A Comarca da Sertã nº754 15-02-1951

 A Comarca da Sertã

Representante em Lisboa:

João Antunes Gaspar L. de 5, Domingos 18 r/t – Tel. 25505

Director Editor e Proprietário:

Eduardo Barata da Silva Corrêa

Publica-se nos dias 5, IO. 15, 20, 25 e 30

Sertã, 15 de Fevereiro de 1951

Hebdomadário regionalista, independente, defensor dos interesses  da Comarca da Sertã: Concelhos de Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei: (Visado pela Comissão de Censura)

Ano XV     Redacção é administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: — GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ Nº754

 

O que eu penso sobre o Plano de Urbanização

Para a frente é que à 0 caminho!|

| além da baía, entre as Berlengas ca

É ‘ à cinco dias cabe à Cân
Daqui mara Manicipal êmitir o
seu paracer sobre o ante plano de
urbanização da Vila da Sertã, con
iorme resolução tomada na reunião
extraordinária de 30 de Janeiro e era
nesta que esse parecer deveria ser
dado se o sr. presidente da Câmara
“não hoavesse tomado em considera
ção o desejo manifestado por algans
“vereadores de apreciarem, com maior
cuidado e ponderação. as sugestões
“apresentadas naquela dita reunião
por elementos constitutivos do Con=
selho Municipal e da Câmara.
Depois compete ao Conselho Man
nicipal apresentar também o seu pa-
“recér, sendo, de seguida, ambos rem
metidos à Repartição de Estados de
Urbanização, que insistentemente os
vem reclamando desde os áltimos
meses de 1950, pedido que a Câma-
ra aínda não satisf:z com a alegam
cão—exposta por mais dama vez dim
rante aquele período e, pela última,
em 19 de Dezembro conforme cons
ta da acta deste dia -de que o sr.
arquitecto António Neves, autor do
projecto, não havia devolvido as rem
clamações dos diversos manícipes é
outrossim não dera a sua opinião
“sobre os lundamentos que as motim
varam; no mês passa lo essas reclan
-mações foram devolvidas, acompan
nhando-as uma carta daquele técnim
eo, que se pronancioa absolatamente
desiavorável acerca de qualquer mo
dificação do projecto por entender
que a maior parte das supestões
agora apresentadas são puramen-
te de interesse particular e estas
não poderiam nem podem ser aten-

didas por prejudicarem os interes-

ses colectivos da Vila.

Desta carta tomou a Câmara com
nhecimento na sua reunião de 16 de
Janeiro, pablicou=a a «Comarea» no
dia 20 imediato, e foi por virtude dela
que se «deliberou convocar os seus
membros para uma sessão extraor»
dinária a realizar em 39 do correnn
te (Janciro), convidando a assistir à
mesma os componentes do Conselho
Municipal como representantes das
forças vivas do concelho a fim de a
Câmara, depois de ouvidas as opi»
niões daqueles e de ponderar convem
nientemente os assuntos em causa,
emitir o seu parecer, que será apre-
sentado ao Conselho Manicipal, que,
por sua vez, emitirá também o seu».

Na reunião de 30 de Janeiro, em
que apenas dois dos reclamantes se
pronanciaram aberta e clâramente,

“um, pelo não aprovação do plano e,
o segundo, pela sua revisão, sagem
rindo à Câmara e ao Conselho Max
nicipal a vinda dum técnico compe-
tente para, com a Câmara, «estudar
c apreciar as reclamações apresen-
tadas a fim de ver o que nelas há de

“ atendível», ideia ainda apoiada por

alguns vogais do Conselho Municipal
ce membros da Câmara, verificou-se,

apesar de tudo, ama corrente favom |
ravel à rápida decisão do assunto
por parte de ambos os corpos admin

nistrativos lârgamente representados |

na reanião, aos quais incumbe apre

sentar pareceres claros e definitivos,

O que, afinal, corresponde aos dese-
jos expressos pela população da Vin
la, pela opinião pública, por todos as
Sertanenses afeiçoados à sua terra é
ainda pelos muitos amigos da Sertã
ausentes—o que é, dig»mse a perdan
de, uma importantíssima força pelo
námero e pela qualidade que jamais
poderá ser desprezada—opinião pú-
blica que expontânea e clâramente
alirma, com certo ealor, que já «é
tempo de a Sertã deixar de ser feudo
ou coutada de ans tantos para se
elevar à situação de progresso a que
legitimamente tem direito»; e mais:
«que os interesses particalares só dem
vem ser considerados né la em
que, de modo algam, nã tem
desenvolvimento da Vila, manietada
e salocada pelo egoismo € falta de

visão de ans tantos que se preoca- .

pam tanto com o bem-estar da terra
ec dos Seas habitantes como da prim
meira camisa que vestiram…» E

E estas afirmações são acompar
nhadas de objurgatórias, que, evim
dentemente não posso trazer a lume,
mas dão a justa medida do nervosism
mo da grande massa da população
pelos embaraços levantados à apro
vação do antemplano e mostram ain-
da que todo o Sertanense, mais ou
menos culto, tem opinião assente son
bre todos os problemas importantes da

Sua terra,não se dispondo a transigir,
| Sem protesto, com empecilhos que ori»

(Conclai na 4.º-pág.y

À ESCADA DA VIDA

Encontrou-sé a Caridade
Com o Orgulho, eerto dia:
Subia o Orgulho uma escada
E a Caridade descia.

Ela humilde, ele arrogante,
No patamar dessa escada,
Os dois, cruzando-se, viram
Uma rosinha pisada. €

Emproádo, o Orgulho, vendo-a,

Deu-lhe nova pisadela;
De joelhos, a Caridade
Deitou-se aos beijos a ela.

Mas nobres passos se ouviram
De som divino e tremendo:

O Orgulho seguiu subindo

E a Caridade descendo…

Ea voz de Deus entretanto

Disse bramando e sorrindo: .
— Tu que sobes, vais descendo!

Fu que desces, vais subindo! )

Pe ee SD) 9 E

– À pesca da sardinha

Os barcos formam cfrealo para

costa; sete, oito, dez, de vela trian-
Ggalar, que se preparam gara ergaer

à armação da sardinha–ama grande .

rede com am saco–o covo. À sar=
dinha, ao encontrar no sea caminho
a rede, deriva para o saco, tirando=a
Os pescadores com a chalapara para
dentro dos barcos. E’ uma onda dê
prata que sai da tinta azal.

— Cheira a alges e a mar vivo. Im=
pregna-me é trespassa-me. Delxam
me O sal nos beiços.

Oito horas.
descerra-se à cortina vaporosa; dis=
solvem-se os últimos fantasmas, € O
panorama súrge, eomo uma apari-
ção, do fundo do mar.
– Einlo diante de mim. Primeiro a

| costa, ao longe violeta e vermelha,

mais longe roxa e diáfana, mais lonm

“ge ainda pérdida na bruma. Aqui e

rrel, Cam
to:

ali uma aldeia eo sol—o Fe

tes à linha azal de e N

fândo, Peniche e a formidável cenom
grafia do Carvoeiro, que entra pelo
mar dentro; à direita as Berlengas,

que, pelo recorte e pela cor, parecem

duas nuvens pousadas no mar, à es»

querda das terras cortadas a pique. |

(Uma grande rocha no mar,io Baleal,
ligada à terra por am fiv de areia,
com uma baia as norte ce outra ao
sal. Distingo-lhe es pedras cor de
giz, oatras avermelhadas, outras raí»
das e estranhas, que as vagas salpi=
cam de espuma… Tado isto feito de

pó, e sempre duas tintas predomi-

Mais ans minatos e |

‘“tila e some-se 0 farol das Fertengol,

nando, a do mar. ezal, e a do céu
azul, uma esverdeada como ama so=
lação de sulfato, a oatra infinita e
eterna,

—Ala! ala!

Do fundo do mar continua à sair
a sardinha, da onda cobalto a prata
reluzente. Os homens gritam, E” a
gente morena de Peniche ou do Fer=
rel que acamala, e que, terminada a
vindima, e recolhido o mosto nas
cabas, vai, com as mãos ainda tintas
do eacho, apanhar a sardinha que
salta do lume de água, a sarda é à
morcia, oa com o bicheiro fisgar os
DOÍvOS, que se escondem nas pedras.

—hAla! ala!

Isto dura horas, dura o dia. No
regresso já o sol desaparece atrás
de Santa-Catarina, e a luz confan»
de-se com à luz do luar, que tremes
luz na esteira mágica do barco. Cin=

e mais longe reluz 0 do Cabo, qa

mim tem todas.as tonalidades do ver»
de, verdes escaros, quase negros,
verdes de podridões, esvérdeados com
restos de algas, espumas e babugens,
e ao longe empalidece e sonha, des=
Teito em poalha quase ctérea. Há tons
violetas esparsos, e tudo para mim
se confunde, sonho e realidade, quans.

“do a voz plangente se transforma em

voz clamoroso. Ao apraximarmos
nos da costa’o grande coro de law
mentos sobe cada vez mais alto…

Reul Brandão

€ N . Segunda reunião orninária cam
É Ô marária de Janeiro próximo
findo foi apresentada uma proposta

no sentido de ser redazida em 15% |
a iluminação pública nas redes de .
Sertã e Cernache do Bonjardim. A.
Câmara,—talvez por a proposta saba .

metida à sua apreciação conter mam
téria de certo melindre, deliberou
que a mesma voltasse à reanião or»
dinária seguinte, antes de se pronan«
ciar dejinitivamente sobre q seu teor:
c ainda bem que assim procedeu,
porque deu tempo a conhecer a reac-

ção dos manícipes que em especial | de maior “intensidade luminosa ce os

seriam atingidos pela aprovação ou
que mais de perto sofreriam as suas
consequências, os quais munícipes
tiveram ciência do sea conteúdo atram
més da leitura da respectiva acta,
coniorme é de lei, no princípio da
reunião extraordinária da Câmara e
do Conselho Municipal que teve lu
gar no dia 30 do mesmo més.

Qualquer pessoa que tenha ouvi=
do ler tão singular proposta ou dela

haja tido netícia indirceta, pergunta |
Sa “| Sem querer, automáticamente, se não .
Eugénio de Castro |

estará a sonhar ou não será vítima

de um pesadelo. Em toda a parte —
lá fora e entre nós—é tendência
constante e firme a preocupação, o
cuidado das autoridades e dos res-
ponsáveis pela administração pdbli=
ca, estadual ou manicipal, no sentido
de se llgminarem com a maior intea»

“Sidade possível as vilas e os reeintos

que o páblico tem de frequentar, ou
seja por necessidade ou seja até pa»
ra simples recreação do espírito; «

“assim às lâmpadas surgem, quando

O permitem eircanstâncias de diver-
sa natureza, com potência eada vez

postes ou Suportes se sabstituem por
Oulros, cujo dispositivo aliado à com
locação dos focos iluminantes dé as
maiores garantias de segurança às
deslocações dos transeuntes habituais
Ou meros utentes ocasionais do ser=
VIÇO.

Na Sertã, porém, é que em tal cam
pítalo se manifestam de longe em
longe—-mas revelando um propó-
sito preconcebido (dir-se-ia) de
alcançar finalidade que nem toda
a gente, às primeiras. impressões,

1 (Conelasão nest pág


A Comarca da Sertã


CUMEADA 26.

Foi enterrado, ontem, no cemi= À

José Pedro, abastado proprietário,
da Rebaxia dos Faustinos, que.no
dia anterior havia fechado os olhos

4 luz do diu, pelas 5 horas da.

monhã. E
Foi algo de congestão cerebral
que o vitimou repentinamente. No
dia 23, rente ao sol-posto, foi aco-
metido do ataque, que lhe fez per-
der cs sentidos e o levou poucas

horas depois. Foram chamados o’

pároco e o médico imediatamente.
Apenas lhe puderam ministrar a
Absolvição e Extrema-LUnção.: O
médico que acorreu prontamente,
de nada he pôde valer. Foi uma
morte muito sentida em toda a fre-
guesia, porque o finado era um

“homem querido e bem visto por

todose contava inúmeras simpatias.

Deixa viúva a Srº Carolina da

Costa, à qual, bem como a seus
filhos, apresentamos sentidos pê-
sames.

— Veio visitar sua Jamília o rev.º
Américo António Marçal, pároco
do Orvalho e Cambas. e
— —O frio, nos últimos dias, tem
sido intensíssimo, fazendo prever,
a todo o instante, caída de neve.
Na quarta-feira, chegaram mesmo
a cair alguns flocos de neve. —C,

” OLEIROS, 5
O frio

Tem caído nesta região vários

nevões e chuva acompavhada de
granizo que muito tem contribuido
para que se faça sentir bastante
frio, e ainda para mais assustar os
habitantes que julgavam já ter

ia 2, dia de Nossa Senhora das
Candeias, de sol limpido, e segun-
do diz a lenda: Senhora das Can-
deias a rir está o frio para vir, se
chora está o frio fora: como de
facto riu-se mas ao outro dia vol-
tou a nevar onde a braza debaixo
de um enorme nevão: este ano pro-
mete ser abundante em água por
se encontrarem as nascentes bas-
tante fortes, e as serras cobertas
de neve na maior parte do tempo.

“Necrologia
“Em 29 de Janeiro último fale-

ceu em Oleiros, o sr. António Mar-

tins Salgueiro, com cerca de 90
anos de idade, de onde era natural
desta vila, casado com a srº D.
Amélia Augusta da Piedade, pai

dos srs. Augusto Martins Salguei-

ro, empregado dos €. T. F. em Bi-
lene Macia (Africa Uriental Por-
tuguesa), e Padre Ernesto Martins

‘ Salgueiro, pároco da freguesia de

Escalos de Baixo, Francisco Mar

“tins Salgueiro comerciunte desta

vila e da menina Maria Martins
da Piedade. o fa

O funeral realizou-se “no dia
imediato com grande acompanha-
mento para o cemitério local; con-
tava grande número de amigos
António Martins Salgueiro, já pe-
la sua idade e pela sua maneira

de conviver, com quem privava era

estimado por todos.

Além de proprietário exerceu
durante alguns anos o lugar de
escrivão das Execuções Fiscais,
Arbitiador oficial do Concelho, e
por fim foi empregado da Casa da
Lavoura em Úleiros.

A” familia enlutada sentidos
pêésanies, Ee

Ao dia 2 de Fevereiro corren-
te, [aileceu na sua residência do
Monte de Cima, desta freguesia,
o sr Possi ce Martins, de 84

“nos de idade, deixa viúva a sr.*

no lugar do Bico da Pedra, e das

srs D. Maria do Carmo Neves,

casada com o sr. António Carlos
Mendes, G:N. R.em Lisboa, D. Na-

zaré das Neves, casada com o sr.

António Alves, da Portela do Es-.

treito e D. Deolinda das Neves, ca-

sada com o sr. Jouguim Antunes,

do Monte de Cima.

Realizou-se no dia imediato o

seu funeral com grande afluência

de amigos do extinto, tendo havi-
do missa de corpo presente; o fi-
nado havia longos meses que se

encontrava retido no leito sem es-
– prerança de melhoras; deixou pro-

funda saudade a todos os vizinhos
e amigos pela sua desinteressada
maneira de conviver,

Paz à sua alma, —l.

CUNQUEIROS (S$. Formosa)

Realizóu-se no dia 31 de Janeiro
p. p. O casamento do sr. Antônio Se-
queira Rosa, deste povo, lilho do sr.
Manael Cardoso Sequeira e da sr.º
D. Júlia Henrigaes Rosa, já falecidos,
“com a sr? D. Maria do Céa Farinha,
filha do sr. António Henriques : da
sr? D. Maria Farinha, da Isna de
Oleiros.

Serviram de padrinhos, por par-

te do noivo, seas tios, sr. José Car-=
doso Seqacira e sr.” D. Maria da
Craz, é por parte do noivo, sea tio,
sr. José Cardoso e sua prima, sr.? D.
Jália Mendes. O casamento foi cele-
brado na Igreja daquela freguesia
pelo Rev.º P.º Domingos Sequeira Ro-
sa, pároco no Rusmaninhal e irmão
do noivo que, ao deitar à bênção lhes
dirigia uma brilhante alocução. Foi

“servido depois um abandante almoço
em casa dos pais da noiva a cerca |

de cem pessoas, seg(iindo dali em cam
mioneta para este povo onde os noi-
vos fixaram residência, pcrmanecen=
do todos os convidados até à tarde
do dia seguinte. Aos noivos que nos
tocam por partes familiares deseja-
mos aum longo lataro de vida com
todas as felicidades.

— Ainda em construção o marco
fontenario que se coloca próximo da
escola oficial,

— Também se dea princípio aos
serviços d9 cemitério que se preten-

“de constrair neste povo.

— Foi a Coimbra, onde teve demos

ra de poucos dias à procara de alí
“vios para os seas padecimentos a es=
posa do sr. tenente reiormado e con
mandante da Legião desta Iregaesia

sr. José Delyado, mãe da sr.* D. Man.

ria Emília Dcigado Maralha, proies-

sora oficial neste povo. A” virtuosa

senhora desejamos boas melhoras.
—Há por aí grande desaioro em

comprar bicas (resina) para o ano.

que começa; oferec:=se já dinheiro
às mãos largas metendo-se mesmo à
cara, sendo interessante não haver
maneira de liquidar as contas da
que já terminoa; já viram negócio
mais escuro ?

—Os últimos temporais deitaram
muitos pinheiros abaixo € puseram
os caminhos em algumas partes in=
transitáveis.—C.
(De «Beira Baixa»)

AGENDA
Estiveram: em Cernache do Bonn
jardim, o sr. Jaime Manael Bravo
Serra, Secretário da Câmara do Fan-
dão; no Troviscal, com sua esposa.

o sr. Manuel Cristóvão dos Santos,

de Amadora; e na Moita, com sua
esposa, o sr. Adelino de Melo Lei-
tão.

A Comarca da Sertã

D. Martinha des Neves, era pui do js :E

fério público desta freguesia, o Sr. “FP sr. “Manuel Martins, proprietário

“Vai a Lisboa?
* Prefira a CENTRAL DA BAIXA
“o – * W4Ruado Ovro9)B É 4
Telei. 20280 Gerencia 26674 – É
LISBOA –

de Anudia.

João da Madeira.

O ESCONDIDINHO
Augusto Custódio Esteves

OLEIROS |
Fazendas, mercearias, ferragens e quinquilharias.
Especialidade em vinhos da reuião. e e
Agente da Sociedade de Vinhos Irmãos Unidos, de 3. João
Agente da Fábrica de guarda-sóis «A Mensageira», de S.

Sempre os melhores preços.

Necrologia

Em Oleiros, donde era natural,
faleceu, no dia 29 do mês findo,o
sr. António Martins Salgueiro,
de 81 anos, casado com u sr. D.

Amélia Augusta da Piedade, pai.

do nosso estimado assinante sr.
Augusto Marins Salgueiro, fun-
cionário colonial dos C.T.T. aci-
dentalmente em Castelo Branco e
dos srs. P, Ernesto Martins sal-
gueiro, pároco das jreguesias de

Escalos de Baixo e Mata ( Castelo

Branco), Francisco Martins Sal-
gueiro e da srº* D. Maria Martins
da Piedade, de Uleiros, sogro das
sr BD. Camila dos Santos Salguei-
ro, acidentalmente em Castelo Bran-

co e D. Isaura da Conceição Pau-

la Salgueiro, de Oleiros. cunhado
do sr. Francisco Mateus Pinheiro,

de Oleiros e da sr* D, Atilie Pi–

nheiro Lázaro, esposa do sr. José
Lázaro, da Guarda e tio da sr.º 1).
Celeste Martins Salgueiro, esposa
do sr. Artur Gonçalves, do sr. João
Martins Salgueiro e do sr. José
Martins Salgueiro de Oleiros.

O extinto, dotado de grandes
qualidades de carácter e coração,
prestou bons serviços ao povo do
concelho de Oleiros, aconselhando
e afastando muitas divergências
entre as famílias. Com grande
aprumo e competência, desempe-
nhou os lugares de escrivão do
Juizo de Paz e das Execuções Fis-
cais, secretário da Administração
do concelho e aspirante de Finan-
ças, os últimos dois na situação
de interinidade, e ultimamente era
empregado da Casa da Lovoura
de Oleiros, tendo merecido um lou-

“vor de parte dos seus superiores;

de inconcussu probidade’e sempre
prestâvel, o extinto disfrutava da
maior simpatia e da mais elevada
consideração, pelo que u sua mor-
te foi deveras sentida, constituindo
o seu funeral grande manifestação
de sentimento.—( E.)

A toda a família enlutada e,
muito especialmente, ao sr. Augus-
to Martins Salgueiro apresenta a
«Comarca da Sertã» sentidas con-
dolências.

Urbanização da Vila da Sertã:
Na saa próxima reanião ordinária, |
em 20 do corrente, à Câmara Mani-.

cipal deverá tomar deliberação deti=
nitiva sobre o caminho à seguir quan»
to às sugestões apresentadas na reum
nião exiravrdinária de 30 de Janciro

“por virtude das reclamações de al-

guns manfeipes respeitantes ao antem
plano de arbanização. Seguidamens

te, caberá ao Conselho Manicipal dar

o sed parecer.

Coisas dos números

Os números perfeitos foram sem»
pre tidos em honra pur todos os pow
vos. Em toda a parte têm um signi-
ficado simbólico o 3 e 07. O 37,
com cfeito, tem estranhas proprieda-
des. Maltiplicado por 3, 6, 9, 12, 15,
18, 21, 24 e 27, dã prodatos de três
algarismos igdais, caja soma é igual
ao númerv pelo qual ioí maltiplicado.

Assim: 37X5=-111; 57X6=222; 37X9

= 533; 97X12=- 44; 31X15=555;
37X18==606; S7X21==777; 97 X24=888;
57X27==999.
tExperimentem e verão!
” 4 |
Americanices
No fim de 1950 havia nos Estas
dos Unidos cerca de 48.500.000 (quam
renta e oito milhôcs € quinhentos
mil) automoveis em ianção E regis=

tados.
»

* * ;

De Junho de 1949 a Junho de
1950, os americanvs lumaram 335.
Diliôcs de cigarros, mais três biliões
que no ano precedente; O CUnSUMo
dos chardaios foi avaliado cm 5 bim
liões e 500 milhões 1… a

Conselho Municipal
Reane hoje o Consclho Ma-
nicipal para apreciação do rela-
tório da gerência da Câmara
Manicipal do ano lindo. ;

DOENTE

Tem estado doente o nosso amix
go sr. António Morcira de Olival,

comerciante nesta praça, à quem dem

Sejamos prontas mclhoras.

Termas de Monfortinho

Aberta de 5 de Março a 10
de Janho. | €
Maravilhosos na cara de doen-
ças da pele, lígado, rins e in-
testinos. |
Prelira a Pensão Ibéria
(de 1.º classe).
Optimas instalações—Servi-
ço esmerado.
Transporte privativo—Telf. 17.

“). GUSTODIO DOS SANTOS
: ADVOGADO
Caixa Postal 342
Luanda — Angola
SERTÃ


A Comarca da Sertã


Operacões no Hospital
de Pedrógão Grande

A Comissão Adminisirati-
va da Misericórdia de Pedrógão
Grande; constitaida pelos Ex.”
Srs. P.º José Ferreira, Dr. Antó-
rio Montarroio Farinha, Dr. Já-
io Baeta Rebelo, Carlos de Oli-
veira Pinho e Amândio Daarte
Canelas, tem desenvolvido ama
acção àltamente hamanitária em
“benelício dos habitantes do con-
celho.

“Além de is anualmen-
“te milhares de escudos em remé-

dios pelos doentes pobres do con-

celhe, dotoa o hospital desta vi-
la com as mais modernas apare-
“lhagens (Raio X, ondas curtas,
electrocirargia, altravioletas, in-
Tra-vermelhos, estufa eléctrica,
autoclave, etc.) e arranjoa uma
sala de operações condigna para

nela se proceder a intervenções

dc grande cirargia.

“ Para médico-cirargião do
Hospital foi convidado o grande
professor da (niversidade de
Coimbra Dr. Bissaia Barreto, que

veio fazer a inaagauração dos ser-

viços no dia 12 de Novembro do
ano findo. A ela assistiram, a
reierida Comissão Administrati-
va, Presidente e Vice-Presidente
da Câmara Manicipal, Vereado-

res, Presidentes das juntas de.

freguesia, Presidente da Direcção
da Casa de Pedrógão em Lisboa,
os pessoas de maior destaque
no concelho e maito povo. Ao
mesmo acto compareceram tam-
bém os ex.”* sr.*, Depatado da
Nação Dr. Ernesto Lacerda, de
Figaeiró dos Vinhos e Dr. Alba-
no Silva, de Cernache do Bon:
jardim.

“Nesse dia fez-se uma sessão
operatória em que o eminente ci-
rurgião Dr. Bissaia Barreto aja-
dado pelo médico do 2.º partido

e médico do hospital Dr. Armin- .

do Silva operaram nove doentes.

8) De «Apendicite»: Zalmira
fiarques ce Celcsic Luis: b) de
Hérnia inguinal: Albino das AI-
mas; 6) de Hidrocelo: Albano Fer-
nandes; d) de Quisto do cordão
espermático: Arménio Coelho Si-

| “+ e
Arcádia
O Dancing n.º | da capital

APRESENTA: É
(m grandioso programa
7 € Gis
atracções selecionadas.

Música constante por duas
“dinâmicas |
ORQUEST RAS

de ritmo moderno.
Não ficará conhecendo LISBOA
quem ali jor e não visite O

coserrenasio, oo nm

tnões;e)às Amígidalas: Maria Je-
sus Cabral, Fernando Godinho
Coelho; f) de Fimosis: António
Ferreira; e €) de Qaisto dermoi-
de: D. Adelaide Pedroso Pinto.

No dia 23 de Janeiro do ano
corrente hoave nova sessão em
que os mesmos médicos opera-
ram com o melhor êxito, como
da primeira vez, 12 doentes as-
sim descriminados:

a) De «Apendicite»: Alzira Lo-
pes, Felícia Farinha, Maria Fran-
cisca, Helena da Conceição e
Maria Martins Salgado; b) de
Varizes (salenectomia): Cândido
Lopes da Silva Roldão; 6) de He=-
matocelo: José Simões; d) de Hi-
drocelo: Joaquim Simões e José
Francisco, do Vale do Neto; e 6)

de Quistos vários: Adelaide An-.

tão, Mandaela Marques e José
Dias Novo.

Brevemente há outra sessão,
que se repetirá regalarmente, o
que maito beneficia os doentes da
região. Todo o concelho apoia a
feliz iniciativa da referida Comis-
são e lhe rende: às melhores ho-
menagens.—(E.)

Desastres

—No dia 4 do corrente, em Olei-
ros, quando se preparava paára rem
gressar a sua casa do Peso, caiu na
rua do Ramalhal, partindo ama per=
na, O nosso amigo sr. Aagusto An-
tanes; O sinistrado teve de seguir pax

| ra Lisboa, licando internado no hos=

pital de Santa Marta (enfermaria C.
IL A.B.). Na capital era esperado
pelo seu canhado, sr. Aníbal Mar»
tins, digno chele da P.S.P.

Lamentamos profandamente a tris-
te ocorrência, formulando os mais
sinceros votos pelas rápidas melho-
ras do sr. Augasto Antunes.

—No lwgar dos Faleiros, freguen
sia do Cabegado, am automóvel atros

“peloa Felizarda da Conceição, de 70

anos, padcira, que solrea fractura dam
ma perna. O motorista, após ter
transportado a pobre velhinha à Cer-
nache do Bonjardim, pôs-se em fam
ga; porém já foi identilicada à mar
trícala do carro, estando o caso afecn
to ao poder judicial desta comarca.

— Iniormam do Peso (Vila de Rei)
que quando procedia à reparação de

“uma casa de arrecadação no lagar

da Silveira, caia da altara de quatro
metros c morrca, em consequência
de iractara da base do crânio, João
Domingos, de 56 anos, casado, agri=
caltor.

À Exposição Industrial “see deal

zar- -se em
sivelmente, no próximo mês de Mara
ço. Em Castelo Branco € em tudo O
concelho de que é scde trabalha-se
entasiâsticamente no sentido de ali
levar condigna representação. Cer=

tamente que esse também será o prom
posito de muitos Outros concelhos

da província. Qaanto ao concelho

da Sertã, nada nos consta que seess

teja a preparar com a mesma finali=
dade, O que é estranho, pois que Os
indastriais do concelho têm interesse

eim ali expor os scas produtos, al=
guns dos quais bastante valiosus.
| Pelo que esperam ?

Incorporação da recrutas

em 1951

Do Comando da 3: Região Mili-
tar, com sede em Tomar, recebemos

a scyúinte nota com 0 pedido de pa- E

blicação:

A incorporação de recratas em
1951 deve realizar-se nas datas que
para cada arma ou serviço vão in-
dicadas, salvo aviso em contrário:

o)—Injantaria c Aeronáutica (ser-
viço terrestr.): Dias 16, 17 é 18 de
Abril, pará o 1.º turno od tarno áni=
co; € nos dies 28, 29 e 30 de Setem-
pro para O 2.º turno;
“ paArtilharia: t—de campanha
(ligeira ou pesada) dias 16. 17 € 18
de Abril (turno único); 2 —de costa
e contra ueronaves: dias 1,2 € 3 de
Maio (tarno único). 7
C)—Cavalaria: dias 27, 28 e 29

“de Março (turno único.

d)—Engenharia: dias 27, 28 e 29
de Março (tárno único).

e)–Serviço de Saúde Militar:
dias 16 17 e 18 de Maio (tarno ánico);

)— Serviço de Administração
Militar: dias t6, 17 € 18 de Maio
(tarno único);

g)—-Escriturários Militares: dias
15, 14 € 15 de Maio (tarno único)

h) — Atiradores motociclistas:
(dos Batalhões de Metralhadoras):
dias 16, [7 €18 de Abril (tarno único).

)— Condutores auto e ajudan-
tes de mecânicos auto (exclaidos os
estalctas moto):

t—Artilharia de costa: dias 1, 2
e 3 de Maio (turno ánico).

2— Artilharia contra céronaves:
dias 1. 2 e 3 de Maio (turno único)

5— Cuvalaria:; dias 27,28 e 29 de
Março (tarno único).
— 4-Engenharia: dias 27, 28 € 29

de Março (tarno único);

5—Das restantes armas: dias 16,
fre 18 de Abril;
dias 28, 29 e 50 de Setembro, para o
segundo tarno.

Tanto os mancebos interessados
como os seus representantes deverão
ler oa mandar lcr com muita aten-
ção Os editais que sobre este assan=
to vão ser afixados nos lagares do
costame, à fim de se certificarem dos
destinos que lhes forem dados e das
datas em que devem apresentar-se
para Incorporação.

Vida Religiosa

oO primetro sermão da Quaresma
foi pregado, na igreja matriz da Ser»
tã, no domingo passado, pelo coad-
jutor rev. Manael José Lopes; os dos
domingos imediatos serão prêgados,

“às 15 horas, pclo rev. Luis Augusto.
Rocha, pároco de Cernache do Bonn

jardim.

Caçada e RAPOSAS:

Para as bandas da Cumiada reali=

Z9U-Se uma caçada às raposas, no

passado domingo, que, segando nos
disseram, resaltoa inteiramente in»

‘ tratílcra, cm parte, talvez, porque Oo

dia estava chavoso.

Cremos, contado, que as caçadas
se repetirão porque a terrivel ratom
neira tem feito tréinendas razias em
mdaitos pontus do concelho, que não
só na freguesia da Cauniada | Perás,

galos, galinhas e coelhos tém visto |

ama tona, contando-se por maitos
dizonas Os Aotataio devorados!

adianta imo cam mina
Coro ct cad io nad

Vende-se

parte de casa com 1.º andar €

loja que serve para negócio, sita
ô Praça da Repáblica, nesta Vila.
Tratar com António Ferreira

Marinha de Santo António. Sertã.

para 0 1.º tarno; e.

& Comarca da Sertô ===>

“«Salubridade»

“90 da autoria do nosso patrício é
estimado colaborador sr. dr. Antó
nio Nanes € Silva, não pôde hoje ser

| Jacinto Morais Antunes: A dede

A Ny EVE: Muitas pese

e soas da Sertã
—desejosas de obscrvar o panorama
maravilhoso olerecido pela neve, de

fulgarações estranhes, que cai do ced |
“em farrapitos flácidos e encanta pelá

pureza imacalada e pela biandaras
que se sente do mais simpl s e ligeia

ro Contacto—, têm ido dr pasSscio até

ao Alto da Serra c à Mata de Ála
varo.

Na 2.º feira, a neve, que coroava
o Picoto Raínho, tinha à formosará
dos mantos cintilantes porque o Sol;
rompendo as nuvens € incidindo som
bre ela, refulgia cm tudo O sea esa
plendor. Era espcetáculo soberbo
que prendia e enleava gaem O QDScr=

pod.

Ê O R O S Dizem-nos quê
– Os lobos já fizé-
ram a sua sinistra aparição nú ire-
quesia da Ermida, O que traz os ha»
bitantes justamente alarmados. |

A! vaga do lugar de oficial d: dos

ligências do Tribanal desto comarx

ca concorreram 26 can=
didatos, mas à data em que escrevra
mos esta nota ainda se desconhece
qual o que foi nomeado.

Para construção da estrada ui

“cipal entra Sarzedas e Estreito,

sedes de Iregaesia, à primeira do conm
celho de Castelo Branco € a áltimá
do concelgo de Olciros, concedea O
sr. Ministro das “Obras Páblicas, à
Câmara Manicipal dagacle concelho,

a comparticipação de 336.800800,.

Esta estrada representa qm impora
tantíssimo bencfício não só para à
ircguesia do Estreito mas para todo
[º concelho de Oleiros.

títalo do importana
! te € oportuno artia

pablieado, como noLiciámos, por vira
tade da falta absulata de espaço ; sêm

| lo-á no próximo n imcro, do que per

dimos descalpa ao autor € aos nos
sos leitores.

Inquérito às freguesias iii

mos insé
— (la região Comarçã rir hoje o
inquérito da Iregacsia de Palhais, O
que não nos foi pussível pela aglos
meração inesperada de original cujá
pablicação se impôs urgente; licará
para O próximo número, pois, à saíu
dao do depoimento do sr. presidente
da junta daquela fregacsia, pedindos
lhe descalpa do lorçoso adiamento,
A este depoiniênto, segair-sc-á q
do sr. presidente da Junta de fregaca

sia do Peso, do concelho de Vila de

Rei, cuja sede é uma importente é
progressiva aldeia.

hos nossos estimados assinantes
e LISBOA, dia ONde ACaDÁnios dé

xpedir OS recipos vas
assinataras, nd o obséquio dé
os ligaidar logo que lhes sejam eprer
sentados pela necessidade absolatá
que temos de realizar fanaos pera
ocorrer às oncrosas despesas de ads
ministração do pcriódico, lcmbrans=
do-lhes, ainda, que a devolução causa
sa-nos grandes prejaizos, não só por
que deixamos de receber em período
determinado as imporiâncias com
que contamos, mas também pela dam

plicação de encargos que determina

uma nova cobrança.

toi
transierido de Pedrógão Geide pt
ra Pombal, onde já se encontra, es=
te nosso amigo, distinto aspirante de
Finanças, à quem aprésentamous os
nossos cumprimentos. –


A Comarca da Sertã


 

Para a frente é que é |Umap

roposta infeliz

(Conglasão da 1.º página)

o caminho.

(Conclusão da 1.º página)

ginem o protelamento das soluções
mais convenientes para tado quanto
implique o resgate dama situação —
como neste caso do urbanismo —que
é, sem dúvida alguma vexatória e
pouco menos que detestável, colocanm
do a Sertã nam plano de vergonhosa
inferioridade em relação às suas con»
géneres! |
se o meu dever de Sertanense de
gema e de jornalista, — ainda que
sem mérito—me obriga a dar eco da
opinião da maioria do público não
acorrentado a quaisquer interesses
pessoais porque ama, grandt parte
não sabe expor em meia dázia de li=
nhas o que aflora ao seu cerebro dem
“sempocirado, do qual, por vezes, se
expandem ideias sensatas, claras €
dignas de ponderaçao sobre a res
publica ou à marcha dos assuntos
de interesse que mais ou menos se
prendem a sua vida, eu laço=o com
satisiação e no convencimento de que
-de algum modo contribao para o bem
comum.
Neste caso do plano de urbaniza-
ção, o público—e eq estoa lirme €
lealmente ao seu lado –pretende vêm
jo aprovado sem mais delongas, não
só inúteis mas absolatamente nefas=
tas porque comprometem, grâvemen=
te, O lutaro desta terra, mantendo-a
arredada de todas as iniciativas
tendentes a integrá-la no modernis-
mo de que se uianam outras de inn
ferior categoria, como sobre ela hodn
vesse caído a mais abjecta e doloron
sa maldição! Quem há que descou
nheça que os proprios filhos da Serm

tã, endinheirados, ao tentarem fazer |

“uma casa para nela passarem o res=

to de seus dias, lhe voltam as costas,

com desprezo, por ninguém ceder uns
palmos de terreno para a constra-
ção? E afirmam nunca mais cá pôr
os pés, indo para outra parte, onde
os receberão de braços abertos, em»
pregar Oo seu capital e a sua activim
dade! Quem há que desconheça que
se na Sertã não existe já uma gran»
de garage para recolha de automó-
veis e oficina de reparações é porque
o plano de urbanização — cujo estudo
principiou em 1946!—não foi ainda
aprovado? Quem desconhece que se
a Companhia de Viação de Sernache
não construiu aí uma boa garage é
porque ninguém lhe cedea uma par»
cela de terreno em local conveniente?
Não fale em bairrismo c amor à
sua terra quem apenas cuida do sea
interesse, do seu bem-estar e das
suas comodidades e está agarrado a
umas nesgas como a ostra do roche-
do e que nem sequer é capaz de vam
lorizar, empregando inteligentemente
o seu dinheiro, simaltancamente, em
“embelezar à urbe e na concessão de
facilidades a quem precisa de viver
em casa decente e não em casebre
ou de desempenhar o sea trabelho
em boas condições, com largueza,
comodidade e higiene, o que atrai

mais braços e proporciona maior

riqueza. |
Que os filhos adoptivos da Sertã
não sintam por ela aquela afeição

terna que é capaz dum desprendi-.

mento de egoismo e dum sacrilício
pela felicidade comum, admitimos €
compreendemos. Mas o Sertanense
sensato, calto € inteligente tem de ver
estas coisas sob o prisma da reali-

dade, com. espírito desempoeirado,

integrando-se nesta época dé reno»
vação que é inimiga declarada de
velharias e detesta a bota de clástico
como símbolo contamaz da negação
do progresso! Entravar a marcha
do progresso e da civilização é tão

estulto como pretender voltar à can»
deia de azeite c à mala-postal

A opinião páblica na Sertã é in»
teiramente contrária a que a aprova-
ção do plano de urbanização esteja
sujeita a novas demoras seja sob que
pretexto for; não lhe interessa Tun=
damentalmente um ou outro pormes
nor do conjunto, que bem poderá,
talvez, vir a ser modificado em qual»
quer altura, mas quer que se dê som

‘ lução imediata ao problema para

quebrar, definitivamente, as algemas
que armarram a Vila a am passado
sem glória e lhe tolhem a expansão

e os movimentos, a sufocam, impe=

dindo-a de receber os baíejos de mo»
dernismo, que, por Portugal fora,
têm transformado os bargos velhos
e bolorentos em formosas €c ridentes
estâncias, onde a existência decorre
cora alegria e optimismo porque a
vida se aligeira c dalcifica ao contacm

“to de comudidades e regalias que oa=

trora só conheciam os grandes seu
nhores!

-O que à população da Sertã dese-
ja é que o camarteilo manicipal reda-
za a estilhas esses amontoados de
casebres nojentos e sórdidos, onde a
miséria se acouta c se construam
moradias graciosas € higiénicas para

todas as classes sociais «e dentre elas .

—e antes de mais nada—um bairro
para as famílias pobres, libertando»
as das infamts espcluneas onde se
estiolam tantas vidas áteis porque o
ar e a laz fogem dall a sete pés com
mo o diabo da cruz; espelancas, sim,
porque ali não há qualquer conforto,
mas escuridão completa-e tenebrosa
que enfraquece o Íísico e envenena a
alma! São casebres dominados pela
doença c a mais atroz miséria]

O que a popalação da Sertã quer
é um mercado coberto € decente, ruas
descongestionadas de trânsito peri-
goso, avenidas largas e arborizadas,
parques, miradouros airosos, campos

de jogos! Qaer civilização, higiene, .

luz e ar à farta, água boa, alegria,
saúde «e boa disposição para traba
lhar e ganhar a vida!

O resto não lhe interessa. São
questões de campanário «que daqui a

meio século estão completamente es. |

quecidas!

Atente a Câmara nas legítimas
pretensões da população da Sertã c
no futaro desta terra e resolva o pro-
blema da urbanização sem mais des
moras. |

Tem-se perdido um tempo precio-
so. Não cstá certo. o

Eu—sem ter procuração de nin-
guém —não repilo a ideia de se reve-

rem com cuidado e aténção às reclam
mações para atender o que nelas ha-.

ja, possivelmente, de sensato, justo c
bem fundamentado.

Porque se não há-de ser transl
gente até o limite de não molestar os
Interesses gerais do páblico? Por»

que não havemos todos de ser tole-

rantes, se à telerância é a virtude
que melhor contribai para a paz en=

tre todos os homens?
Pois que se faça a revisão, mas:

apelando para à competência do ar»
quitecto e não para outras compe-
tências para evitar melindres, ofen=
sas e demoras que só prejudicam es
ta terra, bem digna de ser deiendida
e acarinhada pór todos quantos têm

“por missão páblica fozé-lo sem qual-
“Quer vacilação, por todos quantos
lhe votam algum amor!

– O resto não conta. E por hoje
basta.

Eduardo Barata

estará preparada para vislumbrar

| —apetites de franco retrocesso; €

esta proposta, que me sagere as con»

siderações que venho desenvolvendo,

apresenta-se na linha direita de od-
tros passos tímidos ensaiados já há
mais de um ano pela primeira vez,
ou seja, pouco depois, melhor dizen-
do, por altaras do início da entrada
em fancionamento do novo sistema
de distribuição de energia eléctrica
ao concelho.

Quer dizer: Já não bastava que
pôr negligência do electricista da rem
de da Sertã (nada digo relatisamente
ao que se passa na rede de Cerna-
che do Bonjardim porque não tenho
podido acompanhar de perto ou de

longe o funcionamento desta última), |

negligência consentida ou tolerada
porque mal fiscalizada e não repri-
mida, fvéssemos normalmente amas

cinco a dez lâmpadas, por noite, |

apagadas, « algumas cm artérias bas-
tante centrais da Vila; era pouco até,
pelos modos, que a intensidade lamin
nosa dos focos distribuidos por toda
a área do aglomerado arbano tivesse
vindo gradualmente a ser redazida,

– passando sacessivamente de sessen-

ta a quarenta e de quarenta a vinte

| e cinco c a vinte velas. Agora pre

tende-se suprimir por atacado nada
mais nada menos do que 15º/, do
conjunto |

E a que critério obedecerá a se-
lecção entre lâmpadas, em ordem a
saber quais as que Íicarão e quais as
que desaparecerão, a menos que a
redução se traduza por fazer min-
guar a potência iluminante de todas
às lâmpadas por maneira a que a
Vila passe a ser ilaminada por ama
ligeira cortina de pirilampos? E no
seguimento de tão peregrina suges-
tão porque não viria também a de
saprimir, por desnecessários, deter»
minados traçados, por exemplo o que
serve de apoio ao poste que sustenta
à lâmpada, que ilumina a chamada
Quelha dos Cantos, colocado cerca
do cotovelo que deita para a passam
gem da Ribeira Grande?

Esta última supressão, sendo man»
Samente proposta, teria mesmo o
merecimento de ensejar a retirada
de uma consola que tantos engalhos
causou por aí a quando da monta»
gem da rede de baixa tensão aqui na
Vila…

Mas será possível que, quem
apresenta tais propostas, deconheça
qae há leis que regulam estes assunm
tos? E também que, tratandonse de
obra compearticipada pelo Estado, se
não podem alterar traçados previam
mente fixados para efeitos do bene»
fício da comparticipação, sem conhe-
cimento « expressa anaêneia 0a con-=
cordância da Direcção Geral dos Sern
viços Eléctricos e mais organismos
que interferem na matéria ?!

Tado é possível, sobretudo quan»
“do com tais propósitos ou despropó-
sitos, ainda que directamente se não
vise esse fim, se podem também fan
vorecer as deembalações noeturnas

de certos devotos do deus Baco, ham

bituados do tempo da defanta «<Elée-.
trica Sertaginense» a só sairem das

capelinhas depois de apagada a luz.

da rede pública. |
Mas esses devotos e mais quem

“Os queira auxiliar nas suas romagens,

que tenham santíssima paciência,
porque os tempos são outros e a
Câmara Manipal de Sertã e mais o
Estado não gastaram muitas e mui-
tas centenas de contos de réis para,
finalmente, —c não obstante ser hoje
o nosso um dos concelhos (na pri-
meira fase da obra) melhor electrifim
cados de todo o distrito, até entre os
de categoria liscal € administrativa

muito superior à sua—se tender a
caminhar ao passo de caranguejo,
justamente nos dois centros arbanos
mais importantes do concelho.

Nem se argumente com a situação
financeira da nossa Câmara, porque
o fantasma já não comove nem me»
te medo a ninguém, sabido que o
rendimento dos consumos de eleetri-

“cidade nas três redes do concelho

tem aumentado, apenas em ano e
meio, por forma tão notável e com
tendências firmes no sentido de não
se deter tal aumento, que a despeito
do deficit originado pela largaeza de
vistas com que se procedeu à electri-
ficação, a empresa arrojada e arris=
cada (como os bonzos lhe chamavam
e não sei se ainda chamam) se revem
la desde já um golpe feliz, mesmo
sob o aspecto estrictamente Iinanceiro.

Eu penso — para terminar — que
tanto os munícipes residentes na
Sertá como os residentes em Cernan
che do Bonjardim, —que, aliás, não
são os únicos bencliciários do ser=
viço, como está bom de ver,—não
aceitarão de boa mente a redução de
15º/, na iluminação pública proposta
na segunda reunião ordinária de Ja-
neiro próximo findo, € por isso seria
de bom aviso que a Câmara delibe-=
rasse não a aprovar, pois que de
contrário iria cerecar regalias c van-
tagens que já- todos aalerimos há
muitos ce muitos meses €c com ecaja
caducidade dificilmente nos confor=
maríamos, uma vez que andar para
trás… não é cousa que agrade scjá
a quem for.

E já agora que me encontro com
a mão na massa, sempre aproveitam:

rei a oportunidade para requerer à

Câmara que a fiscalização se exerça
um pouco mais zelosamente do que
parece se vem exercendo, no tocans=
te à substituição de lâmpadas fundi=
das, globos partidos ou estilhaçados
e postes combalidos por acção for-
tuita de terceiros ou de força maior:
—€é que o que por aí se constata em
tal capítulo é pura e simpiesmente
inadmissível. Quase que não é pre-
ciso abrir os olhos para ver, € só
não vê quem não quer ver…

Neste ponto quase estou em dar

razão àqueles patuscos, que com o

ar mais sério deste mundo se pers
mitem por vezes dizer à boca peque=
no—que para isto mais valia à pena
continuar a aguentar a «Eléctricas.
(Deus me perdôe a blasfêmia 1)…

10/Fev.º/1951.
Flávio dos Reis e Moura

ANEDOTA

Um ilheu chegou-se ao pé do
carteiro e perguntou-lhe:
— Oh !senhorcorrcieiro, trás car-=
tas pró celantíssimo senhor mê pai?
— Então como se chama o teu
pai? Perguntou-lhe o carteiro.
“—Ah, senhor, ainda agora me.
lembrava e já me esqueceu!…
— Então não sabes o nome do
teu pai?!
— Eu sei que o nome dele é pa-
recido com os arrcios dum burro…
— E com o cabresto ?
— (Vão é tanto de diante.
— Então é com os atafais »
— Também não é tanto de trás,
— Então é com a cilha ?
— Também não é tanto de baixo.
— Então é com a albarda?
—PF bardade, é Alberto dos San-

“tos Carvalho; bêja se bem alguma

coisa p’ra ele…