A Comarca da Sertã nº751 30-01-1951

 A Comarca da Sertã

Representante em Lisboa:

João Antunes Gaspar L. de 5, Domingos 18 r/t – Tel. 25505

Director Editor e Proprietário:

Eduardo Barata da Silva Corrêa

Publica-se nos dias 5, IO. 15, 20, 25 e 30

Sertã, 30 de Janeiro de 1951

Hebdomadário regionalista, independente, defensor dos interesses  da Comarca da Sertã: Concelhos de Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei: (Visado pela Comissão de Censura)

Ano XV     Redacção é administração: Rua Serpa Pinto — Composição e Impressão: — GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ Nº751

 

NOTICIAS

Na Casa das Bairas

O Ex.” Sr. Dr. José Lopes

Dias realizou a sua confe-

rência sebre «Mortalidade

Infantil no Distrito de Cas-
telo Branco»

LISBOA, 13— (Do nosso Repr,
João Antunes (Gaspar) — Perante
uma assistência numerosa entre a
que! se viam muitas senhoras, reali-
Zou=s” no salto de festas da Casa
des Beiras, A saa ananciada confen
fêngia O EL sr Dr. José lopes
Dias, ilustre delegado de Sacúde do
distrito de Castelo Branco, sabordi-
nada ro tema eEnsalo de combate à
mprtelidade infantil em Castelo
Brareo.

Presidia o Ex.Ӽ sr, conselheiro
Dr. Afonso de Melo, que era ladeado
pelos Ex,P srs. Drs. Américo Pires
– de Lima, e Aagasto Travassos, rese
— pectivamente director da Faculdade
de Medicina do Porto, e direetoragen
rel de Saúlr, prof. Dr. Costa Sacam
dira.e Dr. José Carioso.

Abrin n sessão, o Ex.Mº gr. Dr.
“Afonso de M’lo, e fez a apresenteção
do conierente O Ex sr. prof. Dr,
Costa Sacadara.

O ilustre conferencista começoa
por saular a Casa das Beiras, dizen-
do não ser a primeira vez que, por
convite aliciante daquela Casa lhe
era facultada a honra de ocapar
aquela tribana. Ali proferia há 12
anos, uma p ilestra sobre Regionu-
lismo e Assistência. Saudou o Con-
selho Regional da Casa das Beiras
em que se -destacam personalidades
do mais alto relevo na vida pública
oq profissional, sobejamente conhen
cidas e respeitalas. E prossegaia:

«F” na verdade um vivo prazer
saudar V.º* Ex.” e verificar que esta
agremiação sob a governação de ena
tidad:s de maior distinção, se encon-
tra no mesmo pé de aspirações ou
ideais em que nascem e se consoli-
dam, o mesmo afreto pelos horizon=
tes familiares da província natal e o
mesmo interesse pelo sea descnvol-
vimento e progresso.

Entrando na matéria da saa con»
jcorência, o Ex.”º sr. Dr. José Lopes
Dias, descreveu com amplitad: e da-
dus estatísticos, as obris de medicin
na Ssociul, oficiais e particalares no
distrito de Castelo Branco, que tor=
naram possível reduzir a percenta-
gem de mortalidade infantil de 16º,
para 5º, Sem correcção estatística,
porque se esta Tor considerada pela
norma francesa é sónente de 45º/,,
e sc à moda inglesa de apenas 3,3%
dos nado-vivos. o

“E acentjod:

” «Podemos e devemos, na verdade,
recuperar angalmente a maltidao de
vidas ceifadas pela enterite e a Pron»

(Conclusão na 4.º pág.)

Resacção e administração: Rua Se

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Com a assistência dos componentes do Conselho Mu-
nicipal, como representantes das forças vivas do conce-
lio, a Câmara Municipal reune hoje, extraordinaâria-

“mente, pelas 14 horas, pera emitir o seu parecer acer- |

ca do piano de urbanização
COMO noticiámos no penúltimo número, na reunião ordiná-
ria da câmara de 16 do corrente foi presente a carta do arquitecto
arbanista sr. António Neves, autor do ante-plano de urbanização da
Vila da Sertã, com a qual devolvea dez reclamações que lh: haviam
sido enviadas, carta que também pablicámos naquele númera.
Nessa reanião deliberou a Câmara convocar os seus membros

para uma sessão extraordinária a efectaar hoje, convidando a as-

sistirem à mesma os componentes do Conseiho Municipal coms re-
presentantes das forças vivas do concelho, a fim de a Câmara, de-
pois de ouvidas as opiniões daqueles e de ponderar convenientemen-
te Os assantos em causa, emitir o seu parecer, o qual será apresen-
tado ao Conselho Manicipal, que, depois e por sua vez, emitirá tam-

bém o sed.

Interesses «s Freguesias « Comarca

Ja Sertã

Fernando da Gosta Lima, do

Eis o relato que nos foi apre-
sentado:
«A fregaesia do Carvalhal é a

“penáltima ao norte: do concelho da

Sertã ficando situada entre as fregae-
sias de Pedrógão Pequeno e Castelo,
marginandonra ainda o rio Zêzere na
parte que delimita cs dols concelhos:

Sertã ce Pedrógãe Grande,

A população desta ireguesia é
aproximâdamente a mil e quinhentas
almas no total de duzentos e cinquen=
ta fogos. No sentilo do sea maior
comprimento (rio Zézere-alto da sera
ra do Viseu) mede 7.000 metros e no
sentido da saa maior largara (Casal
da Escusa-Ribeira da Amieira) mede
cerca de 3.000 metros. Tem uma área

relativamente pequena e nada jasti=

fica que iregaesias que dispõem de
áreas quase infindáveis como acon=
tece com a Sertã e até mesmo o Cas=
telo se estendam até quase junto da
igreja paroquial desta freguesia. E
uma situação que precisa de ser rem
vista, mas o caso lica para melhor
oportanidade.

Edifício Escolar
dos

Ramalhos

O nosso Inquérito aos srs, presidentes das Juntas —Dapão hoja o sr.
Carvalhal, concelho da Sertã
vi –

Da sede de freguesia que fica sim
taada nas proximidades dos Rama-
lhos disfruta-se am extensíssimo pas
norama, divisando-se sedes de fres

guestas pertencentes a três distritos .

c ainda uma infinidade de logarejos
de malor oa menor importância, que
formam am quadro deslumbrante que
deixa a melhor impressão às pessoas

que já alguma vez tiveram o ensejo .

de o contemplar.

As produções agrícolas são prin»
cipalmente milho, vinho, cortiça €
extracção de resinas. Os cereais são

insuficientes para o consumo da pom

pulnção, tornando-se necessário im=
portar grandes quantidades de milho.
O solo é maito pobre e de fraco prox
dução, vendo-se os naturais forçados
a emigrar oa a procurar nas freguen
sias limítrofes os meios necessários
para sua mantença.

À única indústria que tem é uma
lábrica de produtos resinosos no lum
gar dos Ramalhos.

Melhoramentos realizados nos
(Conclai na 4.º pág.)

RE ROME RIO DOME a a

rpa Pinto — Gemposição 6 Impressão: — GRÁFICA CELINDA, Lda. — SERTÃ

“Nº TH
Re E »
MESES EE EEE E E E e E E ENE EE EE EE SE

ão da Vila da Sertã

UE ME 7 BE ME

Aindq :s reclamações

banização da Vila do Sertã

o de novo em volta deste
Eis-me ingrato tema, a que mé
lancei forçado por Imperiosas -clr=
cunstâncias, e agora am pouco mais
afoitamente uma vez que o Sr. Ar
quitecto finalmente acabod por sc re=
solver a comáânicar à Câmara o que
entendia dever fazé-l; no tocante às
reclamações, como se pode ler na
página seganda, áltima colan», do nd»
mero 749 deste perlódico,
Cab: aqui, entre parêntesis, deim
xar significado para tranquilidade do

espírito de cercas almas assás pica

dosas, que o facto dé o mea primci=
ro artigo ter aparecido pablicado com
a!guns dias apenas de antecedência

sobre a data da devolução, pelo téc-=

nico encarregado do plano de arbas
nização, das reclamacões ao antes
plano, não deve passar de simples
Coincidência — porquanto ea nunca
tive, ce hoje com muito mais razão, a
menor possibilidade de influenciar

fosse quem fosse ao ponto de fazer
“conformar as suas opinió:s com as
“minhas, demais em matéria que es=
“capa à minha preparação profissio=

nal. Admitir o contrário seria uma
ofensa—ou injária, se assim o prefe-
rem os puristas da linguagem-=não
para mim, mas para terceiros que

não merecendo certamente o agravo,

só se não defenderão dele por esta=

– rem longe demais para do mesmo

poderem tomar conhecimento…
Retomando o motivo que me troa-
xe novamente a este pretório, voa
analisar, de todos os argumentos adua
zidos pelos reclamantes para tentar
entravar o andamento do ante-plano
pelo menos no concernente aos scas
interesses pessoais, três deles, qae
se me aliguram verdadeiramente de=
linidores oa da mentalidade de quem
se não arreceoa de os submeter a
jaízo público, oa do desconhecimento

da iinalidade que se visa através dos

planos de urbanização.

Por um desses argamentos, o lei»
tor que desconheça em profandidade
o meio local, ou O que só por alto

tenha acompanhado os trabalhos pres

paratórios do ante-plano, é levado a
coneluir que os terrenos do reclam
mante que apresentou tal argumento
foram propóstos ao sacrilício sem se
lernbrarem os inspiradores do técnim=
co, que O seu dono é um dos mais

fervorosos paladinos do Estado Nom.

vo na Sertã, ou — quem sabe ?,..
talvez por isso mesn,o.

Que dizer de quem assim pensá
em alta voz? Lecerto que mais va-
leria a quem deu a páblico esse are
gumento, que não o tivesse feito €s=
tampar no papel que tado consente
sem qualquer reacção, porquanto à
sua qualidade de situacionista não
pesou nem pouco nem muito na cs-
colha dos terrenos em que se propôs
a implantação de determinados imór
veis de utilidade páblica oa colectivas
nem essa qaolidade dá, scja a quem

(Conclai na 3:* página)

hem CM Sp


A Comarca da Sertã


informações
do Governo Civil

Pelo Governo Civil do Distri-
to de Castelo Branco foram con-
cedidos, durante o ano de 1950,
subsídios a institdições de assis-
tência e de benelicência num to-
tal de 127154900. .

—Vai ser brevemente criada
em Castelo Branco a 7.º Circans-
crição Indastrial da Direcção Ge-

ral dos Serviços Indastriais do
Ministério da Economia.

—Foram autorizadas as Cà-
maras Manicipais dos Concelhos
de Belmonte, Idanha-a-Nova e
Penamacor a contratar na Caixa
Geral de Depósitos, Crédito e Pre-

vidência empréstimos destinados

a abastecimento de água às se-.

des dos dois primeiros concelhos
cá construção de um Bairro pa-
ra classes pobres na sede do

áitimo.
A G ENDA

Tivemos o prazer de cumprimens
tar na Sertã os srs. João Francisco,
do Porto, José António Martins e
Adélio Nunes e Silva Campino, de
Lisboa.

Incêndio
No domingo, 21, à noite, declarou»
“se incêndio na chaminé da oficina de

preparação de carnes do sr. José An»
tónio Delgado, à Recta do Pinhal, sam

bárbios desta Vila, o qual fol prontas .
mente extinto, à baldes-de água, pen |

los bombeiros e por nameroso gra

po de “populares que acudiram ao |

alarme.

– As chaminés, cheias de luligem,
representam perigoso foco de incên=
– dios, pelo que tanto as donas de cam
sas como Os proprietários. dos pré
dios deverão ter o máximo cuidado
com a sua limpeza.

“E os aumentos não param!

E deveras crítica a situação dos
pequenos jornais da Província pelo
custo exagerado das despesas de com
branca pelo correio, agora agravado
com a fixação de $30 de selo Jiscal,
seja qual for o valor do título. Con-
sidere o assinante amigo O nosso cam
so: geralmente, enviamos à cobran-

ça títalos de 20300, que corresponde |

a 23 números e visto que o custo
valgar do exemplar é de $80, lica

apenas 1960 para fazer face a tais

encargos, assim distribaídos: selo
colado no título, $40; selo do registo,
1$70; prémio. do vale, 1800; selo fis
“cal, $50; quer dizer que, em troca de
20800, acabamos por receber 16880,
– perdendo, por conseguinte, $08 em
cada námcro.

Se o recibo for devolvido e tiver
“de haver nova cobrarça, no caso de
efectuada, dos 16860 há que reduzir
“2810, 0 que dá o prejdizo de $17 em
– número.

Mas não vale a pena estar com
– Jamentos porque se perde o tempo.

O que querífamos—já que es pequem.

nos jornais não gozam de qualquer
privilégio por parte dos Correios—
ecra que os nossos assinantes nos rem
metessem aireetamente a importân=
cia das assinaturas ou—e do mal o
menos—pagassem prontamente os re-
cibos logo que lhes sejam apresen-=
tados. É

> Doente

Tem estado doente, em casa de
seus pais, nesta Vila, a sr.” D. Luci-
la Baptista Manso da Gama Vieira,
esposa do sr. dr. Alexandre António
“ Veiga da Gama Vieira.

“Maito desejamos o pronto resta=
belecimento da enierma.

emma À. am mai o dm

imprimia.

Necrologia

Em 24 do corrente, jaleceu, em
Lisboa, o sr. Manuel Fernando do

Amaral, de 48 anos, comerciante,

natural de Cernache do Bonjardim,
casado com a sr? D. Maria de Lour=
des Dores do Amaral, pai do sr. Fern
nando Manuel Dores do Amaral e da

sr.“D. Maria Teresa Dores do Aman

ral e irmão do sr. dr. Eduardo do
Amaral.

O funeral realizou-se no dia ime-
diato, da rua Pinheiro Chagas, 2841.º
E. para o cemitério do Alto de 5.
João.

—Em 26 do corrente, no lugar do
Olival, fregaesia da Sertã, faleceu o
Sr; Manuel dos Santos Dias, viúvo,
de 92 anos, proprietário, pai dos srs.
José e Joaquim dos Santos Dias, de

“Lisboa, Manuel e António dos San»
tos Dias, do Olival, sogro do sr. Ann

tónio dos Santos Franco, do Olival é
avô dos srs. José de, Azevedo Dias,

José, João e Joaquim Dias, de Lis-.

boa, da sr. D. Maria do Céu Dias,
casada com o sr. José Lourinho, de
Abrantes, da sr? D. Adelina de Jesus
Dias, casada com o sr. António Dam
vid, do Outeiro da Lagoa e do sr.
José dos Santos Franco, do Olival.

Ás famílias entutadas apresentan
mos sentidos pêsames.

O nosso inquérito sobre a Froguo-
sia da Cumiada, publicado no nº

750, mereceu a men
lhor consideração ao nosso querido
amigo sr. Eugénio Farinha, «Rei das
Meias», com importante estabelecin
mento no Largo Rafael Bordalo Pim
nheiro, 32, na capital, que nos trans=
mitia as seguintes palavras, que rem
gistamos aqui com vivo prazer: «Meu
caro amigo sr. Eduardo Barata—Ao
ler a sua descrição sobre a iregaesia
da Camiada não posso deixar de lhe
enviar as minhas felicitações . pelo
cunho de verdade e realeza que lhe
Com os meus eumpris
mentos e um abraço do amigo Eum
génio Farinha».

Entro a Barragem do Gabril & Po-
drógão Pequeno val ser construida
uma estrada: Por despacho minis-

terial pablicado na
folha oficial de 17 do corrente, fol

aprovado vo projecto de construção

do lanço da E. N. n.º 2 entre a bar-
ragem do Cabril e Pedrógão Peque-

no, pelo que se consideram de atilix

dade pública as expropriações a eieem

tuar.

Durante a tarda e noite de sábado

ir faltou à energia eléc-
para domingo trica por avaria no
cabe condutor, de que resultou Íicam
rem em completa escuridão Sertã,
Pedrógão Pequeno e Cernache do
Bonjardim € ainda a vizinha Vila de
Figaeiró dos Vinhos, além de todas

as outras terras que se abastecem da

barragem de Santa Luzia.

“Associação dos Bombeiros

Voluntários da Sertã O sr. Go-
vernador Civil do distrito conce-
deu à nossa Associação de Bom-
beiros o subsídio de 3.000800

destinado aos serviços da amba-

lancia a prestar aos pobres.

escritor de gar-
Alves Redol, ra, acaba de ver
consagrada a sua famosa obra lite-
rária «Horizonte Cerrado» pela con=
cessão do Prémio Ricardo Malhei-
ros, que, na pretérita 5.º feira na Acam

demia de Ciências de Lisboa lhe foi

entregae pelo sr. proi. dr. Egas Mon
niz. Ao acto assistiram muitos aca»
démicos, escritores, família « amigos
do premiado,

A Comarca da Sertã cg

ENTRUDC

Quem fala no Entrado? Ninguém!

Recordam-no, apenas, com alguma

saudade os meninos de há mais de
trinta anos, quando o Rei Momo pan
recia dispor de vidas e fazendas, não
apenas nos três dias fixados no Can
lendário mas desde um mês antes.
Reinava S. Majestade com o maior
e mais descarado absolutismo e aí
daquele que se atrevesse a desres=
peitar as saas sentenças maquiavé-
licas e tirânicas porque era zarzido,
vaiado, escarnecido, relegado à troca
das multidões desaustinadas na sua
lária de se divertirem de qualquer
maneira, sem respeito por certas tram
dições ou condições que deveriam ser
poupadas ao desaforo…

Cá pela Sertã, então.

A colher de pau no trazeiro do
patego descaidado, vibrada com mão
firme e sem cerimónia; a farinha co
pó de sapãto, esparsos pelas redon-
dezas da eopa do chapéu de coco,
atirados com violência à cara da so-
peira; a laranja e o saco de milho
arrumados com violência ao tran-

– Seunte desprevenido; o assalto à ca
sa de família rica, pelos lados do

quintal, para furtar o assado odorítem
ro posto sobre o fogão, a melhor pe-
tisqacira para o jantar do dia; o fer-
ro em braza colocado na raa para
que o homem do campo, ao pegar-lhe,
por não desconfiar da maroteira, sen=
tisse a tortura do escaldão; as cacam
das atiradas para o fundo das escam
das, produzindo ruido medonho e
certo alvoroço; as figaras truancscas
que invadiam as casas, deixando ne»
las a pitada nauseabanda das gar-
rainhas de gás salifdrico ou os pós
que provocavam espirros ou faziam
arder as pálpebras; as palhaçadas nas
ruas, grotescas e ridículas, lançando
dichotes e piadas de mau gosto, por

-vezes, olensivas—tado isto passou à.

“ história, acaboa de vez, para decoro
das gentes que têm mais em conta
os bons costumes do que os dislates
do histrião torpe a quem se concedia
o direito, nessa época, de afivelar a
máscara para exprimir os ruins sen-
timentos que lhe embotavam a alma,

já que lhe faltava a coragem de fam

zer sentir, de cara a cara, os agravos
de que se dizia vítima.

O Entrado sujo, grosseiro e ridím
culo sumiu-se para sempre no nem
grame do tempo.

Do Entrudo doutros tempos só
sentimos saudades dos assaltos às
casas particalares, preparados pelos
próprios donos, que, em noite certa,
nos recebiam com gentilezas e pro»

| vas de ajeição, como se pertencês-

semos à própria família; rapazes €
meninas, com seus costumes elegan=
tes, dançavam alegre e entusiâstica-
mente até de madrugada ao som do
piano; espalhapam-se confetti, ser=
pentinas e bisnagadas de perfume €
em toda a noite a casa de jantar esm
tava a postes: não laltava o pera, O
cabrito, as empadas, o lombo ae por-=
co assado, os maravilhosos pasteis
de carne e ama variedade infin’ta de
vinhos e lieores da velha e resp-itám
vel garrafeira instalâda na cave cs-
cura, além do clássico chá e dos bo=
los confeceionados pelas mãos mila»
grosas das senhoras da casa. Todos
se divertiam com o maior respeito €
educação nesses assaltos que come-
cavam quinze dias antes do Carnaval.

Saudades temos nós dos bailes do
Grémio, cheios de alegria e vivacin
dade, sempre animadíssimos, cujo
ambiente marcava pela mais pela fan
miliaridade e invalgar elegância. E
sobre a madrugada não se dispensam
va a quadrilha, em que tomavam
parte as senhoras e os cavalheiros,
vestidos ao rigor da época. Saudades
temos nós dessas grandiosas batalhas
de flores na Carvalha em que à boa
disposição da gente moça, vestida de
graciosos costumes, montada em cam
valos e gericos ou ocupando caleches
e outras tipoias ornamentados a pre-
ceito, não tinha limites, arremessan»
do uns aos outros os mais inofensi-
vos € interessantes projécteis que desm
de am mês antes se haviam prepam
rado sob o entusiasmo tão caracte-
rístico da mocidade de então.

Quer isto dizer que o Entrudo dem
ve ser banido delinitivamente, escon=
jurado, lançando sobre ele a maldi-
ção? Nada disso!

O Entrado deve existir para dim
vertimento salutar da gente moça €

até dagaela que quer alugentar de si .

o peso dos anos, as preocupações da
vida c as tristezas. O riso é o melhor
tônico para a vida porque não deixa
sentir, tão amargamente, o espinho
dos desgostos, as dores cos aborrem
cimentos.

Porque não havemos de encarar
a vida como ela é, ileugmâticamente,
sem nervosismo e inquietações, prom
curando vencer as contraricdades
com o sorriso nos lábios, rodeando |
Os nossos actos de certo espírito de
bom hamor ?

Pois que o Entrado reviva com
grandeza e boa educação, que a ale-
gria é hoje mais indispensável que
nanca, pois nanca como hoje, afinal,
a vida deverá ser tomada menos a
sério..

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A Comarca da Sertã


e f

INTERESSES

das freguesias da Co-
marca da Sertã

Temos um posto escolar, mas fan»
ciona numa casa imprópria, acanha-
díssima, onde tudo falta, desde as
carteiras até à simples secretária da
regente. o

Pela rápida exposição que aqui
fica, a uma conclusão se pode chegar:
na freguesia do Carvalhal está prátim

camente tudo por fazer e continda- .

mos numa verdadeira pobreza iranm
ciscanal Quem nos ajudará a sair
deste estado de abatimento em que
vivemos 2?!

Em primeiro lugar que se torne
realidade o sonho dourado desta irem
guesia: constração da nova igreja;
para isso não laltarão as maiores e

mais decididas boas vontades dos fim .

ihos e amigos desta terra; em segun»
do lagar, pugnarmos pela concepção
doutros melhoramentos que coloquem
a nossa terra ao nível de outras de
não superior categoria.
A Janta de Freguesia do Carvan
lhal é composta pelos srs. Fernando
“da Costa Lima, presidente, José Vi-

cente Xavier, secretário e Inácio Fern.

nandes, tesoureiro, que há catorze

“ anos desempenham as suas fanções.

“Sempre irmanados no desejo de tom
narem átil e fecunda a sua passagem
pela administração local, nanca desm
“curaram seas deveres, pugnaram sem-
pre por dotar a ireguesia com os men
lhoramentos de que carece.
O presidente da Janta, que há 24
“anos está investido neste Corpo Adm
ministrativo, dos quais 10 como von
gal, teve de resignar no acto eleitom
ral de Outubro devido à sua débil
saúde, terminando assim o seu man”
dato no próximo dia 51. Acompan
” nhou-o sempre a vontade de bem
servir, cumprindo fielmente as ordens
“€manadas das autarquias superiores
“€ decidindo sempre com justo crité-
rio nos assuntos de interferência lom
cal inerentes ao seu cargo. Suaporn
tando desagrados, canseiras e dissan
“Dores que bem se podem prever oun
tro fim nanca teve em vista do que
dar à freguesia o sea esforço moral

com dedicação e desinteresse, con= –

tribaindo quanto possível para ajam
dar a ergué-la do marasmo em que
tem vivido e procarando provénia
dos melhoramentos a que tem jus».

Carvalhal, 10 de Dezembro de 1950

Fernando da Costa Lima

Notas históricas
– Dista 10 quilómetros da Sertã e 51 de
Tomar. Não existe actualmente povoação
chamada Carvalhal que é apenas o nome
da freguesia; em 1455, porém, havia um lum
gar assim denominado. E possível que o
Carvalhal, a que alude Miguel Leitão, na
«Miscelânea», considerando-o a terra nam
tal da mãe de D. Nuno Alvares Pereira,
Iria Gonçalves, fósse a antiga povoação
existente na área desta freguesia, a qual
deu o nome à região e mais tarde à paró-
quia, tanto mais que no tempo em que ela
viveu ainda era todo o território de Pedrór

gão Pequeno do termo da Sertã.

A freguesia do Carvalhal foi desanex
xada da de Pedrógão em 6 de Setembro de
1804 Nem todas as povoações, porém, fin
caram satisieitas com a instituição da nom
va freguesia, porque algumas delas pedi»
ram em 1807 ao Grão Pior para serem res

tituidas à antiga paroquia, sem terem o.

desejado deferimento.

– A antiga ermida de N.S. do Amparo,
eujo capelão joi sempre pago pelo povo,
ficou servindo de igreja paroquial, quando
foi erecta a Ireguesia, tendo, porém, de
ser ampliada em 1826. Devendo realizar-se
uma lesta em 10 de Agosto de 1875, colo=
caram imprudentemente o fogo de artiií-

“cio, no dia 8, no fundo da igreja, o qual
explodiu, destruindo tudo até a capela-mór,
excepto as paredes, pelo que teve de ser
reediiicada em 1877.

A torre data de 1890 e a casa paroquial

Toi edilicada poucos anos antes da implan»
tação da República. .

A escola primária foi criada em 1904.
O seu edifício foi mandado construir pelo
benemérito iilho desta freguesia, António

“da Costa Lima. —(D’A Sertã e o seu Com

A Comarca da Sertã

Ainda as veclamaçães
ao fAnte- Plana de Unbanizaçãa

(Conclusão da 1.º pág.’)

for, o direito de se considerar como
fazendo parte dama classe diferente
da dos demais concidadãos, nem re-
veste os que se ulanam de semelhan=
te apelativo de atribatos que os co-
loquem e mais o seu património ao
abrigo da ingerência dos agentes €
propulsores do progresso e valoriza-
ção sociais. Antes pelo contrário, os
situacionistas que o sejam dedica-
damente, desinteressadamente e in-
teligentemente, devem sentir-se
muito felizes e honrados deveras
em poder contribuir à custa do seu
sacrifício pessoal para o benefício
e o engrandecimento do meio em
gue se criaram ou em que vivem
de longa ou de recente data, so-
bretudo se possuidores de sólidos
meios de fortuna,

O segundo àrgumento, a que ram
pidamente me voa referir, é aquele
que pretende que os inspiradores do

-ante-plano não se coibiram de dar

ao técnico as indicações e sagestões
por este adoptadas, por não terem na
Sertã interesses de ordem material
ou patrimonial que padessem cair na
alçada das modilicações qu: se pro-
cara introduzir no conjanto arbano
que é a sede do concelho. A este ar=
gumento, verdadeiramente paeril, res=

“pondo, unicamente pôr mim falando,

para informar aqueles a quem o co=
nhecimento do facto possa interessar,
que dentro de maito poucas semanas
me devem ser expropriadas (e a od-
tros parentes meus comigo compro-
prietários no prédio em-causa) algam
mas dezenas de oliveiras e os res-
pectivos terrenos, de sequeiro em par-
te e de regadio em oatra parte, em
Pedrógão Peqaeno, para através de-

– les se abrir a estrada número dois
(Chaves a Faro), que passará sobre |

a crista da barragem do Cabril. E
certo que tais propriedades não es-
tão sitaadas no perímetro da incidên-
cia do plano de arbanização da Vila
de Sertã, mas os prejuízos que daí
me advirão penso que me dão o di»
reito de poder alirmar que no capí-

talo de expropriações por atilidade

pública não falo apenas comq aum
tcOrico.

eat o no

celho», de P. António Lourenço Farinha).

Cândido Teixeira, na sua obra «Antix
guidades, iamílias e varões ilustres de Cer=
nache do Bonjardim e seus contornos», diz:

«Carvalhal» — E assim que desde há
poucos anos passou a ser chamada em do»
cumentos oiiciais a ireguesia que Íoi criam
da com o nome de Amparo, como ainda
agora é vulgarmente conhecida. E que a
nomenclatura das ireguesias passou a ser
a dos sítios ou localidades em que estão as
suas igrejas matrizes. Muitas destas foram
colocadas em ermidas por vezes muito
aiastadas de povoações, para evitarem as»
sim a construção dama igreja nova, e até

por serem centrais às ditas povoações. A.

sede desta ireguesia encontra-se agora
despovoada e ignoro desde quando assim
se encontra, mas sei que em 1455 era uma
povoação de certa importância, pois que

“ali viviam então, pelo menos, Fernão Vin

cente, Martim Vicente, Gonçalo Lourenço,
Fernão Lourenço e Pedro Afonso, que as-

sistiram na Câmara de Pedrógão Pequeno |

à leitura duma procuração que Diogo da
Silveira, do Conselho de El=Rei e escrivão
de sua paridade, fez a Afonso Álvares, seu
almoxarite na dita vila».

— — +

Pelo Censo de 1940, a freguesia do Car
valhal acusa 220 fogos e 1.066 habitantes,

assim distribuidos: Aldeia Fundeira,9 e47;

Aldeia Metade, 16 e 89; Aldeia das Malhe-
res, 9 e 40; Amieira, 8 e 43; Casal do Bispo,
16 e 76; Casal do Sesmo, 11 e 51; Eira do
Sesmo, 5 e 27; Golarã, 11 e 39; Horta Cin
meira, 8 e 34 Lameirinhas, 6 e 22; Portela
do Sesmo, 6 e 24; Ramalhos, 12 e 68; Sesa
mo, 22 e 99; Vale das Barrocas, 5 e 23; Vam

le da Macieira, 8 e 32; Viseu Cimeiro, 12 e .

55; Visea Fandeiro, 24 e 131; isolados e dis»
persos, 32 e 166.
A f

da Vila de Sertã

Finalmente, pelo terceiro arga-
mento se insinda que a Câmara, vis»
to encontrar-se numa situação finan-
ceira bastante delicada, devia por
agora abster-se de se meter cm aven=
taras de alto cotarno e, antes, guar-
dar aquelas, pelos modos, para dias
de maior prosperidade e abastança
do erário municipal. Esqueceu-se,
porém, o reclamante que apresen-
tou o argumento em referência, da
seguinte particularidade, que to-
talmente anula qualquer valor que
aquele pudesse ter:-é que os pla-
nos de urbanização traçem direc-
trizes de trabalhos e actividades
para realização não em futuro ime-
diato, mas dilatado ao longo de
vinte anos ou mais, consoante a
grandeza das localidades a que
respeitam e o estado de carência
em que se achem os aglomerados
populacionais, no tocante aos men
lhoramentos a proporcionar-
se-lhes.

Assim sendo, pois que assim é.

efectivamente e indiscativelmente, não
há que se deixar atemorizar à Cã-
mara pelo papão do actual deficit
que pesa sobre as finanças manici-
pais mercê dam empreendimento que
— quer o qaeiram, quer não, os seas
detractores—abria uma era nova na
vida do concelho—a sua electrifica-
ção, na primeira fase, que abrangea
apenas as sedes das três freguesias
mais importantes, no consenso da ge-
neralidade das pessoas: Sertã, Cer=
nache do Bonjardim e Pedrógão Pem
queno. Há, sim, que prosseguir no
propósito de levar o ante-plano de
arbanização até à fase do ptano de-
finitivo, a pablicar pelo Governo des
pois das correcções a introdazir na»
quele em fanção do exame conselen=
cioso, desapaixonado c objectivo da-
quelas emendas e alterações que mes
reçam ser consideradas, não por atin=
girem fulano oa beltrano, nem para
favorecerem cicrano ou mengano,
mas pelo valor próprio que encerrem,

– Mas para tanto importa que a
Cámara faça ouvidos surdos a su-
gestões manhosas ou cavilosas, core
tando impiedosamente o voo a fan-
tasias ou a cantatas ao sabor das
quais o inleresse público possa vir

“a padecer fundo ou irreparável da-

no. Estando em jogo o destino e o
laturo da Vila de Sertã, se na Câman
ra ou no Conselho Manicipal algaém
se sentir—o que, francamente, não o
creio, nem poderá admitir-se—coae-

to Ou, por qualquer motivo, incapaz
de em plena consciência exprimir o-

sea voto, só tem uma cousa a fazer
dignamente até o momento em que
este lhe venha a ser exigido: é pedir,
quanto antes e enquanto é tempo, a
quem de direito a sua exoneração do
cargo a que por equívoco tenha sido
eleito ou chamado, ou fazer=se subs»
titair pelos metos legalmente pre-
vistos.

Doutra sorte tais responsabilida-

“des contrairá para com a sua cons-
ciência e para com a terra em que –

nasceu ou a que por não importa que

razão se ligoa, que nenhuma consi-.
deração será capaz de o absolver no
juízo dos seus contemporâncos é dos.

pósteros, de ama falta muito mais
corrente do que se jalgaria possível
nas sociedades modernas—a ausência
de coragem moral nas ocasiões vin»
cadamente decisivas, em que se com

Homens.

nhecem onde estão os verdadeiros

22/Jan.º/1951

Flávio dos Reis e Moura

À Revolução de 31 da Janeiro de
tn — a cidade quetem
1891, no Porto mantido galharda»
mente acérrimo calto pela liberdade
e se há mostrado, nos períodos de
fraqueza e decadência, pioneira es
jorçada do rejuvenescimento da Pám
tria Portaguesa–não foi uma sima
ples aventara de ambiciosos políticos
que à margem das instituições então
vigentes pretenderam escalar o poder
pela força, sacrificando os ingénuos
e bem intencionados patriotas a cam
prichos inconfessáveis. A Revolução
de 31 de Janctiro não foi uma farsa
de videirinhos, aos quais só poderia
interessar a glória do mando « a sa-
tisfação de condenáveis ambições
pessoais. Não. É
O movimento de 31 de Janeiro
nasceu da revolta do povo contra os
desmandos dana política de tibieza
€ insensatez, de que provéio o aban=
dono de sagrados direitos dc Porta=
gal a territórios africanos e o escar=
necimento por parte dama nação pos
derosa, quando a verdade é que uma
e outra estavam ligadas por destinos
idênticos e maitas vezes já tinham
contundido seu sangae nos campos
de batalha e nos mares e na defesa de
legítimos interesses comans oa con=
tra hegemonias odiosas. Se ama for=
ça irresistível ce misteriosa tinha
atraído os dois povos para o conti
nence africano e para oatras bandas
do Orbe, nada deveria obstar ao mes
lhor entendimento para solucionar
qualquer diferen’lo; mas à amcaça da
força, tradazida no «Ultimato», era
panhalada tralçoeira € vil nos nossos
brios de povo livre.
E se o regime de então—perple-=
X0, iraco, inapto para accitar as res
ponsabilidades do momento, debilita-=
do por latas estéreis e, por isso mes»
mo, incapaz de compreender a gra=
vidale do momento—não soabe rea-
gir contra a afronta, que escaldara
as faces dos portugaeses, hamilhanm
do-os até o último extremo, ecra prem
ciso derrubá-io e proclamar a (Sem

pública, que saberia lavar a nódoa

com o seu entusiasmo varonil camor
ardente à Pátria.

Os heroicos revolucionários foram
vencidos mas não foi vencido o ideal
que eles conservaram, impolato, nos
seus coreções de portagaeses de ram
ra têmpera, porque 19 anos depois a
República era vitoriosamente pro-
clamada.

O E RI O tem sido glacial

nos últimos dias,
em que raras vezes uma réstea de
sol nos vem brindar com o seu ca-
lor tão apetecido; mas, a sua luz
brilhante, de ouro, é como doce
carícia para quem sofre as tortu-
ras dum permanente desconforto,
sem lume que o aqueça, sem rou-
pa que o agasalhe.

Tem chovido muito, mas à
compasso, num rítmo benéfico pa=
ra a lavoura, que, graças a Deus,

“entre nós, tem vindo sendo poupa-

da à fúria dos elementos; é porém,
frigidíssima essa ehuva, o que
prova o excessivo arrefecimento
nas altas paragens atmosféricas.
Para o alto da serra, no Picoto
Raíinho e para as bandas do Fi-
gueiredo a neve tem surgido ma-
Jestosa com seus mantos de ima-
culada alvura,

Amanhã, 31, é feriado nacional,
dedicado aos Mártires e Percurso-
res da República; por isso, estão
encerradas todas as repartições
públicas.

Tolerância de ponte na 3.º feira de

* Por despachodo sr. mi-
ENTRUDO; nistro da Interior, pus
blicado na folha oficial de 26 p. p., é
dispensada a eomparência dos fanm

– elonários no próximo dia 6 de Feye-
reiro, 3.º feira de Carnaval


A Comarca da Sertã


WESTTERERO

«Conclusão da 1.* págiaa)

co-pneamonia, as doenças infecto-
contagiosas, agiadas ou crónicas, €
g-ande parte dos males congénitos €
familiares, do foro da mod: rná técn-
ca médico» social, uma cilade pare-
cida a Castelo 3 aaco, à Covilha od
a Viseu, à rola de 164/00 nfantes
que ainda aciaalmente sacamb -m pe
fa carência dos mcios higiénicos €
sociais. Eis um dos objectivos mais
empolgantes na perspectiva da vida
nacionall…
Sempre ouvido cim o maior in-
t-resse pela assistência, o conleren-
cista prosseqnia:
“«Necessitamos efectivamente de
reduzir a mortalidade infantil a men
nos de metade dus seas índices
actuais. Isto é francamente possível,
se considerarmos que as três princi»
pais caasas dr letilitade, à gastro-
enterite, a debilidade congénita ca
bronco-pn.cumonia, tomam a saa
responsab’lidane, em menores de dois
anos, 72º/o das cifras letais. Vistas
de per si. à gastró-enterite cabem
39,42º,0.à debilidade congenita 24,23//0,
e à pronco-pneamonia 8,62º/0».
«Em 4.574 recém-nasc dus de Cas»
t.lo Banco, foi conveniente sucorrer
com lactação artificial ou mista,
1.243. : Si
Reierindo se ao descenço na na-
talidade, disse que ele é jenomeno co-
mam à todos Os povos de civilização
mo terna, cuntanso se por menos de
metade no centro da Furopa, em
comparação com há meio sécalo.
Conjagam=se, como em todos OS
complexos sociais, os factor :s do arm
banismo e da indastriulização: à ia-
suficiência de protecção eficaz às fa-
mílias namerosas; à crise de Nabiiam
ção, O trabalho netarno, a mão dº
obra feminina, as deliciências dos se-
garos sociais, as facilidades do abor-
t» provocado 0d eriminnso; as docn-
cas sociais, à capilaridade social; a

noção errada € deicituosa d. contor-.

to e de riqueza. etc.

Campalsando vários aráficos, O
Exmo sr. Dr. José Lopes Dias Írisou
t+ tarefa que cab: aos Lactários na
sia missão de protecção à criança, €
à esterilização do leite, de cajo pro-
blema muito se tem falado, mas mai-
to há ainda a fazer.

Preconizoa à preparação técnica
dos médicos da infância é dos técni-
cos menores, assistentes, visitadoras
e auxiliares sociais, definindo o pan
pel de cada una destas classes. de
trabalhadores.

Ro terminar o sea trabalho, o
Exec sr Dr Jose Lipes Das lol
premiado com ama prolongada salva
de palmas por toda a assistência.
“Na sala de visitas, Toi a segair
servido am vinho de honra, tento
diseursado os Ex.”P* Srs.: Enq.º Es-
tévão da Silva, president: da Diree-
ção da Casa das Beiras; Dr. José
“Cardoso, presidente do Conselho Re-
giontl da mesma casa regionalista;
Dr. Américo Pires de Lima, director
“da Facaldade de Medicina do Porto;
Dr. Augusto Tavares, delegado de

Saúde; todos felicitando vivamente.

o Ex.”º Sr. Dr. José Lopes Dias pen
to sea Interessante trabalh), pelo que

de átil encerra para bem da hamanin

dade e glória da ciência.
O Ex.Ӽ sr. Dr. Lopes Dias agra-
decea as palavras que lhe foram di-
“rigidas, e terininoa por um «bem
“hajam» a todos que o honraram com
a sua presença.
Foram recebidos telegramas de
– vários pontos do país, de aplauso e
saudação para o conierente, e a Ca-
sa da Comarca da Sertã, que esta-
va representada por algans membros
dos seas Corpos Gerentes, ofereceu
nO EXP Sr. Dr. José Lopes Dias,
por intcrinédio do Ex.”º Sr, Dr. João

“Neves da Silva, vice-presidente da
Assembl ia Gral, algumas fotogra-

fias da inaaguração dos serviços cli-
nicos há cempo levada a eleito na
sede dagrela Casa Regionalista,—o
qu: muito o sensibilizoda.

Almoço de homenagem ao
Ex.”º Sr. Dr. José Lopes Bias,
ilustre Delegado de Saúde

do Distrito de C. Braaco

Lisboa, 14—(Do nosso R pr. João

Antunes Gaspai)—No Hotel Internas .

cional, realizoa-se hoje, um almoço
de homenagem ao Ex.”> Sr. Dr. José

– Lopes Dias, delegido de Suúle do

Distrito de Castelo Branco. .
Presidia o ExPº sr. Conselheiro
Aionso de Melo, presidente da As-
semblcia Gral da Casa das Beiras,
que era luucad» pelas Ex.Mes Sr.º* qe
Dr. Jiinc Lopes Dias, e de Dr. José
Cardoso, € mademoisele Maria Emín

lia Lopes Dias; e Drs: José Lopes

D.as e José cardoso.

– Nos eatrovS lugares, viam-se Os
Srs. prof. Dr. Costa Sacadura, Fer-
nanio da Siva Correia e Pires de
L ma; coronel Lopes Matcas, Drs.
Jisé Gomes Moia, Paalo Menano,
Jão de D as Ramos, Frederico S le

va, Agostinho Curreia, Custódio Lo=

pes de Castro e Costa Courrcia; enn
genhciros Estevão da Silva e Caldei-
ra Santos; professores Craz Filipe e
Albino Maurício, capitão Gonçalves
Monteiro, c em representação da Cam
se da Comarca da Seriã, v mos os

‘ ExMo srs. Reinildo de J sus Costa

c Francisco Ferreira Joruão.

– Ros brindes, falaram os srs:
cons lheiro Afonso de Melo, eng.”
Estevão da Silva, Dr. José Cardoso,

Dr José Gon’s Mota, Prof. Coar.

Eilips, Dr. Fernando Correia, Se.
Francisco Farinha Tavares, de Proen-
cama- Nova, Dr. Jsão de Deus Ramos,
Dr. Jaime Lopes Diis,co Ex”? Sr.
Reinaldo de Jesas Costa, pela D’rec-
ção de Cisa da Comarca da Sertã;

que puseram em relevo a personalin.

dade do Ex.Cº Se. Dr. Jisé Lopes
Dias, e a acção que ven desenvol=
vendo no desempenho do seu cargo.
O homenageado, agradecea, por
fim, as palavras dos oradores. €

Casa da Comarca da Sertã

Lisboa, 5–(Do nosso Repr. João
Antunes Gaspar) —-Na Casa do Com
marca da Sertã, realizo 1-se hoje, à
noite, o acto de posse dos novos
Corpos Gerentes para o excreício do
ano corrente.

O acto revestia-se da habitual
solenidade, e teve o significado de

se lormilarem votos amistosos pelas:

prosperidades da Casa.

– O presidente da. Mesa da Assem= |
bleia Geral, Ex.”º Sr. Eduardo Girão .

do Amaral, após verificada a posse,
usou da palavra para tecer os men
lhores louvores à Direcção pelo tram
balho realizado, augarando os men

lhores votos por que este novo ano,

traga ê Casa da Comarca da Sertã
uma auréola de prosperidade.

Respondsa-lhe o presidente ree-

leito da Direcção, Sr. Reinaldo de
J:sas Costa, que, depois de agrade-
cer us votos formalados pelo Sr. Dr.
Eduardo Amaral, disse que, tanto ele
como os seus colegas d: Direcção
estavam no mesmo declarado pro-
pôósito de trabalhar com afinco pela
expansão tanto quanto possível prós-
pera, da Casa da Comarca da Sertã,

mas esperava verilicar a melhor e.

mais decidida boa vontade de todos.
Se assim suceder, —acentaoa, não te-
rei dúvida de que à Casa da Comar-
ca da Sertã, vera, este ano, mais

“Tortemente alicerçadas as bases em

que assentam OS Seus estatutos, cuji

A Comarca da Sertã

atícias da Capital

a amo

S – O re sno RR

Interesses das Freguesias
da Comarca da Sertã

(Conclusão da 1.º pág).

últimos anos: Até esta data pode
dizer-se que o ánico melhoramento
com que foi dotada esta Iregriesia,
comparticipado pelo Estado, foi um
marco fontenário no lagar dos Ram
malhos. Nada mais. É verdade que

“alén de pequenos melhoramentos que

ultimamente têm sido realizados, toi
também ampliado o cemitério e dom
tado no seu interior dama pequena

casa mortaária, mas tudo isto irito .
“por meio de subscrição aberta pela
‘ Janta de Fregacsia entre os filhos e
amigos. As obras do cemitério impor-

taram em dez mil escudos. Diversas
vezes foi apresentada esta necessida-
de à Câimare, mas nada se conse»
gúindo não hoave outro remédio se
nao recorrer à magra carteira dos

Jilhos desta terra. Temos sido duma

infelicidade a toda a prova.

“Actualmente está em execução
o projecto de abastecimento de
água à povoação de Sesmos: bem .

se pode dizer que esta obra é a úni-
ca coisa de jeito até hoje realizada
nesta fregaesia; comparticipada pelo
Estado, terá três marcos fontenários
e abastecerá cinco povoações: Sesmo,
Eira, Santo Abril, Vale da Macicira
e Portela do Sesmo. Obra de indis-
catível atilidade, é esta sem dávida
algama, que se está execatando e ten-

ae a abastecer de água uma granlte

parte da nossa Iregacsia. Mas que
latas foi preciso sustentar e que di=
ficaldades Íoi preciso vencer para que
este melhoramento: venha a ser uma
realidade! Nem todo o jornal chega-
ria para descrever pormenorizada-
mente tudo quanto se passou à volta
do projecto de abastecimento de água
à povoação de Sesmos, mas a tro-

” doatrina nos propomos fielmente

seguir.

Engenheiro Silvicultor Ar-

tur Ribeiro Lopes

Coneluia a sua formatura, com
boa classificação, este nosso prezado
amigo filho do Sr. António Lopes e
D. Maria Ribeiro, residentes na prom
víncia de Moçambique, e neto da Ex.”*
si? D. Teresa Ribeiro Lopes. do

Carpinteiro, freguesia do Cabeçado, |

& quem desejamos, sinceramente, as
maiores Iclividades.

Lisboa, 13 de Janeiro de 1951—

(Do nosso Repr. J ão Antanes G is»
par)—Foi hoje registada na 2.º Con-
servatória do Registo Civil da Capi-
tal Cecília Marçal Colares Vieira,
linda menina nascida em 27 de Den
zembro áltimo, que é o enlevo de
seus pais D. Isilda dos Santos Mar-=
cal Colares Vieira e António David

da Canha Colares Vieira, funcioná-

rio de Seguros, e também de seus
avós paternos srs. D. Olga Dart da
Canha Colares Vieira e António Ro»
drigaes Colares Vieira, Director da
Companhia de Seguros «Fidelidade»,

c avós maternos srs. D. Maria Al-

bertina dos Santos Marçal e José
Pedro Marçal, funcionário de Finan-

“ças, é do bisivô sr. Manael Pedro

Marçal, residente na freguesia da
Caumeada.

—Embarcaram ontem no «Moçam-
bique», com destino a Lucala (Ango-
l:), os sr. António Pedro Marçal e
esposa, à quem desejamos feliz via-
gem e sorte durante a sua cstadia
naquela Colônia para poderem rem
gressar mais tarde com saúde e
alegria.

(Entrada na Redacção
em 24 de Janeiro)

poada passou € à Janta, dep’is dum
ma lata titânica, sempre venceu co»
mo era justo que vencesse.

Outras obras de melhoramentos
de fontes carceem ser reparadas em .
todas as restantes puvoações que têm
água explorada para seu consumo.
porque a maior parte são verdadci-
ros focos de infecção e que na sua
totalidade se melhoravam com pe-
quenos dispêndios. tornando-a potá-
p-l e lotadas de tanques-lavadoaros.
Esta é uma gran le é velha aspiração
dos habitant:s dagneias povoações, –
que os poderes páblicos deveriam
pôr em execução.

Obras solicitados e aspirações

“máximas de toda a freguesia: Cons=

tração da nova igreja paroquial. A
antiga capela de N. S. do Amparo
que serve de igreja matriz encontra-
se em ruínas e é de tão acanhadas
dim n-6:s que em certos dias de prem
ceito o1 dé f.sta não comporta me-
tade das pessoas que ali se dirigem
para assistir aos actos religiosos. Re-
pete-se, é a aspiração máxima desta.

“treguesia a construção duma nova

igreja. E o melhoramento n.º 1 que
ocapa o seu pensam.nto e para o qual
os seus habitantes estão dispostos à
contribuir com seus sacrifícios. O pr.m
mceiro projecto para constração dam
ma nova igreja foi claborad» em 1959
e comparticipado em 194, O custo
total da obra era de 226.000$00 e o
Estado d-va a comparticipação de
70.000800; esta comperticipação, po-
rém, não podia ser aproveitada por=
que foi na altura da gaerra mand:al,
em que os materiais atingiram pre-
cos astronómieos, havendo também
extraordinária diliculdauc para Os
obter em qualquer mercado. Foi en=
tão pedila a suspensão daquela com=
participação até que melhores dias
sargissem. Normalizada à situação,
foi actualizado o projecto e orçamen=
to e apresentado à aprovação € no-
vamente pedida a comparticipação,
o que até hoje não se conseguia. Muim
tes vezes se tem exposto O assunto
a S. Rev. o sr B’spo da nossa dio=
cese cao Ex.Pº Sr. Governador Civil
c outras entidades, mas até agora
sem resaltado.

Estradas de comunicação : Ne-
cessita esta freguesia de dois rameis –
de estrada, em que viriam encontrar
novos meios de comunicação. Um
ramal partiria da E. N. junto da es-
cola dos Ramalhos até altura de Al-
deia Fundeira e outra partiria da
Fontinha, seguindo até o Viseu; ser=
vindo todos aqueles lugares daria es=
coamento a madeiras e carvão da
serra do Viseu e outros pontos pri-
vados de vias de comanicação.

Esenlas: Tem esta freguesia um
belo edifício escolar, que em 1905 foi
mandado construir por am filho bem
nemérito desta terra e oferecido ao
Estado para nele aprenderem os es=
tudos primários as crianças da sua
terra natal. Este edifício apenas há
25 anos beneliciou dama ligeira rem
paração de pintara e caiação; depois
disso nada mais se fez. Como é de
supor, não poderão edifícios desta
natureza atravessar muitos anos sem

“Serem reparados e estes carecem de
inadiecveis reparações. Muitas vezes

se tem comunicado à Câmara o esm
tado em que se encontra e no prem
sente ano foi lârgamente ventilado
pela Junta à Câmara, mas nada se
tem feito. Além disso, ama ánica sam
la de ensino é pouquíssimo para a
popalação escolar da nossa fregae-
sia; o edificio é suliciente para ser

‘ desdobrado em daas salas de ensino,

(Conclusão na 3.º pág.)