponte, só tem o nomc, pois ape-
nas existe o esqueleto! É
Outro calvário é a estrada mani-
cipal Peso-Vila de Rei, oa, mclhor,
caminho,—a única via de comanica-
ção que possuímos—e mesmo esta
executada por Iniciativa e a-expén-
sas dos filhos da fregucsia há deze-
nas de anos. E’ péssimo o sed estas –
do de conservação, mesmo deplorá- .
vel. Há cerca de dois anos que O
Estado fez a comparticipação no lou»
| vável desejo de melhorar esta estra=
da; porém, empreitada a 1.º fase dos
trabalhos, entre Boafarinha ec Porte-
la dos Besteiros, é desolador verifi«
| car que pouco ou quase nada se en=
contra ainda feito, pols cs trabalhos |
em breve ficaram saspensos!
Abastecimento de água às povoam
ções de Sesmarias e Cimo Valongo,
pois, nestes lugares, a ánica onte
que existia—e que, afinal, cra de mer=
– gulhol—há maito que não verte ama
gota do precioso líquido em virtade
da sua nascente ter desaparecido, ao
que se supõe, por ter sido captada
por poços particulares. Também a
sede de freguesia não dispõe de ágaa
sullciente, principalmente, nos meses
de Estio, devido ao afrouxamento do
caudal. Para a solução deste grave |
problema encontra-se já aprovado
c comparticipado em 30 contos um
projecto que visa atender em con=
junto as referidas necessidades; po-=
rém, por dificuldades que sargiram
no focal indicado para à exploração
e captação, aguarda-se, há muito
tempo, a vinda do sr. engenheiro pa-
ra se dar solução definitiva ao caso.
O cemitério existente necessita de
ser alargado com argência; de con=
trário, breve virá o dia em que não
haverá mais espaço para sepulturas.
Há cerca de dez anos foi submetido
às instâncias superiores um projecto
com vista ao seu alargamento e cons-=
tração duma capela interior, o qual
logrou a comparticipação, mas de-
pois—porque ela foi sensivelmente
reduzida—não se pôde dar execução
aos trabalhos! A Junta de Fregae-
sia, ainda que vivamente empenhada
na realização deste e doutros melho-
ramentos, não pode, infelizmente,
por falta de recursos, resolver de per
si tão importantes problemas; toda
via, se a sua acção não pode ir mais
longe, tem instado junto das autar=
quias superiores pela rápida satisfa=
– ão de tão grandes necessidades.
O estabelecimento dama carreira
de camionetas entre o Peso e Vila
de Rei e, quando estiver concluida a
“E. N. n.º 244, uma outra carreira pa-
ra a Sertã. Esta aspiração, tão jus-=
ta, não pode converter-se em reali=
‘ dade enquanto se não executarem os
trabalhos das referidas estradas, 0a,
melhor, a conclusão das mesmas.
Para nos deslocarmos a qualquer pon»
to do País, só a alguns quilómetros de
distância e por maus caminhos en=
contramos camionetas de ligação!
Em tempos, a Empresa João Claras
tentou estabelecer ama carreira en»
tente nesta
tre na sede desta freguesia, e a sede
do concelho, chegando a pedir a res
peetiva conecssão; a verdade, pom
rém, é que até hoje não nos foi dado
distrator esse Indispensável serviço
páblico, que é da mais premente ne=
cessidade.
A escola oficial mista—áúnica exis-
fregassia—encontra-se
desprovida e precisa, entre outras,
das seguintes beneficiações: de um
telheiro para abrigo das crianças
‘ durante O Inverno e dama rétrete;
também o largo recinto que circanda
à escola se prestaria admirâvelmen=
te para recreio das crianças e do pá-
blico, em geral, desde que fosse dom
– tado, como tanto carece, de arranjo
condigno, como sejam, a sua arborin
– zação e constração dum gradeamen=
to em toda a volta e, ainda, demo-
lindo todos os velhos pardieiros que
lhe ficam juntos.
Conclusão do calcetamento das
ruas na sede de freguesia, o que im=
plicaria o desaparecimento completo
das estrameiras ainda existentes, que
constituem, sem dúvida alguma, gra-
ve perigo para a saúde páblica.
Construção de um aqueduto no ri=
beiro das Fontaínhas, no sítio que
serve de passagem para a Sertã.
Ampliação do adro da igreja pau
ra o lado sul, completando-se, deste
“modo, a parte que falta para cirean=
dar o templo.
O serviço do correio—pelos Inn
convenientes que resultam da falta
– duma carreira de camionetas—é mal-
to deficiente e, por consegalnte, está
longe de satisfazer as necessidades
da população da freguesia: como é
-felto por estafeta, além de ser muito
moroso, não pode transportar as en«
comendas postais, que ficam na sede
do concelho, a treze quilómetros de
distância!
– —Quanto à popalação da fregue-
guesia c à valorosa colónia patrícia
que labuta em terras distantes, pode
o sr. Oliveira ter a bondade de dizer
alguma coisa à «Comarca»?
-—Com muito prazer. A fregacsia .
tem cerca de mil habitantes, excluin-..
“do, como é óbvio, algumas centenas”
de naturais que se encontram dis=
persos pelas nossas terras de Além=
Mar e pelo estrangeiro, onde a malo=
ria se dedica à vida comercial. E’
consolador registar—e para todos
nós motivo de justificado orgaulho—
que todos esses nossos patrícios con=
sagram entranhado amor à terra |
onde nasceram ce afeição insupcrável
à suas famílias. Maitos deles, a quem
a sorte balejou, aqui voltaram pára
constrair seus lares e—nota Interes-
sante—-a malorla prefere escolher
aqui a esposa; para mostrar O terno
calto que têm pela família, basta dim
zer que raro é aquele que não lhe
presta o melhor auxílio monetário,
evitando-lhe dificuldades e até uma
situação que, noatro caso, seria bas-
tante penosa; por outro lado, esse
afluxo contínuo de dinheiro contri-
bui, até certo ponto, para a prospe=
ridade económica da freguesia, facto
que é de registar com elevado apreço.
— Sobre o comércio e indástria da
freguesia, pode dar algamas informa-:
ções de interesse ?
-—A freguesiã tem comércio em
excesso, que, por falta de meios de
comunicação, vive completamente
atrofiado e sem possibilidade de me»
lhores dias; só a solução do proble-
ma das vias rodoviárias podc abrir
perspectivas agradáveis a ama clas»
se que é indispensável a qualquer
mcio eivilizado; o valor de qualquer
terra mede-se pela importância do
| Sea comércio c da sua indástria. Um
e outra constituem índice de prospem
ridade positiva; mas quando lhe fal-
tam sistemas fáceis e rápidos de li=
gação, está condenado à um rotinci-
rismo acabranhante, a ama vida qui-
çá primitiva, com prejuizo para sl e
para toda a população que lhe com»
pete servir. Desaparecido o estímulo
do lucro compensador, o comércio e
a indástria estão condenados a mor=
rer ou a vegetar e os povos acabam
por sofrer a privação do maito que
lhes é indispensável ou então vêem-
se na contigência de Ir procarar lon-
ge, com largos dispêndios de dinhei-
ro € tempo e acréscimo de aborrceci-
mentos € incomodiaades, maitas coi-
sas indispensáveis à sua vida domés=
tica ou de uso pessoal.
O que digo em relação ao comér-
cio da freguesia do Peso torno ex=
tensivo à pequena indústria nela exis=
tente, que passa uma existência poas
co meros que embrionária pelos mo
tivos apontados e não vejo possibi-
lidade de se desenvolver e muito me-
nos criar outras de interesse porque
os capitais não podem afluir aonde
falta o mais comezinho para sc ins-
talarem—os meios de comunicação —
ainda mesmo quando sobram maté-
rias primas ou se pode contar com
uma mão de obra capaz e a preços
satisfatórios. Isto é assim mesmo €
daqui não podemos fagir.
“A indástria na fregaesia do Peso
limita-se a uma fábrica de velas de
cera, a outra que fabrica ratociras,
€ produz, também, artigos consernen=
tes à arte de latoaria ce arameiro, €
uma padaria.
—(Quais às principais produções ?
—(omo em toda a nossa reglão,
destacam-se as madeiras, a resina e
o azeite; mas por falta de vias de co=
manicação, é difícil exportá-los, de
que resulta terem de ser vendidos, a
quase totalidade, na origem, por bai»
xo preço, o que prejudica, grande»
mente, a cconomia da freguesia.
Não desejo concluir o meu depoi-
mento, em que sintetizo todas as ag»
pirações da freguesia do Peso, sem
exteriorizar—através da «Comarca
da Sertã»—tanto em meu nome pes«
soal c na qualidade de presidente da
Junta, como de todos os seus habi-
tantes, o mais sincero é profundo reu
conhecimento ao Ilustre presidente
da Câmara Municipal do nosso con=
celho pela manifesta e comprovada
boa vontade em atender todas as nos=
sas necessidades, algumas das quais
tém sido satisfeitas; e mais longe, até
– agora, não foi possível ir por difical-
dades do erário manicipal, o que niec-
ta não apenas a: freguesia do Peso
mas todo o concelho. Quero também
afirmar—corrgborando o que atrás
exponho —que, eom vista à conclasão
do calcetamento das ruas da sede de
freguesia e ampliação do cemitério,
temos a promessa formal do sr. pre
sidente da Câmara de que em breve
ordenará a vinda dum engenheiro
para a elaboração dos respectivos
projectos. No que respeita ao abas»
tecimento de águas, igualmente o sr.
presidente da Câmara tem dispendi-
(Conelasão na 2.º pág.)
io mes ee
BELARTE
A VENDA NOS
MELHORES ESTARELECIMENTOS DO
ESPERAVAM
A Comarca da Sertã
Relatório da Gerência
= DA €
Câmara Municipal da Sertã
de 1950
LV
Ex.ros Srs. Vogais do Conselho Manicipal
De conformidade com o determinado no n.º 3.º do artigo 77.º do Código
Administrativo e para os efeitos do que dispõe a segunda parte do n.º 4.º do
artigo 27.º do mesmo diploma, elaborei o presente relatório anaal da gerência
finda de 1950, o qual submeto à vossa apreciação, discussão e totação.
Começarei pela comparação das receitas arrecadadas nos últimos dois
anos, e assim teremos:
ANOS DIFERENÇAS
1949 1950 Mais Menos
Impostos directos 471.480$52; 500.271$20] 28.700868
Impostos indirectos 70.389$20: 75.241$40 4,852820
Taxas—Rendimentos de diversos servi» :
ços ee 107.802885; – 120.167$70] | 12.464887
Rendimento de bens próprios 124.816830: 265.033800] 131.216870
€ SOMA 714.388$85) 951.713850] 177.524845′
Reembolsos e reposições 28.153872) 10.044$60 18.1009812
Consignação de receitas 105.326805; 138.252890] 32.906885
Receita extraordinária É 2.458.112888) 545,824$60 1.914.288$28
OTAL … | 3.565.981$50; 1.645.815940] 210.251$30: 1.932.397840
Verificanse pelo mapa que antecede, ter sofrido a receita ordinária deste
Município, com excepção dos capítalos «Reembolsos e Reposições» e «Consin
gnação de receitas», um aumento de 177.324445. Este aumento de receita,
embora considerável, é ainda bastante pequeno se atendermos às necessidades
deste Corpo Administrativo.
No capítulo de «Impostos directos» a diferença para mais de 28.790868,
provém principalmente das receitas do adicional sobre a contribuição indas»
trial Grapo C, licenças de comércio ou indústria Grapo C e imposto de pres
tação de trabalho. O primeiro devido, com certeza, ao aumento da parte da
Fazenda Nacional na contribuição respectiva, visto a percentagem votada pela
Câmara não ter soirido qualquer alteração; no tocante às licenças de comér-
cio ou indústria deve-se a maior cobrança ao facto de se terem colectado mais
“comerciantes é industriais e ainda à subida das colectas de oatros, operada na
Seeção de Finanças deste concelho. Quanto ao imposto de prestação de tram
balho o aumento de receita verificado provém de se terem:incluido nos cadasm
tros do mesmo impost» alguns proprietários residentes fora da área do con»
celho e ainda à actualização dos indicativos de algans contribaintes já coleem
tados.
A par destes excessos de receitas algumas houve que baixaram, o que
se constata pelo mapa segainte:
1040 | 1050 Mais Menos
Contribuicão predial rástica 130.30484 150. 729800 424416
Contribuição predial urbana 15.669816] 153.043800 626816
Imposto profissional das prof. liberais 1.055$30 1.035$50 19880
“Contribuição indastrial do Grapo A 6.121840 5.900810] 2218350
Contriçuição industrial do Grupo B 3408201 340820
Contribuição industrial do Grupo C 51.846810] 62.228850] 10.382840 o
Imposto de minas—parte proporcional
e imposto de águas mínero-medicinais $50 $z0) – $20
Imposto s/aplicação de capitais-Seeção A 2.049846 2,3018350 341484
Imposto de trânsito. 4.560815, 5.172860 803845
Juros de mora cobrados na tesouraria 2.096$29, 3.577520 1.480$91
Imposto de prestação de trabalho 186.915800, 197.654$80] 10.739880
Licenças de comércio ou indástria: :
Grupo A 1.519830 1.557810]. 37880
Grupo B 243800! | – 243800
Grapo € 29.850870, 37.814670) 7.955800
Perc. de 31, 5 “jp sobre as taxas de con –
trib. industrial devida pelos vended.
ambulantes de géneros alimentícios 83412 55860 = 27852
Juros de mora cobrados directamente 2.068800 2.111850 43850
Imposto de prestação de trabalho de 1948 1.940800 – 1.940800
Imposto para o subsídio de incêndios—
Subsídio destinado à aquisição de man
terial de incêndios concedido à As-
sociação dos Bombeiros Voluntários
da Sertã, por intermédio do Consen .
lho Nacional dos Serv. de Incêndios 15.000800, 15.000800
(CONTINUA)
A Comarca da SertB
Interesses das Freguesias .
da Comarca ca Sertã
* (Conclusão da 1.º pág.)
Ô Principe Pesteita
Na sua mão a vara da justiça,
mais severa e rigorosa do-que sua-
ve, feria as culpas sem distinção.
O vassalo nobre e o súbdito humil-
de foram julgados do mesmo mo-
do, salvo os privilégios de classe.
Entretanto pede a equidade que
acrescente que D. João II deu sem-
pre os primeiros exemplos de obe-
diência às leis. A sua vontade nun-
ca se levantou acima delas, cum-
prindo-as pontualmente, como se |
fosse o mais obscuro cidadão. Proi-
diu as sedas e nunca mais as usou.
Proibiu os luxos de os cavaleiros
manterem muares, e ninguém mais
o viu senão em cavalo apesar de
doente. Condenou os jogos, e nem .
por divertimento admitia jugo de-
feso na sua presença.
Garcia de Resende, que foi seu
moço de escrivaninha, e que teve
ocasiões de ver de perto a índole
do monarca, embora em muitas as-
serções nos pareça parcial a seu
favor, afirma que no exercício do
poder absoluto muitas vezes o vira
moderar o rigor das sentenças, con=
tanto que não efendesse as partes,
insinuando secretamente que pou-
passem a vida aos delinquentes,
mitigando em degredos para as
ilhas a pena de morte, que as «Or=
denações» de seu pai cominavam –
com rigor excessivo, e dizendo com.
louvável discrição que um homem
custava muito a criar para subir
ao paltíbulo sem grande causa.
Rebelo da Silva
nica; um bom caminho é algama coi-
| sa, mas é indispensável a estrada e
o caminho de ferro; e tudo quanto
diga respeito à conservação da sua
saúde, sem a qual o homem não po»
de trabalhar nem ter alegria, é como
elemento negativo no agregado som
cial; por isso é preciso ter boas fon»
tes, postos de assistência médica,
hospitais e irrepreensível higiene.
Contudo, há que atender a esta
verdade incontroversa: em vinte e
cinco anos não se poderia fazer tudo
quanto era necessário para resga-
tar os povos da miséria em que pern
maneceram durante séculos e por
muito grande que seja a boa vontam
sacrilícios a que todos nos sajeite-
mos, seria impossivel madar radical=
mente as condições de vida e satis-
fazer todas as aspirações, que nos
últimos dez anos se tornaram mais
intensas e extensas por novas con»
Ciência sob os seus múltiplos aspec
s.
As condições de existência das
“do nam rítmo segaro, ainda que len»
to, porque a carência de recursos
económicos impõe ama distribuição
metódica e cautelosa dos dinheiros
públicos e seria imprudente criar enm
cargos exorbitantes e incomportáveis
às classes produtoras, que hoje têm
de viver em rigorosa economia para
se manter.
por gente devotada ao trabalho, de
bons e afectivos sentimentos e res»
peitadora das leis, aspira ansiosa»
mente pelo seu progresso, pelo qual
tem lutado, sem desânimo, sobretam
do, desde que verificou não ser ele
uma simples palavra de retórica…
nem sonho ou ilusão doentia!
Sabe, através dos jornais e da rán
dio, o que se tem realizado pelo País
fora em melhoramentos de vulto e
sentir-se manietada por jalta de esm
tradas que a ponham livremente em
contacto com o mundo exterior—o
mais agudo problema do momento—
é realmente doloroso! Mas é precim
so ter paciência, calma e esperança,
chegar!
O Peso é uma povoação bonita,
airosa e prazenteira, que de há vinte
anos para cá se transformou, como
por artes mágicas, numa das mais rim
“dentes aldeias da região tanto pelos
vários melhoramentos que ali se open
raram como pelos muitos chalés gran
ciosos construidos pelos naturais,
que em Aírica e no Brasil adqairi-
ram fortana pelo sea persistente tram
balho. A par destas vivendas en»
cantadoras, com seus jardins, que
quebraram o traço rástico da povoan
ção, dando-lhe uma fisionomia sen
nhoril e alegre, várias outras se
ergueram, mais modestas, para rem
sidência de particulares e estabeleci-
mentos comerciais, contando-se tam»
bém bons edifícios páblicos, destinam
dos às escolas e à Casa do Povo,
esta com o seu posto médico.
metros de Vila de Rei, sede do con=
-celho, e está situada em ponto alto e
aprazível a 2 quilómetros da mar-
gem esquerda da ribeira da Isna. A
terra é fértil, sobretudo, em cereais
gado de toda a quali=.
é cria muito
drde. .. –
ê — em cmemnio
O presidente da Janta é o sr. João
Domingos de Oliveira Jánior, pessoa
muito estimada na freguesia do Pes
de dos Governos e por mais altos os –
quistas do Progresso, impelides pela |
populações rurais vêm=se modilican= .
A freguesia do Peso, constituida
“que o seu S. João também há-de.
“A aldeia do Peso dista 13 qailó=
“ro há mais de dois anos!
so pelas suas qualidades de carácter.
Acudiu, gentilmente, ao inquérito
da «Comarca» pelo maito amor que
dedica -à sua terra e porque sabe bem
quão valiosas são as repercussões
que apresentam os problemas regio-.
nais quando tratados e desenvolvidos
na Imprensa que a eles se vota sem
qualquer outro intaito que não seja
o de elevar as nossas terras e a nos»
sa região à situação de prosperida-
de que legitimamente ambicionam.
Torna-se, assim, facílimo ao rem
pórter iniciar mais um inquérito, dism
pensando-se de preâmbulos ináteis
para quem aprecia, por educação e
prática da vida, a clareza e a simplin
cidade.
Fazemos a primeira pergunta: —
O sr. Oliveira pode dizer-nos quais
os melhoramentos efectuados na área
“da freguesia nos últimos anos?
— Da melhor vontade. Nos últimos
oito anos há a registar os seguintes:
instalação dama cabine telefónica em
Outubro áltimo, ligada à rede de Carm
“digos, melhoramento efectuado gram
ças à intercessão da Casa do Povo
e auxílio monetário de todos os fim
lhos e amigos da freguesia; ligeiras
reparações, com intervalos de anos,
na estrada manicipal do Peso a Vila
de Rei, a única via de comanicação
que possuimos, pela Câmara Mani-
cipal; ligeiras e periódicas reparações
nos caminhos vicinais da freguesia,
pelo Janta; pequeno arranjo na esn
cola olícial mista, a expensas do Mun
nicípio. . |
— Que melhoramentos há, actual= .
mente, em execução ?
—Arborização e outros arranjos.
no largo do Chafariz, custeados com
o saldo da subscrição destinada ao
telefone; obras de restauro na igreja
matriz por iniciativa do zeloso páro=
co da Íregucsia, rev.º Sebastião de
Oliveira Cardoso, para que ele próx
“prio contribaiu e também vários pa=
roquianos e amigos da freguesia;
dois pequenos aquedutos nos ribei-
ros de Algar é Valongo, a expensas
da Câmara Municipal e dos morado»
res das povoações mais directamen»
te interessadas. E
— Agora cabe fazer a pergunta rem»
putada mais importânte:—E quanto
a melhoramentos e obras de que a
ireguesia carece ?
—Se quisesse dizer tudo, um só
número da «Comara» talvez não
chegasse! Mas, para que se veja à
extensão das nossas necessidades,
basta que me ocupe dos melhoramen=
tos mais urgentes, dos mais premen=
tes, dos que estão em primeiro plan
no, daqueles, eniim, sem a realização
dos quais a freguesia não pode pro»
gredir e desenvolver-se como arden»
temente aspira há muitos anos; ca
todos sobreleva o problema das vias
de comunicação, cujo alcance se torm
na desnecessário salientar porque,
sem ele resolvido, todas as activida-
des se mantêm numa vida pouco
menos que parasitária, difícil e in-
suportável! E começarei pelas cs»
tradas, que são, como já afirmei, o
nosso problema n.º 1: conclasão da
E. N. n.º 244 de ligação à sede da
nossa comarca—a: Sertã—, cujos
trabalhos se encontram interrompi-
dos em Santo António do Marmelei=
Esta as=
piração—como sabe—remonta já há
60 anos, é do tempo dos nossos avós!
Vários traçados foram já feitos e até
hoje continuamos isolados da sede da
comarea! Para cúmulo, a única ponm
te que na ribeira da Isna nos dá
acesso à mesma, constitui gravíssi=
(Conclui na 3.º página)




